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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

UM GOVERNO QUE REGULA MAROFA

O Uruguai não legalizou a brenfa. Ele a estatizou. Sendo estatal, certamente a manga rosa vai acabar faltando. E neste caso, quem será chamado a abastecer o mercado? Creio que os mesmos de sempre.

No artigo abaixo, Carlos Augusto Sardenberg ainda elenca outras cositas que podem transformar o Uruguai na maior boca de fumo do continente.

Legalizar a maconha não é uma boa ideia. Mas pode levar a uma situação menos ruim que a atual. Os usuários continuariam aí ─ e necessitando de cuidados ─, mas os traficantes perderiam o mercado e, pois, o dinheiro com o qual ganham a guerra, assassinando desde adversários até usuários inadimplentes, intimidando e corrompendo policiais, juízes e governantes. O Estado economizaria bilhões hoje torrados em operações policiais.

E por que legalizar só a maconha ou inicialmente a maconha? Porque é a menos prejudicial das drogas e porque forma a maior parte do mercado.

A tese não é nova. Tem sido debatida por um grupo de ex-presidentes, incluindo Fernando Henrique Cardoso. Nos EUA, os estados de Colorado e Washington aprovaram há um ano o “uso recreativo da maconha”, sob regras, agora estabelecidas, que organizam a produção e a venda. No Uruguai, o Congresso acaba de legalizar a maconha, prevendo normas que ainda serão explicitadas por ato do presidente José “Pepe” Mujica.

É curioso. A ideia de legalizar é, na origem, liberal. Melhor deixar a escolha por conta do cidadão livre, o mercado para a livre iniciativa. Decisão polêmica, certamente, e mais ainda para o esquerdista Mujica. Consequência: o governo uruguaio tenta dar à ideia uma aparência de política pública de esquerda. Quer sair das sombras do tráfico para o controle total do Estado.

Acreditem: nas primeiras discussões, Mujica e seus seguidores falaram em estatizar tudo, desde as fazendas de cannabis até as fábricas de cigarros e as redes de varejo. A lei aprovada nesta semana não foi assim explícita. Prevê, por exemplo, o licenciamento de produtores, mas não diz como isso será feito, nem quais empresas poderão se habilitar. Fica claro, porém, que todo o processo, inclusive a importação de sementes e eventual exportação de maconha, será controlado diretamente pelo Estado.

Entre “entregar” o negócio ao capital privado que só busca lucro e criar uma superestatal agroindustrial e comercial, no que o leitor apostaria?

Os consumidores, esses serão estatizados. Para comprar os cigarros, a pessoa, maior de 18 anos, precisa se cadastrar em um órgão governamental. Terá assim uma carteirinha de maconheiro, com a qual poderá comprar até 40 cigarros por mês.

O preço será tabelado pelo governo. Talvez um dólar por cigarro, para competir com o tráfico, dizem as autoridades, e também para não se tornar uma atividade muito lucrativa. Ora, se não for lucrativa, terá que ser assumida ou subsidiada pelo Estado.

Usuários poderão plantar e processar sua própria erva, em casa. Isso com licença do governo, limitada a seis plantas por domicílio, sob rigorosa fiscalização, claro.

Então, vamos reparar? É ou não é uma das melhores ideias de jerico já produzidas pela esquerda latino-americana? Estatizar e subsidiar o barato é uma proeza.

Mas, dirão, a maconha estatizada deve ser melhor que um mercado dominado pelo tráfico. Seria, se a estatizada não estivesse prontinha para cair nas mãos dos traficantes.

Começa pela carteirinha de maconheiro. Digamos que uma minoria de militantes da droga tope isso, para marcar posição. Mas o maconheiro, digamos, normal, não vai querer manchar seu nome.

Não é por que terá sido legalizada que a maconha ganhará aprovação social e absolvição médica. Todos sabem que a droga é nociva, vicia e prejudica o desempenho das pessoas.

Assim, companhias aéreas, empresas de ônibus, construtoras, fábricas com equipamentos complexos têm um bom argumento para recusar os maconheiros oficiais. Isso cria uma questão jurídica. Se a maconha é legal, como a empresa pode discriminar o usuário? Por outro lado, admitindo que tudo esteja montado, forma-se um baita mercado. Cada maconheiro oficial tem direito a 40 cigarros/mês. Eis um novo emprego. Os traficantes vão mobilizar “funcionários” que ganharão algum dinheiro sem trabalhar, apenas se registrando como maconheiros.

Na verdade, a produção estatizada vai dispensar o tráfico de boa parte do plantio, produção e distribuição. Se os traficantes hoje compram até juízes, não conseguirão seduzir um funcionário de uma lojinha oficial? Ou convencer moradores a plantar e vender o excedente? Vão financiar a produção doméstica.

Finalmente, todo o complexo estatal da maconha será um grande negócio. Ou seja, muitos cargos ─ e dinheiro ─ para serem disputados pelos políticos.

Quem defende a legalização da maconha reconhece que a maior dificuldade é justamente o processo. A estatização à Uruguai é a pior proposta. As regras dos estados americanos? Próximo assunto.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

EU SEMPRE DISSE QUE O PROBLEMA DA BADERNA EM LONDRES ERA DE ÍNDOLE. NÃO ESTOU SOZINHO!

O texto é tão bom que vai na íntegra e com grifos meus.
OS SEM I-PAD

Por Luiz Felipe Pondé, na Folha de SP

Você sabia que agora existe em Londres o movimento dos sem-iPad? Coitadinhos deles. Quebram tudo porque a malvada sociedade do consumo os obriga a desejar iPads... No passado todo mundo era "obrigado" a desejar cavalos, tecidos de seda, especiarias, facas, tambores, ouro, mulheres...

Como ficam as pessoas que desejam, não têm, mas nem por isso saqueiam lojas, mas sim trabalham duro? Seriam estes uns idiotas por saberem que nem tudo que queremos podemos ter e que a vida sempre foi dura?

Esta questão é moral. Dizer que não é moral é não saber o que é moral, ou apenas oportunismo... moral. Resistir ao desejo é um problema de caráter. Um dos pecados do pensamento público hoje é não reconhecer o conceito de caráter.

Logo existirão os "sem-Ferrari", os "sem-Blackberry", os "sem-Prada" também? Que tal um "bolsa Blackberry"? Devemos criar um imposto para os "sem-Blackberry"?

Na Inglaterra, dizem, existem famílias que nunca trabalharam vivendo graças ao governo há gerações. É, tem gente que ainda não aprendeu que não existe almoço de graça.

Mas esse fenômeno de querer desculpar todo mundo da responsabilidade moral do que faz não é invenção de quem hoje justifica a violência em Londres clamando por justiça social na distribuição de iPads.

É conhecida a passagem na qual o "homem do subsolo" no livro "Memórias do Subsolo", de Dostoiévski, abre suas confissões dizendo que é um homem amargo. Em seguida, alude à teoria comum de que ele assim o seria por sofrer do fígado. Logo, a culpa por ele ser amargo seria do fígado.

Ele recusa tal desculpa para sua personalidade insuportável e prefere assumir que é mesmo um homem mau. Eis um homem de caráter, coisa rara hoje em dia.

Agora, todo mundo gosta de "algum fígado" (a sociedade de consumo, o patriarcalismo, a Apple) que justifique suas misérias morais.

O profeta russo percebeu que as ciências preparavam uma série de teorias que tirariam a responsabilidade do homem pelos seus atos.

A moda pegou nos jantares inteligentes e hoje temos vários tipos de "teorias do fígado" para justificar nossas misérias morais.

Uma delas é a teoria de que somos construídos socialmente.

Dito de outra forma: O "sujeito é um constructo social". Logo, quebro loja em Londres porque fui "construído" para enlouquecer se não tenho um iPad. Tadinho...

Tem gente por aí que tem verdadeiro orgasmo com essa bobagem.

Não resta dúvida de que há algo verdadeiro na ideia de que somos influenciados pelo meio em que vivemos.

Por exemplo, se você nasce numa favela, isso não vai passar "desapercebido" nos seus modos à mesa, no seu comportamento cotidiano e nas suas expectativas e possibilidades na vida.

Mas aí dizer que "o sujeito é um constructo social" é pura picaretagem intelectual. Ninguém consegue ou conseguirá provar isso nunca, mas quem precisa de "provas" quando o que está em jogo são as ciências humanas, que de "ciência" não têm nada?

Esse blábláblá não só exime o sujeito da responsabilidade moral, como abre a porta para todo tipo de "experimento" psicossocial, político ou justificativa moral, que, na realidade, serve pra qualquer um inventar todo tipo de conversa fiada em ciências humanas "práticas".

Por que tanta gente adora essa teoria? Suponho que, antes de tudo, o alivie de ser você e coloque a "culpa" de você ser você no pai, na mãe, na escola, na vizinha, na sociedade, no consumo, na igreja, no patriarcalismo, no machismo, na cama de casal, no iPad, no diabo a quatro. Menos em você.

Temos aí uma prova de que grande parte das ciências humanas não reconhece o conceito de caráter.

Moral é exatamente você resistir a impulsos que outras pessoas, sem caráter, não resistem. Já leu Aristóteles? Kant?

A "culpa" do que hoje acontece em Londres não é do consumo. Homens sempre quebram coisas de vez em quando e querem coisas sem esforço. As causas podem variar. Hoje em dia, seguramente, uma delas é que muita gente está acostumada a um Estado de bem estar social que os trata como bebês.

A preguiça, sim, é um traço universal do ser humano.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

ENQUANTO ISSO, NA SÍRIA…

Os esquerdopatas devem estar com os olhos marejados de lágrimas diante de mais um atentado terrorista contra civis inocentes em Israel, como se vê no post abaixo! É muita emoção! É muito amor a uma causa!

Mas a alegria veio em dose dupla: não bastando isso, dona Dilma, através de seus vermelhinhos antiamericanos do Itamaraty, no afã de alisar mais sacos de ditadores, afirma que a culpa da carnificina na Síria é… das vítimas. Com a esquerda não há quem possa!

Por Demétrio Magnoli:

O ditador Bashar Assad encontrou nos enviados do Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) os bonecos de ventríloquo ideais para transmitir ao mundo a sua versão dos eventos sangrentos em curso na Síria. O comunicado final da delegação, um dos documentos mais abjetos jamais firmados pelo Brasil, pinta o cenário de um regime engajado na sua reinvenção democrática, mas assediado pela violência de grupos armados opositores. A assinatura brasileira converte Antonio Patriota em cúmplice de um Estado policial que se dedica à matança de sua população. Patriota, contudo, é funcionário de Dilma Rousseff. A assinatura dele é a dela.

O Itamaraty difunde a narrativa oficial síria, segundo a qual o derramamento de sangue deve-se à violência de setores da oposição. Há, nisso, uma nota sinistra, só audível para quem conhece o passado recente da Síria. Refiro-me a Hama e a fevereiro de 1982. Naquela cidade sunita, operavam guerrilheiros islâmicos que combatiam o regime de Hafez Assad, pai de Bashar. Após uma emboscada dos rebeldes contra forças militares, o ditador ordenou o bombardeio de toda a cidade, por terra e ar. Num tempo anterior à internet e aos celulares, há escassas, mas pungentes, imagens do resultado. No fim, Hama parecia as cidades alemãs extensivamente bombardeadas na guerra mundial.

Um dos filhos do ditador supervisionou o ataque e se gabou de matar quase 40 mil pessoas, uma cifra confirmada pelas estimativas independentes. Quando os escombros ainda ardiam, o governo vazou para a imprensa libanesa a notícia das dimensões da carnificina, enviando uma mensagem ao povo sírio. A mensagem foi decodificada, em muitos sentidos. Até há pouco, aos murmúrios, os sírios se referiam ao massacre por meio de um sombrio eufemismo: "os incidentes de Hama". Agora, enfrentando munição real, os manifestantes voltam às ruas num ânimo quase suicida pois sabem que só têm a alternativa de derrubar o regime. Patriota deveria ter a decência de pensar duas vezes antes de colar o selo do Itamaraty sobre a versão de Damasco: na linguagem dos Assad, a expressão "gangues terroristas" é a senha para aplicar a "lei de Hama".

Além de tudo, a versão é falsa.

Aqui.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A DITADURA BEM PASSADA DOS BUROCRATAS

Tenho visões nada animadoras do futuro. Uma delas é a seguinte: você precisará de uma autorização do governo para comer numa churrascaria, assinar e reconhecer no cartório um documento dizendo que você está ciente de que a carne ali servida pode elevar o seu colesterol e levá-lo à morte e que, se você entrar num destes estabelecimentos mais de duas vezes por ano, deverá se contentar com um pedaço de fraldinha, frango desossado e picanha (bem passada), desde que coma também folhas e folhas das saladas do buffet. Só os burocratas sabem o que é bom pra você. Só o Estado realmente se importa com você. Só as agências públicas podem dizer o que você deve ou não fazer mesmo que você esteja solenemente cagando para elas.

É dessa mania de um bando de come-e-dorme que agora governa através de portarias autoritárias sem que tenham recebido sequer um único e escasso voto que João Ubaldo fala neste artigo.

sábado, 30 de outubro de 2010

A GRANDE OBRA DE DILMA É ERENICE

Um excelente artigo de Guilherme Fiúza hoje no Globo. Grifos meus.

*     *     *

Seja qual for o resultado das eleições presidenciais, 2010 ficará marcado como o ano do movimento cívico que aprovou a ficha suja na política brasileira.

A opinião pública, distraída como sempre, está eufórica com a Lei da Ficha Limpa - que barra candidatos com maus antecedentes, como o lendário Jader Barbalho. Sem querer estragar a festa, é preciso dar a má notícia: Jader, Roriz e companhia são gotas no oceano diante dos métodos políticos que estão sendo aprovados, ao mesmo tempo, pela mesma opinião pública, na campanha presidencial.

A imprensa fez a sua parte. Mostrou, de forma quase didática, o jeito Dilma de governar. Não se trata de uma denúncia aqui, ou um escândalo ali. Trata-se de uma cultura. O que o Brasil viu - ou deveria ter visto - acontecer na Casa Civil ou na Receita Federal não foi uma coleção de deslizes. Foi um método de ação, um plano de governo. Sucessora de José Dirceu, afastado pelo mensalão, Dilma Rousseff trouxe Erenice Guerra. Investiu tudo nela, e promoveu sua ascensão meteórica de funcionária obscura a ministra mais importante da República.

A eficiência de Erenice é incontestável. Montou uma rede de tráfico de influência no ministério em menos de seis meses. Pode-se imaginar o que faria em quatro anos, como principal ministra de Dilma. Ao fundo, a espionagem na Receita a serviço do comitê da candidata do PT - mesma Receita que já havia sido fustigada por Dilma, segundo a ex-secretária Lina Vieira, para aliviar um processo contra o filho de Sarney. O Estado é deles. Se não fosse, qual seria a graça de pegar o poder? As agências reguladoras, criadas justamente para despolitizar o Estado - quem foi o louco que inventou isso? -, foram retomadas pela sanha partidária. E devidamente desmoralizadas. O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), importante referência na análise conjuntural, foi convertido em propagador de ideologia petista. Os Correios, pilar da unificação continental brasileira, mudaram de prioridade: antes da entrega de cartas, a entrega de cargos. Ali também chegou um dos tentáculos de Erenice, a fiel escudeira de Dilma e do PT. Diante dessa colonização da máquina pública, chega a ser comovente o grito genérico do povo contra as privatizações. O brasileiro teme a alienação do patrimônio estatal. Não toquem nos nossos parasitas.

Lula tem toda a razão quando diz que não se pode reclamar de falta de liberdade de imprensa no seu governo. De fato, a imprensa mostrou a farra toda. E mostrou fartamente quem é, ou melhor, quem não é Dilma Rousseff, além de uma testa de ferro desse projeto de sucção partidária do Estado. Não viu quem não quis. E a massa de votos apontados para a madrinha de Erenice, outdoor do assalto "progressista" à coisa pública, não deixa dúvidas: a ficha suja é um sucesso no Brasil.

A miopia é mesmo um grande tranquilizador de consciência. O eleitor de Dilma ainda se sente à vontade para patrulhar os outros. Afinal, Dilma é Lula, e Lula é o pai dos pobres. No Rio de Janeiro, capital nacional da esquerda festiva, já brota uma certa hostilidade moral contra os que não apoiam a "presidenta". O politicamente correto continua sendo o melhor disfarce para o intelectualmente estúpido.

Esse Brasil supostamente solidário - ficha suja e cara limpa - ama Lula pelo motivo errado. O governo que se encerra foi positivo em um aspecto crucial: garantiu a estabilidade política, com as instituições funcionando normalmente, artigo raro numa República que marcha aos trancos e barrancos. Isso se deveu em grande medida à ampla representatividade de Lula, e à sua habilidade pessoal. Esta foi a base da manutenção da estabilidade econômica - e do progresso social advindo dela - que o Brasil resolveu acreditar ser obra do governo bonzinho de um presidente pobre. E onde brota a mistificação, como se sabe, a ignorância e a má-fé se confundem. A comparação de indicadores econômicos do último ano de Fernando Henrique com números atuais não é honesta. Circula na internet um comentário do jornalista Joelmir Beting comparando PIB, juros, inflação etc. de 2002 e 2010, como argumento para a aposta em Dilma. Uma fraude. O governo anterior tirou a economia brasileira do pântano. Controlou a inflação, apesar da oposição do PT. Mesmo abalroado pelas duas maiores crises financeiras dos últimos 20 anos (dos Tigres Asiáticos e da Rússia), deixou as bases institucionais para o crescimento. Os indicadores de 2002 refletiam essa conjuntura de transição, além do risco Lula - que só desapareceu quando ele comprometeu-se com a política econômica de FH.

Em sua campanha, Dilma apropriou-se do feito de Pedro Malan, da foto de Norma Benguell e da assinatura de Ruth Rocha, entre outras licenças poéticas. Mas o que é genuinamente seu, até o momento, é o legado de Erenice.

Cada um com a sua ficha.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

SOBRE O ABORTO

Não é do meu feitio publicar textos inteiros aqui no blog. Mas este, de Olavo de Carvalho, me fez abrir uma honrosa exceção. Os grifos são meus.

*     *     *

O aborto só é uma questão moral porque ninguém conseguiu jamais provar, com certeza absoluta, que um feto é mera extensão do corpo da mãe ou um ser humano de pleno direito. A existência mesma da discussão interminável mostra que os argumentos de parte a parte soam inconvincentes a quem os ouve, se não também a quem os emite. Existe aí portanto uma dúvida legítima, que nenhuma resposta tem podido aplacar. Transposta ao plano das decisões práticas, essa dúvida transforma-se na escolha entre proibir ou autorizar um ato que tem cinqüenta por cento de chances de ser uma inocente operação cirúrgica como qualquer outra, ou de ser, em vez disso, um homicídio premeditado. Nessas condições, a única opção moralmente justificada é, com toda a evidência, abster-se de praticá-lo.

À luz da razão, nenhum ser humano pode arrogar-se o direito de cometer livremente um ato que ele próprio não sabe dizer, com segurança, se é ou não um homicídio. Mais ainda: entre a prudência que evita correr o risco desse homicídio e a afoiteza que se apressa em cometê-lo em nome de tais ou quais benefícios sociais hipotéticos, o ônus da prova cabe, decerto, aos defensores da segunda alternativa. Jamais tendo havido um abortista capaz de provar com razões cabais a inumanidade dos fetos, seus adversários têm todo o direito, e até o dever indeclinável, de exigir que ele se abstenha de praticar uma ação cuja inocência é matéria de incerteza até para ele próprio.

Se esse argumento é evidente por si mesmo, é também manifesto que a quase totalidade dos abortistas opinantes hoje em dia não logra perceber o seu alcance, pela simples razão de que a opção pelo aborto supõe a incapacidade - ou, em certos casos, a má vontade criminosa - de apreender a noção de "espécie". Espécie é um conjunto de traços comuns, inatos e inseparáveis, cuja presença enquadra um indivíduo, de uma vez para sempre, numa natureza que ele compartilha com outros tantos indivíduos. Pertencem à mesma espécie, eternamente, até mesmo os seus membros ainda não nascidos, inclusive os não gerados, que quando gerados e nascidos vierem a portar os mesmos traços comuns. Não é difícil compreender que os gatos do século XXIII, quando nascerem, serão gatos e não tomates.

A opção pelo abortismo exige, como condição prévia, a incapacidade ou recusa de apreender essa noção. Para o abortista, a condição de "ser humano" não é uma qualidade inata definidora dos membros da espécie, mas uma convenção que os já nascidos podem, a seu talante, aplicar ou deixar de aplicar aos que ainda não nasceram. Quem decide se o feto em gestação pertence ou não à humanidade é um consenso social, não a natureza das coisas.

O grau de confusão mental necessário para acreditar nessa idéia não é pequeno. Tanto que raramente os abortistas alegam de maneira clara e explícita essa premissa fundante dos seus argumentos. Em geral mantêm-na oculta, entre névoas (até para si próprios), porque pressentem que enunciá-la em voz alta seria desmascará-la, no ato, como presunção antropológica sem qualquer fundamento possível e, aliás, de aplicação catastrófica: se a condição de ser humano é uma convenção social, nada impede que uma convenção posterior a revogue, negando a humanidade de retardados mentais, de aleijados, de homossexuais, de negros, de judeus, de ciganos ou de quem quer que, segundo os caprichos do momento, pareça inconveniente.

Com toda a clareza que se poderia exigir, a opção pelo abortismo repousa no apelo irracional à inexistente autoridade de conferir ou negar, a quem bem se entenda, o estatuto de ser humano, de bicho, de coisa ou de pedaço de coisa.

Não espanta que pessoas capazes de tamanho barbarismo mental sejam também imunes a outras imposições da consciência moral comum, como por exemplo o dever que um político tem de prestar contas dos compromissos assumidos por ele ou por seu partido. É com insensibilidade moral verdadeiramente sociopática que o sr. Lula da Silva e sua querida Dona Dilma, após terem subscrito o programa de um partido que ama e venera o aborto ao ponto de expulsar quem se oponha a essa idéia, saem ostentando inocência de qualquer cumplicidade com a proposta abortista.

Seria tolice esperar coerência moral de indivíduos que não respeitam nem mesmo o compromisso de reconhecer que as demais pessoas humanas pertencem à mesma espécie deles por natureza e não por uma generosa - e altamente revogável -- concessão da sua parte.

Também não é de espantar que, na ânsia de impor sua vontade de poder, mintam como demônios. Vejam os números de mulheres supostamente vítimas anuais do aborto ilegal, que eles alegam para enaltecer as virtudes sociais imaginárias do aborto legalizado. Eram milhões, baixaram para milhares, depois viraram algumas centenas. Agora parece que fecharam negócio em 180, quando o próprio SUS já admitiu que não passam de oito ou nove. É claro: se você não apreende ou não respeita nem mesmo a distinção entre espécies, como não seria também indiferente à exatidão das quantidades? Uma deformidade mental traz a outra embutida.

Aristóteles aconselhava evitar o debate com adversários incapazes de reconhecer ou de obedecer as regras elementares da busca da verdade. Se algum abortista desejasse a verdade, teria de reconhecer que é incapaz de provar a inumanidade dos fetos e admitir que, no fundo, eles serem humanos ou não é coisa que não interfere, no mais mínimo que seja, na sua decisão de matá-los. Mas confessar isso seria exibir um crachá de sociopata. E sociopatas, por definição e fatalidade intrínseca, vivem de parecer que não o são.

domingo, 26 de setembro de 2010

UM TEXTO QUE PODERIA SER UMA RESPOSTA DE JOÃO UBALDO AO DELÍRIO TOTALITÁRIO DE VERISSIMO

Na última quinta, Verissimo não se conteve e, por muito pouco, não declarou guerra à imprensa, que sempre o sustentou, como se ela estivesse conspirando contra o Messias do ABC, o Çábio de Garanhuns, o Iluminado da Petralhândia. Hoje, João Ubaldo pergunta que raio de conspiração é essa de que ele ouve falar há mais de 40 anos e nunca o convidaram pra participar. Talvez o Verissimo possa informá-lo…

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ABRE TEU OLHO, FRANKLIN MARTINS: LUIS FERNANDO VERISSIMO TÁ DE OLHO NA TUA VAGA!

Aqui você lê a patética coluna de Luis Fernando Veríssimo que foi publicada hoje no Globo. Tenho a impressão de que se tivesse mais espaço, Verissimo defenderia o fechamento da Globo, da Veja, do Estadão e da Folha numa só tacada.

Verissimo defende a postura golpista do Çábio de Garanhuns de querer ganhar a eleição no grito porque ele é “popular”.

Para este grande “democrata”, Lula está sempre certo. A Velhinha de Taubaté morreu? Sim. E, pelo jeito, reencarnou em Luis Fernando.

PS – Me recuso terminantemente a considerar Verissimo um intelectual. Até porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa: ou se é intelectual ou se é petista.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

O SENADO, QUEM DIRIA, É A ÚLTIMA CIDADELA DA DEMOCRACIA

Trechos da coluna de Merval Pereira em O Globo, 21 de agosto de 2010:

A continuidade dessa política de aparelhamento do Estado é o que está em jogo nestas eleições, e é por isso que o presidente Lula está tão empenhado em vencê-las, e não apenas elegendo sua candidata à Presidência da República. A estratégia de tentar influenciar a eleição do Congresso, sobretudo a do Senado, tem por trás o desejo de abrir caminho para aprovar legislação que aumente o controle do governo sobre o Estado brasileiro e, eventualmente, sobre a sociedade, através da "democracia direta", à base de plebiscitos.

O maior controle Estatal sobre os meios de comunicação de massa, a descriminalização do aborto, e uma política regional de combate ao narcotráfico (para limitar a presença dos EUA na América Latina e no Caribe) foram algumas das propostas aprovadas ontem no XVI Foro de São Paulo. Da reunião, participaram 600 representantes de 54 organizações de esquerda da América Latina e do Caribe, entre elas o PT.  Por iniciativa da Presidente Cristina Kirchner, o Congresso aprovou uma polêmica lei que limita o poder de conglomerados da mídia - como o Clarín. Mas a lei, segundo a oposição, aumenta o controle do Estado sobre a divulgação de informações. A lei prevê que as ONGs terão acesso a um terço do espaço áudio visual, assim como as mídias públicas e privadas. Ao mesmo tempo, impede empresas de ter um canal aberto e um canal a cabo de TV na mesma região.

O centro do poder é o controle do Senado, onde o governo tem encontrado uma barreira a suas iniciativas e onde sofreu a pior derrota, a da extinção da CPMF.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

“A DEMOCRACIA É UM SISTEMA AVESSO À UTOPIA”

Eu sei que se conselho fosse bom, ninguém dava. Mas pro meu filho eu vou chegar e dizer duas coisas:

1) Garoto, se é de graça, não vá.

2) Desconfie de todas as utopias que quiserem te vender. E quando eu digo todas é todas mesmo.

No começo, as utopias te oferecem amanhãs radiantes e iluminados. No meio, apelam para a demagogia e no final, você descobre que é um pesadelo que se torna real, geralmente marcado com cadáveres e sangue.

Demétrio Magnoli mostra aqui a utopia de Samuel Pinheiro Guimarães, o porra-louca que atualmente é titular da Secretaria de Assuntos Estratégicos. É significativo que, em suas diretrizes, não haja uma só linha dedicada à defesa dos direitos humanos.

domingo, 1 de agosto de 2010

O BRASIL TEM RAIVA DE QUEM TENTA ABRIR UMA EMPRESA E TENTA IMPEDIR ISSO A TODO CUSTO!

Eu sempre digo – e repito – que o Brasil será o último país a abolir os carimbos. Recentemente, uma amiga disse que estou sendo injusto: Portugal deverá aboli-los uns 10 anos depois do Patropi. Tendo a concordar.

No Brasil, tudo que envolva a parte burocrática acaba se transformando num labirinto terrível, onde, lá no centro, não encontraremos um minotauro pronto a nos devorar. Não! É muito pior! Teremos um burocrata criando as velhas dificuldades de sempre para tentar nos vender as suas maravilhosas facilidades.

Abrir uma empresa no Brasil é um suplício. Coisa típica de país que vive na era do pré-capitalismo. Não me admiro se daqui há cem anos voltarmos ao escambo – o que parece ser o sonho de Helio Fernandes.

Carlos Alberto Sardenberg narra as desventuras que você precisa passar caso queira fazer uma coisa a qual nós, brasileiros, temos nojinho: empreender.

Terra estranha essa: lugar onde mesmo antes de vender um alfinete, você já está pagando impostos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

AGORA EU ENTENDI POR QUE O VATICANO CONDENOU BOFF AO SILÊNCIO OBSEQUIOSO: ERA PRA VER SE O CARA PARAVA DE FALAR MERDA...

Mas não deu certo: o Noblat deu corda pro realejo.

Vejam a pérola que está no primeiro parágrafo:

Damos por já realizada a demolição crítica do sistema de consumo e de produção capitalista com a cultura materialista que o acompanha. Ou o superamos historicamente ou porá em grande risco a espécie humana.

Bom mesmo é um dos comentários, do leitor Moacir Schmidt, sobre o artigo:

O primeiro parágrafo me fez rir tanto que não tive fôlego para continuar a leitura. (...) Não satisfeitos em inventarem uma batalha esquizofrênica, agora eles também decretaram vitoria! Que patético!

OLAVÃO ARRASADOR!!!

Longe de terem se afastado das atividades criminosas, os políticos de esquerda que hoje brilham no Foro de São Paulo foram da periferia delas para o centro, da base para o topo. Antes de inocentá-los, perguntem: quantos judeus Adolf Hitler matou pessoalmente? Nenhum. Quantas ordens de execução ele assinou com sua própria mão? Nenhuma. Aparentemente, ele não “matou” judeu nenhum. Só criou a política que os matou. Mas é isso, precisamente, o que se chama genocídio. Por definição, ninguém pratica genocídio no varejo, matando pessoalmente um por um. Genocídio é crime de gabinete. Por que então modificar capciosamente a definição de terrorismo, designando com essa palavra somente as ações físicas dos paus-mandados e não o conjunto do plano que as tornou possíveis? Por esse critério, Hitler seria inocente da morte dos judeus, e só cabos e sargentos dos campos de concentração levariam a culpa. Hitler é tão inocente do extermínio dos judeus alemães quanto os líderes do Foro de São Paulo são inocentes dos crimes das Farc.

Aqui.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

GRITOS NO SILÊNCIO CUBANO

MARIANA TIMÓTEO DA COSTA – O GLOBO – 30/06/2010

Voltei recentemente de Cuba com um grupo de amigos, todos jornalistas que vivem em Caracas. Mais do que turismo pelas majestosas Havana e Viñales, no interior, nos interessou conversar com os cubanos, saber como vivem e o que pensam sobre a Revolução. Fomos a casas de famílias, a festas, a bares, restaurantes, levamos uma bola de futebol e jogamos com gente nas ruas. O que pudemos ver foi um povo pobre, mas distanciado da miséria. Grato por não morrer de fome, ter acesso ao serviço público de saúde, por poder estudar e viver num país em que a violência praticamente inexiste nas ruas — graças às rígidas políticas da Revolução, que ameaça com a prisão perpétua quem pratique um crime.

Musicais e sensuais, os cubanos adoram salsa e reggaeton e estão sempre sorrindo, mas, quando confiam nos interlocutores, fazem duras críticas ao modo como vivem. Sonham com liberdade e oportunidades.

Impressiona a quantidade de gente que não faz nada o dia todo. Não há trabalho — ou ele não vale a pena. Nas casas de Havana que antes deveriam ser lindas, mas quase todas hoje em ruínas, as pessoas passam o dia matando o tempo, sentadas nas varandas ou em mesinhas nas calçadas. Pedem tudo: de balas a artigos de higiene pessoal. Dinheiro não, porque pode dar cadeia.

Quando falam sobre sua situação, olham em volta para ver se não estão sendo vigiados por um integrante do Comitê de Defesa da Revolução (CDR) — fiscais que ganhariam, segundo eles, cerca de 1.000 cucs por mês, o equivalente a mais de US$ 1 mil. O salário mensal de quem não é do comitê, quando muito, é em torno de US$ 10.

Os cucs (moeda conversível) recebidos pelos cubanos dos turistas devem ser trocados em centros especializados pelo desvalorizado peso, a única moeda que podem usar. A diferença no tratamento recebido entre cubanos e estrangeiros é visível em sorveterias como a famosa Coppelia. Para os turistas que pagam em cucs, há sete opções de sabores de sorvete e não há filas. Nos locais que pagam em pesos, precisam esperar por até três horas para serem servidos. Para esses, só há dois sabores disponíveis: creme e chocolate.

Uma consequência da falta de empregos — aliada à avidez por moeda conversível — é a prostituição, que parece praticamente legalizada: 60 cucs por noite, na Casa de la Musica, uma das boates mais famosas da capital. De Fidel Castro, e muito menos de Che Guevara, ninguém fala mal: são ícones, incontestáveis. Mas Raúl Castro está sob críticas duras. A sensação é de que o atual líder não cumpriu a abertura prometida, que a repressão aumentou e as oportunidades diminuíram. Além disso, relatam, ele não possui o carisma e nem representa para eles a figura paterna do irmão, Fidel.

Os cubanos também não mostram nenhum afeto especial pelo venezuelano Hugo Chávez, que nos últimos anos vem salvando o regime cubano da bancarrota — fornecendo um fluxo de comércio anual de US$ 7 bilhões com Caracas e o envio diário de quase 100 mil barris de petróleo à ilha. Quase não falam de Chávez, muito menos o elogiam. Mais comum é ouvir que, se não fosse a ajuda dele, talvez a situação na ilha hoje fosse diferente.

Em Viñales, no interior, a exibição da novela “A favorita”, da Rede Globo, e os jogos da Copa do Mundo ganham dedicação completa. Muitos não têm TV em casa e se agrupam em bares e restaurantes para assistir. Com sorte e jeitinhos especiais, há quem consiga acesso a canais mexicanos, graças a parabólicas, e a séries de TV americanas, em DVDs piratas.

O gerente de uma fábrica de puros — os charutos cubanos — se diz sortudo de ter trabalho. Confessa depender das gorjetas que ganha dos turistas para viver melhor, apesar de trabalhar de domingo a domingo, das 6h às 22h: “Tudo pertence ao Estado, que fica com todo o lucro. Sou praticamente um escravo, ganho muito pouco.” Após a visita à fábrica, a noite em Viñales era de festa. Uma das músicas que mais empolgavam era a belíssima “Hasta siempre comandante”, de Carlos Puebla, exaltação oficialista a Che Guevara. Mas, num canto do centro cultural, quando havia menos gente e longe dos fiscais, um grupo de cubanos mostrava, num arquivo MP3 de um celular, o que eles realmente gostam de ouvir: “Contrarrevolucionário”, música do grupo de rap Los Aldeanos, que lembra o brasileiro Racionais MC. A letra diz:

“Sim, viva a Cuba livre.

É hora de falar claro.

Contrarrevolucionário,

o nome que me deram

Por ver, ouvir e pensar E não ficar calado (...)

Dizem que estou equivocado,

Que minha luta é falsa,

Mas o povo me escuta,

Porque digo a verdade (...)

É muito fácil fazer discursos de oito horas,

E culpar o bloqueio.

Nação de erros,

Que não descansam.

Ninguém tem esperança (...)

Condição grave,

Informação em estado crítico,

Os jornais são programas humorísticos.

Roteiros ridículos (...),

Uma mesa-redonda

Que redunda sem sentido.

Povo envolto em dor,

Não há saída (...)

Medo, pressão (...)

A esperança é a emigração (...)

Não sou um problema,

Sou o resultado de um experimento (...),

E segue a perseguição.

Prometem me mandar preso (...)

Seria um ato de traição (...)

Mas mostro a realidade cubana,

Em cada região,

Minha posição é firme,

Que se foda a repressão.
A verdade não é um crime,

Seu perdão não me importa.

Cada canção,

O grito de silêncio de uma nação.

Contrarrevolucionário (...)”

Para muitos cubanos, depois de mais de 50 anos de Revolução, essa música de uma banda semiclandestina parece ter mais a cara de Cuba na sua plena realidade.

domingo, 20 de junho de 2010

UMA BOA PERGUNTA DE GUILHERME FIÚZA

José Roberto Arruda disse que foi vítima de uma armação, mas o testemunho do corruptor que supostamente agia em seu nome foi suficiente para levá-lo à prisão. Que peso será dado, agora, ao testemunho do ex-delegado Onézimo Sousa, que afirma ter sido procurado pela campanha de Dilma para prestar serviços de espionagem contra José Serra – no pacote plus, que inclui a vida pessoal do candidato?

Texto completo aqui.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

JUDEUS SÃO O PROBLEMA

CHARLES KRAUTHAMMER – WASHINTON POST

O mundo está horrorizado com o bloqueio israelense a Gaza. A Turquia denuncia sua ilegalidade, desumanidade, barbaridade etc. Os habituais suspeitos da ONU, o Terceiro Mundo e os europeus, aderem. O governo Obama hesita. Mas, conforme escreveu Leslie Gelb, ex-presidente do Conselho de Relações Exteriores, o bloqueio não só é perfeitamente racional como legal.
Gaza, sob o Hamas, é um inimigo declarado de Israel — declaração apoiada em mais de 4 mil foguetes disparados contra território israelense.

Na Segunda Guerra Mundial, os EUA, com legalidade total, bloquearam Alemanha e Japão. Em 1962, durante a Crise dos Mísseis, em Cuba, os EUA bloquearam a ilha. Navios russos com armamentos que se dirigiam a Cuba deram meia-volta porque os soviéticos sabiam que a Marinha americana ia abordá-los ou afundá-los. Ainda assim, Israel é acusado de crime internacional por fazer o que John Kennedy fez: impor um bloqueio naval para impedir que um Estado hostil obtenha armas letais.

Oh, mas os navios não iam para Gaza em missão humanitária? Não. Se fossem, teriam aceitado a oferta israelense de levar os suprimentos a um porto em Israel, onde seriam inspecionados para verificar a presença ou não de material militar, e depois levados por terra para Gaza — conforme 10 mil toneladas de alimentos, remédios e outros suprimentos humanitários são enviados toda semana por Israel a Gaza. Por que a oferta foi recusada? Porque, como admitiu a organizadora Greta Berlin, o objetivo da flotilha era furar o bloqueio, acabando com o regime israelense de inspeções, o que resultaria no fim das restrições à entrada de navios em Gaza e no armamento ilimitado do Hamas.

Por que Israel foi obrigado a adotar o bloqueio? Porque é o recurso diante do fato de o mundo considerar ilegítima a forma tradicional de o Estado judeu se defender — avançada e ativamente.

(1) Defesa avançada: um pequeno país, densamente povoado e cercado de Estados hostis, adotou a estratégia de fazer guerra em território inimigo (como no Sinai e nas Colinas de Golã), em vez de em seu próprio território.

Onde possível, Israel trocou terras por paz. Mas onde as ofertas foram recusadas, o país reteve o território como uma zona de proteção. Reteve uma pequena faixa no Sul do Líbano para proteger as aldeias ao Norte do Estado judeu. E teve muitas baixas em Gaza para não expor cidades fronteiriças aos ataques terroristas palestinos. Mas, sob forte pressão externa, Israel desistiu. Disseram-lhe que a ocupação era ilegal e estava na raiz das insurgências contra o Estado judeu — então, a retirada, ao remover a causa, traria a paz.

Terras por paz. Na última década, Israel deu terras — evacuou o Sul do Líbano, em 2000, e Gaza, em 2005. O que ganhou em troca? Intensificação da beligerância, pesada militarização do inimigo, sequestros múltiplos, ataques pela fronteira, anos de incessantes bombardeios com foguetes.

(2) Defesa ativa: o país adotou então a defesa ativa — ação militar para dividir, desmantelar e derrotar (para usar as palavras do presidente Obama sobre a campanha americana contra o Talibã e a al-Qaeda) os miniestados terroristas no Sul do Líbano e em Gaza, após a retirada israelense. Resultado? A guerra do Líbano em 2006 e a operação em Gaza em 2008-09. Elas foram recebidas com outra avalanche de críticas e calúnias pela mesma comunidade internacional que exigira a retirada israelense no esquema terras por paz.

(3) Defesa passiva: sobrou a Israel a defesa mais passiva e benigna de todas — bloqueio para evitar o rearmamento do inimigo. Também este recurso está a caminho de ser deslegitimado pela comunidade internacional.

O que resta? Este é o ponto. É o ponto para os simpatizantes do terror e idiotas úteis da flotilha, para a organização turca que a financiou, para o automático coro anti-israelense no Terceiro Mundo e na ONU e para os indiferentes europeus.

O que resta? Nada. O objetivo da incessante campanha internacional é privar Israel de toda forma legítima de defesa.

O mundo está cansado desses judeus problemáticos, 6 milhões — este número de novo — no Mediterrâneo, recusando todo convite ao suicídio nacional.

Eles são implacavelmente demonizados, isolados e coagidos a não se defender, mesmo que antissionistas — iranianos em particular — preparem abertamente uma solução mais final.