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quarta-feira, 13 de novembro de 2013

COMITÊ NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO: EM BREVE, NUM MINISTÉRIO PERTO DE VOCÊ

A notícia:

OS DEZ PIORES ALIMENTOS PARA A SUA SAÚDE

O comentário:

Por Thomas Ferreira Martins, no Facebook:

Aguardem. Em breve, uma nova lei proibirá, restringirá ou sobretaxará esses alimentos. Tudo para o nosso bem, claro. Essa lei provavelmente será requisitada por vocês, com o aval da imprensa e dos meios culturais. Universitários ocuparão os campi reivindicando o "marco regulatório" da alimentação. Vadias marcharão desnudas pelo direito de proibir alimentos opressores. A fábrica da Kibon será invadida pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Gordura (MSG). O imposto do bacon será tratado como solução urgente e inadiável, uma questão de saúde pública. Seus opositores serão xingados de fascistas, reaças e, mui propositadamente, coxinhas. Em suma, toda a "sociedade organizada" (a.k.a. ONGs e grupos lobistas) se levantará contra a "bancada do bacon" e a maléfica indústria do sorvete. Se for a estadunidense imperialista Häagen Dazs então meu amigo, aí a destruição se revelará à altura de nossa pátria livre, progressista e cheia de bondade.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

ATÉ A GUATEMALA DÁ LIÇÃO NO BRASIL!

Sem regulamentações draconianas, sem agência que vira cabide de emprego, competição livre, nada de BNDES. Quer entrar no mercado, entra. Não quer, tem quem queira. Resultado: preço lá embaixo, 18 milhões de linhas telefônicas para um país de 13 milhões de habitantes e o fim daquele mimimi de que o "capitalismo não investe em país pobre".

sábado, 15 de outubro de 2011

THOMAS SOWELL CONTA O QUE TODO MUNDO DEVERIA SABER. SÓ FALTA O CARA DESENHAR…

Se dependêssemos de ativistas, militantes e burocratas ainda estaríamos fazendo fogo roçando uma pedra na outra…

"No começo do séc. XX, apenas 15% das famílias americanas tinham um sanitário com descarga. Nem um quarto tinha água corrente. Apenas 3% tinham eletricidade, e 1% tinha aquecimento central. Apenas uma família americana em mil possuía um automóvel.

Em 1970, a maioria absoluta dessas famílias americanas que viviam na pobreza tinha sanitários com descarga, água corrente e eletricidade. No fim do séc. XX, mais americanos estavam conectados à internet do que estiveram conectados a um cano de água ou esgoto no começo do século.

Mais famílias têm ar-condicionado hoje do que tinham eletricidade antes. Hoje, mais de metade de todas as famílias com rendimentos abaixo da linha de pobreza possuem um carro ou caminhão e têm um microondas.

Isso não sucedeu graças a políticos, burocratas, ativistas ou outros que prestam 'serviços públicos' que você deve admirar. Nenhuma nação palmilhou seu caminho da pobreza à prosperidade através da retórica de burocratas."

Via Flavio Morgen

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O ESTADO É LAICO

… mas isso não significa que religiosos não possam se manifestar, sobretudo num parlamento. A laicidade não significa, muito menos, que se deva calar parte importante da população brasileira. Católicos e evangélicos sem voz? A pretexto de quê? O Estado laico não é ateu. Da mesma forma como pessoas sem religião podem emitir suas opiniões, religiosos podem e devem fazer o mesmo. Ou eu perdi alguma coisa?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

OS DESARMAMENTISTAS ESTÃO ALVORAÇADOS

Hoje, no Estúdio I da Globo News, num “debate” entre pessoas que concordavam entre si, o jornalista Renato Galeno afirmou que está na hora de se refazer o referendo que permitiu a continuação do comércio de armas, realizado em 2004. Os desarmamentistas não se conformam com a surra que tomaram na ocasião: 64% a 36%, que fez com que o senhor Antônio Rangel, do Viva Rio (de onde mais?) batizasse a todos os que votaram “não” de fascistas. Essa gente não descansa enquanto o povo não votar do jeito que eles querem.

O curioso é que Renato Galeno queria que se aproveitasse exatamente o momento atual, de comoção, depois da tragédia de Realengo. Ora, pirocas, não é exatamente o “momento de comoção” que faz com que todos os bonzinhos, maneiros e antenados evitem votar coisas como a redução da maioridade penal? Quer dizer que a emoção só vale pra um caso e não vale pro outro?

Podem desarmar todos os cidadãos que quiserem. Podem restringir as armas. Se um psicopata quiser espalhar pânico, morte, sangue, ele vai espalhar.

Dilma, nossa soberana, afirmou que o tipo de crime praticado no Rio não é “coisa nossa”. Coisa nossa são 50 mil homicídios por ano, como bem lembrou Reinaldo Azevedo. É claro que nossa Suprema Cospe-Grosso queria dar uma estocada nos Estados Unidos, um país onde civis podem comprar armas à vontade e onde a taxa de homicídios é de 6 por 100 mil habitantes.

A propósito: já se perguntaram por que as chacinas como as de Realengo só são praticadas dos EUA em escolas e universidades? Tenho uma resposta: é porque são os únicos lugares onde você não pode portar armas. Vê se o maluco vai querer matar gente em supermercado? Claro que não! É maluco, mas não é doido: antes de dar o primeiro tiro era bem capaz do futuro assassino levar um teco no quengo porque qualquer um ali pode estar armado.

Não existem armas em excesso no Brasil. Pelo menos não nas mãos das pessoas de bem. Existem armas demais nas mãos de bandidos. Se eles toparem entregar as deles numa boa, sem grilos, na paz, vamos avançar a ponto de um Estatuto do Desarmamento ser desnecessário. Caso contrário, uma banana!

Não uso armas. Não sei usar sequer estilingue, mas esse papinho de desarmamento é chororô dos perdedores de 2004.

terça-feira, 5 de abril de 2011

NO BRASIL, QUEREM FAZER INCLUSÃO SOCIAL NA MARRA

Vírus da intolerância ameaça IBC e Ines

Editorial do jornal O Globo em 5/4/2011

Semana passada, a comunidade de deficientes auditivos e visuais atendidos pelo Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) e pelo Instituto Benjamin Constant (IBC) foi surpreendida pelo anúncio, emitido de Brasília, de que, até o fim do ano, seriam fechadas as escolas de ensino básico para crianças e jovens, que funcionam nas duas instituições. O MEC parte do princípio de que alunos com necessidades especiais devem ser matriculados na rede convencional como forma de "inclusão social".

Para o MEC, manter tais escolas seria segregacionismo. Como é hábito em episódios como este, em que a uma decisão emanada da cúpula do poder no Planalto seguem-se reações da sociedade, o Ministério da Educação apressou-se a afirmar que não há qualquer ação prevista para as duas instituições. Pode ser. Mas o extenso histórico de medidas com o viés do politicamente correto, em obediência à linha ideológica de áreas do PT e adotadas desde o primeiro governo Lula, recomenda prudência e boa dose de ceticismo em relação ao desmentido.

Afinal, não é a primeira vez que o governo federal tenta empurrar goela abaixo da sociedade uma pílula supostamente progressista, que, na realidade, é um composto no qual mal se disfarça o DNA do autoritarismo e da intolerância. Trata-se da mesma matriz que moldou, por exemplo, a política de cotas raciais nas universidades - um arrazoado que, em nome do combate ao racismo e da "defesa de minorias", contrabandeia para a legislação do país uma experiência que, à parte o fato de ter sido inspirada em contexto cultural distinto da realidade brasileira, tem sido contestada, inclusive pela via judicial, em seu próprio país de origem, os Estados Unidos. Não é outra também a origem dos movimentos - que ganharam força ainda no primeiro governo Lula - cujo receituário para o tratamento de pacientes com doenças mentais prescrevia o fechamento de manicômios. Tendo por princípio o ideário da "inclusão", essas ações levaram à redução dos leitos psiquiátricos em todo o país, algo em torno de 80% entre 1989 e 2007, sem que o tratamento ambulatorial desse conta da demanda. Uma pesquisa de 2008 mostrava que em 146 municípios 30% dos doentes não haviam conseguido atendimento. Junte-se a isso um agravante: somente quem tem um parente com distúrbios cujo acompanhamento exige internação sabe o que significa manter em casa um doente nessas condições. O vírus da intolerância teve também seu lado risível no carnaval deste ano no Rio, com militantes defendendo a censura a um bloco que ousara citar em seu enredo Monteiro Lobato, por sinal outra vítima da sanha persecutória das baterias politicamente corretas. No recente caso do IBC e do Ines, embora seja louvável buscar a inclusão de alunos com necessidades especiais, o MEC ameaça cassar às famílias o direito de escolher qual o tipo de educação a ser dada aos filhos. E, não menos importante, não leva em consideração um dado inescapável: como acreditar que a rede convencional de ensino está capacitada a atender tais estudantes, se a crônica da Educação no país está recheada de exemplos dos quais salta a evidência de que a quase totalidade das escolas está despreparada até mesmo para os desafios do ensino convencional?

O politicamente correto se expressa na falácia da inclusão social

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A LIBERDADE LEVANDO FUMO

Eu não fumo. Quando eu era solteiro, só eu em casa não fumava. Claro que na adolescência experimentei um cigarro ou outro. Via alguns colegas pitando seu fuminho e resolvi dar umas tragadas também. Não demorou muito tempo para eu perceber que achava aquilo muito ruim. Vi que não tinha o menor sentido ficar fazendo fumaça. E não gosto que fumem perto de mim.

Dito isto, quero dizer que, mesmo não sendo fumante, não vejo com bons olhos o cerco típico de estados policiais a quem gosta de fumar. A última notícia sobre o assunto me diz que o conselho da cidade de Nova York, com apoio do prefeito e canal de TV Bloomberg, proibiu tragadinhas até no Central Park, um lugar aberto, com espaço pra cacete, em Times Square e… nas praias. Caso o criminoso resolva dar suas baforadas fora de casa, pagará 50 dólares de multa. Vendo como é implacável a Gestapo antitabagista – a propósito, Hitler não fumava –, fico imaginando se os próximos passos serão a obrigatoriedade de se mostrar uma certidão de não-fumante para arrumar emprego ou uma estrelinha bordada na camisa para segregar a galera da fumacinha, fazendo com que vivam em guetos sem o menor direito a nada até resolverem limpar seus pulmões.

O tiro de misericórdia será a instalação de sirenes nas residências, que automaticamente começarão a emitir sonoros esporros caso o “bandido” resolva exonerar seu intestino no banheiro e insistir em acender um cigarro para distrair. Daí, aparece a Polícia Antitabagista e encarcera o cidadão. Quer dizer, cidadão, não, que cidadão não fuma: encarcera o pária, o vagabundo.

Naturalmente, essas restrições se voltam aos perigosos usuários de tabaco. Não se tem notícias do que se pretende fazer com os consumidores de maconha...

É claro que essas leis restritivas não vão parar por aí. Elas serão aumentadas. Não vai demorar para termos a Polícia Vegetariana, que vai segregar todos os frequentadores de churrascaria; a Polícia Antiobesidade, que vai encarcerar gordinhos que se recusam a fazer regimes e controlar suas taxas de colesterol; a Polícia Religiosa, que prenderá qualquer um que fizer um pelo-sinal diante de uma igreja católica e por aí vai.

Mundo chato o desses idealistas…

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

ESTATAL, ONDE PETISTA GOSTA DE FICAR!

As estatais são ninhos tranquilos pros petistas: se der uma merda, a culpa nunca é deles, é do Fernando Henrique – vai ser assim, mesmo em 2256. Se der outra merda, eles dizem que vão criar uma comissão pra resolver a quizila. Se continuar a lambança, a comissão nomeará uma subcomissão que fará outras cagadas, até que eles, enfim, surgem com a ideia mágica: criar outra estatal para produzir mais merdas e mais empregos pros petistas.

É exatamente disso que o fantástico Coturno Noturno está falando.

Eu, do meu lado, só me limito a dizer uma coisa: NÃO DÁ IDEIA, CORONEL! NÃO DÁ IDEIA!

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

ANATEL QUER SABER O QUE ANDA NA CABEÇA E NAS BOCAS DOS BRASILEIROS. NEM QUE PARA ISSO ATROPELE A CONSTITUIÇÃO

Claro, claro, a Anatel quer monitorar as ligações telefônicas para "modernizar" a fiscalização para exigir das teles o cumprimento das metas de qualidade.

Claro, claro. A Anatel pensa que somos idiotas e que não sabemos que isso é completamente inconstitucional. Mas pra este governo que vive quebrando sigilo de todo mundo, mais um, menos um, não deve fazer diferença.

É a Stasi petista em ação, como bem lembra Aluizio Amorim. Todas as nossas conversas estarão lá, dando bobeira pra petistas com boas intenções.

A partir de agora, em todas as ligações que eu fizer ou receber, deixarei uma mensagem carinhosa para os arapongas oficiais do Partido do Trambique, desde que, claro, este crime contra a Carta siga em frente.

Numa hora dessas é bom perguntar:

CADÊ A PORRA DA OPOSIÇÃO?

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

A QUE PONTO SE PODE CHEGAR…

Conheço um casal que passou por uma situação singular no último fim de semana. A filha caçula, de uns três anos, machucou-se e ficou com a testa e parte de um dos olhos roxos. A mãe, desesperada, queria levar a menina pro pronto-socorro, no que o marido disse:

- Não precisa. Além do mais, vão pensar que a gente agrediu a garota.

Agora é assim: qualquer acidente pode ser tomado como um violência doméstica. Qualquer pessoa é refém desse politicamente-corretismo que vê o bandido como mocinho e o mocinho como bandido. É lógico que qualquer amigo deles poderia testemunhar a favor do casal. Eu inclusive. Mas vejam só a que ponto chegamos: levantar testemunhas para o caso de desconfiarem de um acidente doméstico corriqueiro, que acontece no mundo inteiro o tempo todo. Nem levar as crianças a um pronto-socorro livremente podemos mais: antes, precisamos saber o que pensam de nós.

Parabéns a todos os envolvidos.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O RETORNO DA CADEIRINHA DE BEBÊ: GOVERNO ADIA INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO

Isso é que dá ser burocrata: marcar a data do início da fiscalização do uso da cadeirinha SÓ PARA CARROS PARTICULARES sem saber se o mercado atenderia à demanda. Como o mercado não se move pela lógica da burocracia, faltou cadeirinha. E o governo, com cara de tacho, teve que adiar a fiscalização. Pena que os camaradas não determinaram também a cor da cadeirinha. Seria uma chance de não encontrar esse trambolho e do governo esquecer essa palhaçada.

sábado, 5 de junho de 2010

OS IMPOSTOS, O ESTADO, UMA JOVEM DIARISTA E O ARTIGO DE SARDENBERG

Lula elogiou a carga tributária de quase 40% do PIB dizendo que sem ela, não há Estado. Bom, com este índice também não temos. Então, como ficamos.

Conheço uma jovem diarista que está grávida e por um motivo desconhecido, está sangrando. Ela foi para o Hospital Getúlio Vargas (Estadual) na Penha. Mandaram-no para a maternidade Herculano Pinheiro (Prefeitura). Acabaram por encaminhá-la ao Hospital de Bonsucessp (Federal). Lá, disseram que não poderiam fazer a ultrassonografia porque… Bem, porque era feriado e ninguém é de ferro, certo? Isso tudo num país onde segundo Lula, a Saúde está à beira da perfeição.

Se acontecer o pior ao bebê da jovem diarista perder o bebê, de que adiantou o Estado? Para fazê-la perder a criança?

Defendo um Estado enxuto, mais eficiente. Sempre disse que pagamos impostos noruegueses, mas recebemos serviços do Sudão.

Por tudo isso, vale a pena ler este artigo de Sardenberg que fala do tamanho do nosso Estado: caro, ineficiente e que te obriga a pagar duas vezes pelos serviços que ele não consegue, nem de longe, te oferecer. E ainda põe em risco a vida de bebês, a quem ele jura defender obrigando as pessoas a colocar cadeirinhas em carros particulares.

PS – A jovem perdeu o bebê.

*     *     *

PAGAMOS IMPOSTOS EUROPEUS, RECEBEMOS COMO…

Carlos Alberto Sardenberg – O Globo, 3 de junho de 2010.

Milhões de trabalhadores brasileiros, com carteira assinada, pagam duas vezes pela assistência médica. Pagam impostos, com o que financiam o sistema público (SUS), e depois compram planos de saúde privados. São mais de 35 milhões de brasileiros pagando aqueles planos, o que é um bom indicador do grau de confiança (ou de desconfiança) no SUS.

Vale também para escolas. O trabalhador recolhe impostos para financiar a educação pública e acaba colocando seus filhos em escolas particulares.

Como os impostos são obrigatórios, as famílias, com frequência, buscam os serviços públicos apenas porque não lhes sobra dinheiro para comprar os serviços privados.

Assim, que tal oferecer a opção?

Se a pessoa aplica 200 reais ao mês em um plano de saúde, tem um desconto desses mesmos 200 nos impostos que paga, então perdendo o direito ao atendimento público. Idem para escolas.

Ou para aposentadorias? Do mesmo modo, a pessoa seria dispensada do pagamento do INSS se aplicasse o dinheiro em planos de aposentadoria privados.

Todos poderiam escolher, e até se estabeleceria uma competição. Os governantes teriam de se esforçar para oferecer serviço público de qualidade, pois isso levaria as pessoas a pagar mais impostos. E as companhias privadas teriam de provar que são capazes de oferecer coisa melhor pelo mesmo preço. (Naturalmente, o Estado teria de exercer o papel de regulador desses mercados privados.) Não seria este um bom tema para a campanha eleitoral?

Mas dificilmente aparecerá. As lideranças políticas, da esquerda à direita, no fundo acham que o brasileiro não sabe tomar conta de si mesmo. Acham, por exemplo, que, não havendo a aposentadoria pública e obrigatória, o cidadão acabaria se esquecendo de fazer sua poupança e daria problemas ao governo na velhice. (Mas, na China, por exemplo, a poupança das famílias é extremamente elevada porque não há aposentadoria pública - e o comunismo é lá, não é mesmo?)

No geral, as lideranças brasileiras discutem sobre como gastar o dinheiro dos impostos, não sobre como reduzi-los. Na última terça-feira, por exemplo, o presidente Lula fez uma defesa enfática da elevada carga tributária brasileira, pois, em sua opinião, Estado que arrecada pouco não faz nada.

Reparem: o dinheiro que vai para o governo sai do bolso das pessoas e do caixa das empresas. Se parte disso não fosse para o governo, pois algum Estado sempre será inevitável, o que as pessoas e empresas fariam com esses recursos? Consumiriam, investiriam, fariam poupança, cuidariam de sua vida e de seus negócios, gerariam mercado e empregos.

Para Lula, porém, só o Estado é capaz de cuidar disso e só há bons serviços sociais onde a carga tributária é elevada. Deveria estar pensando nos países europeus ricos e velhos, que de fato pagam impostos pesados.

Mas são países que já enriqueceram, por isso podem pagar mais, e, mais importante, oferecem serviços de elevada qualidade.

O Brasil, país jovem e de renda média, não pode pagar imposto de rico e velho. Ou seja, a carga tributária brasileira, comparada à dos países emergentes parecidos, é absurdamente elevada.

Considerem, por exemplo, a carga sobre um salário de R$ 2 mil mensais, para um trabalhador solteiro, com carteira assinada. Levando em conta apenas os impostos de renda e seguridade social, a empresa recolhe 20% de INSS e mais 7,8%, assim divididos: 2,5% por conta do Sistema S (Senai, Sesc, etc.); 2,5% para o salário-educação; 2% de contribuição para acidentes e doenças do trabalho (RAT); 0,6% para o Sebrae; e 0,2% para o Incra (sim, é isso mesmo que o senhor e a senhora estão pensando, a folha de salários financia a reforma agrária). Portanto, a empresa paga R$ 2 mil, mais R$ 440 para o INSS e mais R$ 156 para o Sistema S, no total de R$ 2.596.

Já o trabalhador desconta direto no contracheque mais 11% para o INSS, e o Imposto de Renda, conforme a tabela progressiva. No caso, R$ 2 mil menos R$ 21 de IR e R$ 220 de INSS, ficando com R$ 1.759.

Tudo somado e subtraído, o governo leva nada menos que R$ 837 em cima de um salário de R$ 2 mil. Ou, quase 33% do total pago pela empresa.

Na Alemanha e na França, a carga chega a 50%. Mas na Coreia do Sul, que ficou rica nas últimas décadas, não passa de 20%. Na Austrália, no Japão e nos EUA, é menos de 30%. E não consta que os serviços públicos lá sejam piores que os nossos.

Pagamos impostos como europeus ricos e temos serviços como... escolham a comparação.

É o resultado do sistema que não deixa as pessoas escolherem.

Não seria este um bom tema para a campanha eleitoral?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

O PLANTÃO DO INSPETOR BRASÍLIO, POR JOÃO UBALDO RIBEIRO (O Globo, 30 de maio de 2010)

Começo de noite quieto, no Comando Especial de Proteção ao Cidadão. Talvez quieto demais, pensou o Inspetor-Chefe Brasílio, olhando o relógio. Já passava das nove, nenhuma ocorrência marcara o plantão até então modorrento e Brasílio, com um bocejo, se preparava para tomar um cafezinho, quando o telefone tocou e, por alguma razão, ele soube imediatamente que seria uma daquelas noites.

O telefonema era lacônico. Alguém falava rapidamente, ansioso por desligar, voz tensa, fôlego curto. Tabagista em ação na Vila Madalena. Dois tabagistas, aliás, ambos fumando um cigarro atrás do outro e desafiando as famílias presentes, num pequeno restaurante frequentado por boêmios e artistas.

Brasílio suspirou, fez um aceno para seu auxiliar. Sabia o que ia encontrar, delinquentes calejados e cínicos, capazes dos truques mais sórdidos para conseguir dar vazão a seus baixos instintos. Rumou para a porta apressadamente, sem nem parar enquanto pegava o paletó. Mas, já chegando à viatura, voltou. Esquecera o fio de prumo e foi com alívio que o enfiou no bolso, apalpando depois o volume com um tapinha.

Lá chegando, estacionou a viatura rente à calçada onde estavam os dois meliantes, a freada brusca fazendo os pneus cantar. Alguém os havia avisado da chegada do Comando e eles, cinicamente, saíram para a calçada para escapar ao flagrante, mas não contavam com a experiência de Brasílio. Não era, por assim dizer, seu primeiro tabagista.

— Freeze! — gritou Brasílio, apontando a arma e fazendo sinal para que Dedurão, seu auxiliar, segurasse imediatamente os malfeitores. — Quer dizer, não se mexam! Reconheceu num dos dois fumantes o rosto pervertido de Joel Pitadinha, reincidente em praticamente todos os bares e restaurantes da Vila. O canalha sorriu insolentemente, à aproximação dos policiais e não esperou que lhe falassem.

— Eu estou na calçada — disse ele, cuspindo de lado.

— Ah-ha! — retrucou Brasílio. — Mas debaixo da marquise!

Confusão, quase tumulto. Depois de algum esforço e com o bandido imobilizado exatamente no mesmo local onde se encontrava à chegada da viatura, o fio de prumo, pendurado na marquise acima da cabeça do infrator, deu seu veredicto implacável: tanto a brasa do cigarro quanto a boca e o nariz de Joel Pitadinha estavam claramente a 14 milímetros para debaixo da marquise. Quanto ao outro capturado, uns escandalosos 11 centímetros.

Enquanto os algemava, Brasílio pensou com certa melancolia em como logo Pitadinha estaria solto, para de novo tabaquear acintosamente, São Paulo afora. Um irrecuperável — e Brasílio se perguntou mais uma vez se a prisão perpétua ou a pena de morte, em certos casos, não seriam indicadas, num triste, porém verdadeiro, reconhecimento da torpeza a que muitas vezes desce o ser humano. Mas não pôde continuar a pensar, porque, assim que os tabagistas foram enfiados no camburão que convocara, o rádio da viatura emitiu seu chamado metálico.

Palmadista no Morumbi! Aparentemente fora de si, depois que seu filho de sete anos tocou fogo na caixinha onde guardara seus adaptadores de tomada raríssimos e irrecuperáveis e valendo uma fortuna no mercado negro de tomadas, um homem transtornado dera duas palmadas na criança, na presença de uma vizinha com quem brigara antes e que o denunciou. Brasílio se enfiou na viatura e pegou imediatamente o rádio. Precisava de reforços e foi com alívio que soube que Rocha Pirado, o psicólogo do Comando, estava a caminho.

Ao chegarem, o palmadista ainda se encontrava muito nervoso, segurando o filho pelo braço e ameaçando torcer-lhe a orelha, se os agentes do Comando se aproximassem. Sim, tudo indicava que ele seria capaz desse ato extremo, do qual o menino podia jamais vir a recuperar-se, não convinha facilitar.

Mais um trabalho para Rocha Pirado, que, depois de uma série de manobras delicadas, conseguiu chegar perto do desesperado o suficiente para começar a lhe fazer uma série de perguntas. Depois de cerca de meia hora de trabalho, o homem cedeu. Se Pirado prometesse calar a boca, ele se entregaria, o que de fato aconteceu. Cabisbaixo, cobrindo o rosto com um casaco para evitar ser reconhecido, o palmadista foi recolhido, na companhia de sua esposa e cúmplice.

Brasílio olhou para o rostinho do menino socorrido. Agora ele ia ficar livre de torturas, sob os cuidados zelosos de uma instituição pública para menores, enquanto seus desorientados pais passariam uma temporada num manicômio judiciário, para exames e tratamento das perversões já diagnosticadas por Rocha Pirado. Só momentos como esse faziam valer a pena o sacrifício de ser um atribulado agente da lei.

Mas a vida não para, o crime não descansa e eis que o rádio chama novamente. Do outro lado, o detetive Nuguete, com um recado macabro. Restos de um hambúrguer meio mordido haviam sido achados numa escola em Perdizes. "Prepare-se", disse Nuguete. "Não é uma visão bonita." Brasílio suspirou outra vez. Já ouvira falar que os alunos daquela escola consumiam secretamente comidas proibidas e havia homens seus seguindo os passos da quadrilha traficante de jujubas que lá estava agindo. Entrou na viatura, ligou a sirene. No rádio, notícias sobre três assaltos com quatro mortos, dois atropelamentos por motoristas bêbados com seis mortos cada e um sequestro relâmpago com um morto só.

Brasílio lembrou com orgulho que nada daquilo era de sua alçada.
"Comigo, tudo bem", pensou. "Comigo, o cidadão está protegido."

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A CADEIRINHA DO BEBÊ

E segue o Estado em seu comovedor esforço de criminalizar toda a população. Sim, porque é tanta regrinha, tanta coisinha pra lembrar que será impossível num dia que um sujeito se lembre de todas as suas obrigações. Resultado: levará uma multa nos cornos pra deixar de ser babaca. Além de ser visto pelas otoridades como um pária, um elemento perigoso para a sociedade.

Agora é a vez da cadeirinha de bebê nos bancos traseiros dos carros. Lógico que me fiz algumas perguntas:

1 – Taxistas serão obrigados a ter a cadeirinha? Ou os casais que não têm carro serão obrigados a comprá-la?

2 – Se um bebê quiser mamar no automóvel – e isso acontece direto – e a mamãe tirá-lo da cadeirinha, o papai corre o risco de ser multado?

Bom, um sujeito daqueles gente boa não poderá levar o filho da vizinha do hospital em caso de emergência se não tiver a cadeirinha. Neste caso, o Estado se responsabiliza por quem?

Ah, são regras de segurança adotadas no mundo inteiro? Caguei. São estúpidas. No mundo inteiro.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O PT TINHA QUE ENCARAR UM PARTIDO DE MACHO

O PT não quer o comunismo, aquele de raiz, não. Mas quer a hegemonia. Quer ser a última palavra em tudo. Praticamente um novo despotismo esclarecido. Só isso explica alguns itens do programa do partido, que você vê na imagem abaixo, retirada do jornal O Globo:

prog_pt

Abaixo, segue a análise deste recorte do jornal. E o que deveria fazer um partido de macho para acabar fazer com que o PT sossegue o facho.

Fim da criminalização dos movimentos sociais: é o PT querendo transformar os movimentos sociais em suas tropas de assalto, papel que o MST já realiza muito bem. É uma tentativa de flexibilizar a propriedade privada: afinal, podemos dizer que os sem-terra poderiam invadir terras, destruir laboratórios de pesquisa, enfim, fazer tudo o que eles já fazem mas sem temer a Justiça.

O que faria um partido de macho: CADEIA NESSA PUTADA. JÁ!

Atualização dos índices de produtividade  das propriedades para fins de reforma agrária: Instrumento de chantagem pura e simples contra o agronegócio, que carrega o país nas costas. Mais uma tentativa de relativizar a propriedade privada. Quem analisaria esses índices? O MST? Este seria o primeiro passo para Stédile realizar seu grande sonho: provocar uma grande escassez de alimentos no Brasil, porque esse negócio de comer sem enfrentar fila, sem ter caderneta para anotar sua ração semanal de frango, esse papo de supermercado de prateleira cheia é coisa de burguês. Isso tem que acabar!

O que faria um partido de macho: Mandaria o PT plantar batatas, isso no caso dos membros do partido conseguirem distinguir uma batata de uma centopeia. É coisa pra arquivar e mandar pra Sibéria do esquecimento.

Mudança na legislação para concessão e combate ao monopólio nos meios de comunicação: Coisa de pateta. Em primeiro lugar, cabe perguntar: que raio de monopólio é esse? Existem vários canais abertos de TV no país, várias emissoras de rádio, provedores de acesso à internet, jornais se engalfinhando para atrair público. Os petistas primeiro precisam pegar um dicionário e, finalmente, descobrir o que significa a palavra “monopólio”. Até hoje me pergunto por que o Estado é que tem que dar concessão para um sujeito abrir uma TV.  O PT e a esquerda sonham com a democratização dos meios de comunicação e isso significa fechar a Globo e a Editora Abril. Pronto! E sonham, claro, com cotas para programas nacionais, de preferência com viés ideológico. Esse pessoal não consegue viver sem patrulhar, sem controlar, sem doutrinar as pessoas. Ah, gostam de filmes chatos também. Vivem cobrando qualidade na programação como se fôssemos 200 milhões de Schopenhauers. É mole?

O que faria um partido de macho: Acabava com esse papo do Estado de dar concessões de rádio e TV. Tem grana, abre uma TV. Tem grana, funda uma rádio.

Maior taxação de grandes fortunas: Pergunto se os detentores de grandes fortunas já não pagam, por exemplo, imposto de renda. Acho que é falta do que fazer. Imagino uma reunião ministerial: “O que é que a gente fez hoje?” “Nada ainda, presidente.” “Ah, então manda um projeto pra criar um imposto aí… Só pra sacudir o marasmo.”

O que faria um partido de macho: Reforma tributária, atualizar a tabela de imposto de renda. Tem é que diminuir os impostos, porra!

Fortalecimento dos bancos públicos: É disso que petista gosta! Banco público. Principalmente seus fundos de pensão, que controlam muito bem, os mensaleiros que o digam… Esses bancos são fundamentais para caixas 2, 3, 4 e por aí vai. Segundo a esquerda, essas entidades são patrimônio público, construídos com o suor do povo brasileiro. Balela! Servem só pra lotear, aparelhar, dividir a farinha entre os felizardos que comandam as máquinas da base aliada. Vende tudo! Esse pessoal até hoje não se conformou com o fim das bocadas na Vale.

O que faria um partido de macho: Privatizaria tudo. Acabaria com essa farra. Vão fazer o quê? Me chamar de entreguista? Caguei!!! De reaça? Foda-se! De direitoba? À merda com essa cambada!

Fortalecimento do Estado como indutor da economia: Isso já foi tentado algumas vezes. Um sujeito de bigodinho na Alemanha até que conseguiu algum sucesso, mas depois levou o mundo a uma guerra. O Estado só deve ir até onde a iniciativa privada não consegue, o que não deixa muito espaço para este elefante endeusado pela esquerda. Fortalecimento do estado quer dizer mais sinecuras, mais dindim para apadrinhados em cargos que não possuem a mínima importância e ainda aumentam gastos públicos que acaba induzindo… a estagnação da economia. Esse pessoal não lê nada, não?

O que um partido de macho faria: Acabar com essa conversinha de Estado forte. O que tem que ser forte são as instituições. Saúde, educação e segurança pública. E olhe lá.

Defesa da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais: E sem diminuição do salário, o que é uma piada! Isso é coisa de quem nunca geriu uma empresa, de quem nunca botou a mão na massa pra valer e viveu a maioria do tempo entre assembleias de grevistas e reuniões de sindicatos. Demagogia barata às custas dos investimentos de terceiros. Assim é fácil.

O que faria um partido de macho: Bolaria um projeto de lei que colocasse petistas para gerirem uma empresa privada por um mês. Acho que seria tempo suficiente para o partido defender até a flexibilização da CLT…

Como já disse Abel Braga, na véspera do jogo que daria o título mundial ao Internacional de Porto Alegre, time que treinava, em relação ao Barcelona, seu adversário: “Tem que fazer esses caras sentirem o ferro!” O PT é assim: só vai sossegar quando “sentir o ferro”. Quando tiver um partido que grite mais alto que ele.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

EU QUERO QUE OS ENGENHEIROS SOCIAIS VÃO À MERDA!

… e o João Ubaldo também, só que ele é mais elegante:

Todo dia algum brioso engenheiro social inventa regras para a nossa conduta, muitas delas com a finalidade de nos proteger de coisas contra as quais não queremos ser protegidos.

É gente querendo meter a mão na nossa dieta; é gente querendo dizer como devemos criar nossos filhos; é gente patrulhando nossas palavras… Porra, que saco! Vão se roçar nas ostras!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

COISAS SIMPLES

Carlos Alberto Sardenberg - O Globo - 29/04/2010

Basta fazer umas poucas contas para se verificar que o governo da Grécia não tem dinheiro para pagar juros e prestações da dívida que vencem neste ano (cerca de US$ 60 bilhões) e que terá de fazer um duríssimo programa de aumento de impostos e corte de gastos (e, pois, de salários e aposentadorias) para sanear suas finanças.

Fica evidente que, mesmo conseguindo um financiamento especial da União Europeia e do FMI, o governo grego precisará negociar com os credores, para solicitar descontos, prazos mais longos etc. Você toparia emprestar dinheiro novo para esse devedor? E se topasse, pediria juros maiores ou menores? É simples, não é? E outra: o governo grego não caiu nesse buraco assim distraidamente, mas mergulhou nele com vontade, gastando mais do arrecadava, tomando empréstimos para financiar os tombos e escondendo o valor exato de suas contas.

Nada disso, denunciam os governantes: a Grécia é vítima de um ataque especulativo da banca internacional. Mesma coisa que se diz em Portugal, na Espanha, na Itália e em tantos outros países que enfrentam dificuldades para rolar suas dívidas no mercado internacional.

Há vantagens nessas teses. Primeiro, tira a responsabilidade maior dos governantes ("fizemos a coisa certa, mas somos vítimas da especulação") e, segundo, empurra a busca de solução para os outros, no caso, a União Europeia e o FMI. Como dizem os governantes gregos: ou nos dão o dinheiro ou será o caos na Europa; não podemos fazer nada.

Na verdade, podem, mas não querem pagar o preço político de ajustar as contas. Ou seja, depois de terem distribuído bondades com o dinheiro alheio, querem mais dinheiro alheio para continuar vivendo à grande.

Essa é a história simples, o resto é embromação.

Incompetência

Outra história: o presidente Lula encontra sempre outros culpados para o atraso dos investimentos públicos, como o Tribunal de Contas da União, os órgãos de licenciamento ambiental e a oposição, que bloqueia projetos no Congresso. Mas considerem estes dados levantados pela repórter Samantha Maia, do jornal "Valor Econômico", edição de ontem: há nada menos que R$ 7,6 bilhões sobrando nos cofres da Caixa Econômica Federal porque não se consegue colocar de pé um programa de investimentos em saneamento, lançado pelo governo federal em novembro de 2008.

Logo que assumiu seu primeiro governo, o presidente Lula denunciou com estardalhaço que sua administração havia encontrado dinheiro sobrando na Caixa e programas de saneamento sem recursos. Culpou o neoliberalismo, coisa dessa gente que não gosta de gasto público.

Pois o dinheiro continua sobrando, mesmo com gente que adora aumentar o gasto público. É simples: incompetência, incapacidade administrativa de bolar os programas e colocá-los em funcionamento.

Já anunciar, com palanque e tudo, é mais fácil. Depois, quando a coisa não anda, encontram-se alguns culpados e algumas conspirações, exatamente fazem os governantes gregos, portugueses e espanhóis.

A coca imperialista

Quando assumiu o governo da Bolívia, o presidente Evo Morales denunciou o método americano (imperialista) de combate às drogas, suspendeu a colaboração com a polícia especializada dos EUA (DEA) e anunciou que trataria do assunto de uma forma progressista. Consistia no seguinte: toda liberdade à plantação de coca para os legítimos cocaleros, aqueles que produzem para o consumo local de chás e folhas de mascar, e rigorosa vigilância sobre os ilegais, que vendem para o tráfico.

Consequência: aumentou fortemente a produção para o tráfico e a exportação da pasta de coca para o Brasil.

Óbvio, não era? Se não há um controle rigoroso de toda a produção e distribuição, se não há uma polícia internacional vigiando, é claro que os cocaleros vão vender sua colheita para os traficantes, pela simples e boa razão de que eles compram mais volume e pagam mais.

Ou seja, não há cocaína bolivariana e cocaína imperialista. Dá o mesmo barato, o mesmo dinheiro, a mesma corrupção. Se com uma polícia competente como a DEA americana já é difícil controlar, imaginem sem.

Isso é coisa simples, que só a ideologia equivocada pode transformar num caso político, com imensos prejuízos para todos, exceto os plantadores.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

PAPAI ESTADO SABE O QUE É BOM PRA VOCÊ

Primeiro foi o doce. Esse papo de muito açúcar não pode mais. Agora é o sal. A FDA quer fazer com que americanos comam menos sal, se metendo descaradamente na alimentação dos indivíduos e na forma como as empresas preparam o seu produto. Já estou até com medo pra saber o que vem depois… Obrigar todo mundo a ser vegetariano, que, a propósito, era o sonho de Hitler?

Lembrem-se que o Estado é o que sabe o que é bom pra você. Mesmo que você não tenha perguntado.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A BATALHA PELA ESPANHA, de Antony Beevor – Parte 1

image Imagine que você é um espanhol comum, sem grandes paixões políticas e ideológicas e que tenta levar sua vida de uma maneira normal, frequentando os amigos, levando os filhos no colégio, bebericando de vez em quando, ganhando honestamente o seu dinheiro. De repente, a esquerda vence as eleições – ela, que já tinha tentado dar um golpe de estado anos antes – e a direita, revoltada, resolve promover um levante para derrubar o governo eleito legalmente. Para onde correr? Da noite para o dia, você terá que escolher entre os Brancos, os nacionalistas de Franco e os comunistas da Frente Popular. É algo assim como escolher entre o câncer e a aids.

Retomando as “séries históricas” do LEITE DE PATO, no esquema de perguntas e respostas baseadas no livro “A batalha pela Espanha”, de Antony Beevor, este blog tentará mostrar o que foi a Guerra Civil Espanhola. Claro que tudo isto é um pequeno pedaço do livro altamente detalhista de Beevor, mas já dá pra se ter uma noção do que foi o conflito que antecedeu a Segunda Guerra Mundial.

Esta série será dividida em quatro partes.

*     *     *

É correto afirmar que a Guerra Civil Espanhola foi um confronto entre esquerda e direita?

Trata-se de uma simplificação enganosa. Surgiram dois outros eixos de conflito: o centralismo estatal contra a independência regional e o autoritarismo contra a liberdade do indivíduo. As forças nacionalistas da direita eram muito mais coesas porque, com poucas exceções, combinavam três extremos coesivos. Eram ao mesmo tempo de direita, centralistas e autoritárias. A República, por outro lado, constituía um caldeirão de incompatibilidades e suspeitas mútuas, com centralistas e autoritários, principalmente comunistas, enfrentando a oposição de regionalistas libertários.

A Guerra Civil Espanhola continua a ser um dos poucos conflitos modernos cuja história foi escrita com mais eficácia pelos perdedores que pelos vencedores.

Se a coalizão de direita tivesse vencido as eleições de 1936, a esquerda aceitaria o resultado?

Há fortes suspeitas de que não. O líder socialista Largo Caballero ameaçou abertamente, antes das eleições, que, se a direita vencesse, haveria uma guerra civil declarada. Caballero, é bom frisar, declarou que queria uma República sem classes, mas para conseguir isso uma classe teria de desaparecer. Isso era uma repetição óbvia da intenção declarada de Lênin de eliminar a burguesia.

Mas uma vitória da esquerda, em 1937 ou 1938, teria levado a uma escala de execuções comparável à de Franco?

É claro que é impossível saber e não se pode julgar inteiramente pela guerra civil russa, mas esta é ainda uma pergunta que não se deve rejeitar. O vencedor de qualquer guerra civil, como afirmaram vários historiadores, está fadado a matar mais devido ao ciclo de medo e ódio.

Por que o anarquismo se tornou a maior força junto à classe operária espanhola?

A estrutura proposta de comunidade cooperativas livremente associadas correspondia às tradições profundamente enraizadas de ajuda mútua, e a organização federalista falava aos sentimentos anticentralistas. Também constituía uma forte alternativa moral a um sistema político corrupto e a uma Igreja hipócrita. Muitos observadores ressaltaram o otimismo ingênuo que o anarquismo inspirava nos camponeses sem terra da Andaluzia. Muito também foi dito sobre o modo como a ideia foi disseminada por personagens ascéticos, quase santos, e como os convertidos largavam o fumo, o álcool e a infidelidade (conquanto rejeitassem o casamento oficial). Chegou a ser descrito como uma religião secular. A intensidade deste primeiro anarquismo levou os convertidos a acreditar que o mundo veria que a liberdade e a ajuda mútua eram a única base da sociedade naturalmente organizada. Bastaria abrir os olhos do povo, libertar o enorme potencial de boa vontade e deflagrar o que Bakunin chamava de “criatividade espontânea das massas”.

Por que o desenvolvimento dos socialistas foi lento na Espanha?

A sociedade espanhola era predominantemente agrícola e Marx sentia profundo desprezo pelo campesinato, o qual chamava de “idiotia da vida rural”. Ele acreditava que o capitalismo só seria derrubado pela sua própria criação, o proletariado industrial. Mas na Espanha, a maior parte das indústrias se concentrava na Catalunha, bastião do anarquismo. Além disso, a ênfase que os marxistas davam ao estado centralizado ampliava seu insucesso. Os adversários dos marxistas, mesmo nos movimentos de esquerda, chamavam-nos de los autoritarios.

Como era visto o exército espanhol antes da Guerra?

Embora basicamente reacionário, às vezes era visto como aliado do povo contra os políticos corruptos e como força de regeneração nacional.

Qual a diferença de votos nas eleições de 1936, a última da Espanha antes da Guerra Civil?

A Frente Popular, de esquerda, venceu por pouco mais de 150 mil votos de diferença. A lei eleitoral que beneficiara a direita em 1933 agora ajudara a esquerda. A Frente Popular recebeu a maioria das cadeiras das Cortes. Mesmo assim, ignorou a estreiteza de sua vitória e passou a se comportar como se tivesse recebido um mandato avassalador para efetivar a mudança revolucionária.

Quais as consequências econômicas da vitória da Frente Popular?

Antes de mais nada, é bom ressaltar que a Espanha passava por uma grave crise financeira desde 1931. Mas assim que venceram as eleições de 1936, os trabalhadores fizeram enormes exigências salariais, muito além do que as fábricas e fazendas poderiam suportar. As greves se multiplicaram, o desemprego aumentou, o valor da peseta caiu muito no câmbio internacional. O gabinete de transição não conseguiu equilibrar a situação. A impressão geral de um colapso da lei e da ordem caiu como um presente nas mãos da direita antidemocrática.

CONTINUA EM BREVE.