Uma pergunta, feita nos comentários do Blog do Mr. X, pelo próprio, poderá fundir a cabeça dos pogreçistas:
Se encontrassem o gene "homo", será que seria politicamente incorreto abortar o bebê gay?
Esta pergunta se refere a este texto.
"Quem procura o que não perdeu quando acha não reconhece." (Mestre Marçal)
Uma pergunta, feita nos comentários do Blog do Mr. X, pelo próprio, poderá fundir a cabeça dos pogreçistas:
Se encontrassem o gene "homo", será que seria politicamente incorreto abortar o bebê gay?
Esta pergunta se refere a este texto.
Não é do meu feitio publicar textos inteiros aqui no blog. Mas este, de Olavo de Carvalho, me fez abrir uma honrosa exceção. Os grifos são meus.
* * *
O aborto só é uma questão moral porque ninguém conseguiu jamais provar, com certeza absoluta, que um feto é mera extensão do corpo da mãe ou um ser humano de pleno direito. A existência mesma da discussão interminável mostra que os argumentos de parte a parte soam inconvincentes a quem os ouve, se não também a quem os emite. Existe aí portanto uma dúvida legítima, que nenhuma resposta tem podido aplacar. Transposta ao plano das decisões práticas, essa dúvida transforma-se na escolha entre proibir ou autorizar um ato que tem cinqüenta por cento de chances de ser uma inocente operação cirúrgica como qualquer outra, ou de ser, em vez disso, um homicídio premeditado. Nessas condições, a única opção moralmente justificada é, com toda a evidência, abster-se de praticá-lo.
À luz da razão, nenhum ser humano pode arrogar-se o direito de cometer livremente um ato que ele próprio não sabe dizer, com segurança, se é ou não um homicídio. Mais ainda: entre a prudência que evita correr o risco desse homicídio e a afoiteza que se apressa em cometê-lo em nome de tais ou quais benefícios sociais hipotéticos, o ônus da prova cabe, decerto, aos defensores da segunda alternativa. Jamais tendo havido um abortista capaz de provar com razões cabais a inumanidade dos fetos, seus adversários têm todo o direito, e até o dever indeclinável, de exigir que ele se abstenha de praticar uma ação cuja inocência é matéria de incerteza até para ele próprio.
Se esse argumento é evidente por si mesmo, é também manifesto que a quase totalidade dos abortistas opinantes hoje em dia não logra perceber o seu alcance, pela simples razão de que a opção pelo aborto supõe a incapacidade - ou, em certos casos, a má vontade criminosa - de apreender a noção de "espécie". Espécie é um conjunto de traços comuns, inatos e inseparáveis, cuja presença enquadra um indivíduo, de uma vez para sempre, numa natureza que ele compartilha com outros tantos indivíduos. Pertencem à mesma espécie, eternamente, até mesmo os seus membros ainda não nascidos, inclusive os não gerados, que quando gerados e nascidos vierem a portar os mesmos traços comuns. Não é difícil compreender que os gatos do século XXIII, quando nascerem, serão gatos e não tomates.
A opção pelo abortismo exige, como condição prévia, a incapacidade ou recusa de apreender essa noção. Para o abortista, a condição de "ser humano" não é uma qualidade inata definidora dos membros da espécie, mas uma convenção que os já nascidos podem, a seu talante, aplicar ou deixar de aplicar aos que ainda não nasceram. Quem decide se o feto em gestação pertence ou não à humanidade é um consenso social, não a natureza das coisas.
O grau de confusão mental necessário para acreditar nessa idéia não é pequeno. Tanto que raramente os abortistas alegam de maneira clara e explícita essa premissa fundante dos seus argumentos. Em geral mantêm-na oculta, entre névoas (até para si próprios), porque pressentem que enunciá-la em voz alta seria desmascará-la, no ato, como presunção antropológica sem qualquer fundamento possível e, aliás, de aplicação catastrófica: se a condição de ser humano é uma convenção social, nada impede que uma convenção posterior a revogue, negando a humanidade de retardados mentais, de aleijados, de homossexuais, de negros, de judeus, de ciganos ou de quem quer que, segundo os caprichos do momento, pareça inconveniente.
Com toda a clareza que se poderia exigir, a opção pelo abortismo repousa no apelo irracional à inexistente autoridade de conferir ou negar, a quem bem se entenda, o estatuto de ser humano, de bicho, de coisa ou de pedaço de coisa.
Não espanta que pessoas capazes de tamanho barbarismo mental sejam também imunes a outras imposições da consciência moral comum, como por exemplo o dever que um político tem de prestar contas dos compromissos assumidos por ele ou por seu partido. É com insensibilidade moral verdadeiramente sociopática que o sr. Lula da Silva e sua querida Dona Dilma, após terem subscrito o programa de um partido que ama e venera o aborto ao ponto de expulsar quem se oponha a essa idéia, saem ostentando inocência de qualquer cumplicidade com a proposta abortista.
Seria tolice esperar coerência moral de indivíduos que não respeitam nem mesmo o compromisso de reconhecer que as demais pessoas humanas pertencem à mesma espécie deles por natureza e não por uma generosa - e altamente revogável -- concessão da sua parte.
Também não é de espantar que, na ânsia de impor sua vontade de poder, mintam como demônios. Vejam os números de mulheres supostamente vítimas anuais do aborto ilegal, que eles alegam para enaltecer as virtudes sociais imaginárias do aborto legalizado. Eram milhões, baixaram para milhares, depois viraram algumas centenas. Agora parece que fecharam negócio em 180, quando o próprio SUS já admitiu que não passam de oito ou nove. É claro: se você não apreende ou não respeita nem mesmo a distinção entre espécies, como não seria também indiferente à exatidão das quantidades? Uma deformidade mental traz a outra embutida.
Aristóteles aconselhava evitar o debate com adversários incapazes de reconhecer ou de obedecer as regras elementares da busca da verdade. Se algum abortista desejasse a verdade, teria de reconhecer que é incapaz de provar a inumanidade dos fetos e admitir que, no fundo, eles serem humanos ou não é coisa que não interfere, no mais mínimo que seja, na sua decisão de matá-los. Mas confessar isso seria exibir um crachá de sociopata. E sociopatas, por definição e fatalidade intrínseca, vivem de parecer que não o são.
Tem gente que acha que é bobagem discutir o aborto nas eleições deste ano, em pleno século XXI. Eu também acho! PELO MASSACRE DE FETOS JÁ!!! Em 2014, cuidaremos dos judeus. Em 2018, dos deficientes físicos. Em 2022, dos negros. E assim por diante!
A quarta parte deste “bate-papo” fala de cinema, aborto, ainda um pouco de eugenia, educação e a guerra cultural.
1. Em 2005, William Bennett, um pró-vida convcto, invocou o argumento de Steven Levitt (“O aborto legalizado levou à diminuição de crimes”) para denunciar o pensamento eugênico e foi execrado pelos liberais. Por que isso aconteceu?
O capítulo em que Levitt trata do aborto em Freakonomics é uma atualização de um artigo que ele escreveu em 1999. Textual: “O aborto legalizado levou à diminuição de filhos indesejados; filhos não desejados cometem mais crimes; o aborto legalizado, portanto, levou a menos crimes”. O problema é que Freakonomics removeu todas as referências à raça e nunca correlacionou os fatos de que, como os fetos abortados são desproporcionalmente negros, e os negros contribuem desproporcionalmente para a taxa de crimes, a redução do tamanho da população negra reduz crimes. A imprensa na época não pareceu se importar, só quando Bennett, um pró-vida, usou o mesmo argumento para denunciar a eugenia.
2. O que Bennett disse?
Ele disse: “Sei que é verdade que, se quiser reduzir os crimes, você poderia – se fosse seu único propósito – abortar todos os bebês negros neste país, e sua taxa de crimes cairia. Isso seria uma coisa impossível, ridícula e moralmente repreensível de se fazer, mas a taxa de crimes cairia.” O que parece haver ofendido os liberais, acima de tudo, foi que Bennett havia acidentalmente tomado emprestada uma lógica convencional de esquerda para afirmar um ponto de vista conservador e, tal como acontecia com os darwinistas sociais de antigamente, isso deixa os liberais bastante aborrecidos. Vários porta-vozes negros disseram que Bennett queira exterminar negros e que era profundamente racista. Ora, trata-se de uma reviravolta espantosa. Afinal, quando os liberais defendem abortos, usualmente dizem que não matam “bebês”, apenas removem um aglomerado de células. Se abortos HIPOTÉTICOS cometidos para fins conservadores são infanticídios, como é possível que abortos reais realizados para fins liberais não o sejam?
3. E o que dizer de Peter Singer?
Singer é considerado o mais importante filósofo vivo e o principal eticista do mundo. Ele leciona em Princeton e argumenta que crianças indesejadas ou inválidas devem ser mortas em nome da “compaixão”. Ele também defende que idosos e outros estorvos sociais devem ser eliminados quando suas vidas não valem a pena ser vividas. Singer é uma das principais vozes da esquerda e mostra que, apesar do Holocausto ter desacreditado a eugenia per se, seus defensores ainda estão vivos e bem influentes.
4. Afinal, os grandes negócios são coisa de direita?
Se são, precisam ser avisados disso. Por que financiam atividades liberais e esquerdistas e se vangloriam disso em comerciais e campanhas de publicidade? Como explicar que não exista praticamente nenhuma questão importante nas guerras culturais – seja o aborto, o casamento de gays ou as ações afirmativas – nas quais os grandes negócios tenham desempenhado um papel relevante do lado da direita americana, enquanto existem dezenas de corporações que apóiam o lado liberal?
5. Uma das razões para escrever este livro?
Furar a bolha da presunçosa autoconfiança de que simplesmente por ser de esquerda alguém é automaticamente virtuoso.
6. Mas os problemas da esquerda no passado não são apenas problemas do passado?
Os problemas da esquerda de hoje se encontram na esquerda de hoje, não há dúvida. A relevância de se falar no passado está em que, diferentemente do conservador que tem lutado com sua história para se certificar de que não vai repeti-la, a esquerda não vê necessidade de fazer nada parecido.
7. O que pode explicar o amor de esquerdistas por homens como Che, Arafat, Castro, Mao?
Isto está ligado claramente à obsessão da esquerda pelos valores fascistas de autenticidade e vontade. É uma inclinação natural por “homens de ação”. A esquerda tem uma queda inerente por homens que “transcendem” a moralidade e a democracia burguesa em nome da justiça social.
8. E quanto à educação progressista?
Ela tem dois pais. A Prússia e John Dewey, guru de Hillary Clinton. O jardim de infância foi transplantado da Prússia para os Estados Unidos no século XIX porque os reformadores americanos estavam totalmente encantados pela ordem e pela doutrinação patriótica que crianças pequenas recebiam fora de casa. Além disso, achavam que era a melhor forma para extirpar traços não americanos dos imigrantes. Para outros progressistas, capturar crianças nas escolas era parte de um esforço maior para quebrar a espinha dorsal da família nuclear, a instituição mais resistente à doutrinação política.
9. Que cuidados devemos ter em relação aos nossos filhos?
Tenham cuidado dos engenheiros sociais. Eles querem “criar” um novo tipo de ser humano. Essas novas crianças precisarão aprender a amar a todos como se fossem parte da família, afinal, múltiplos vínculos se tornarão o ideal. Timidez e vínculo materno exclusivo parecerão disfuncionais. Querem desenvolver novos tratamentos para crianças com vínculos maternos excessivos. Por tratamento entenda-se propaganda, que já fazem parte de alguns livros adotados em escolas progressistas como “Mamãe, vá embora!”. A boa criança será aquela mais ligada “a “comunidade” e menos ligadas a seus pais.
10. Os liberais se preocupam basicamente com o quê?
Com a cultura. Ou melhor, com a imposição de cultura. Durante a década de 1990, por exemplo, o liberalismo mergulhou de cabeça no negócio de formação de cultura, desde a política de significado de Hillary Clinton até critérios de desempenho adaptados às características de gênero nos esportes universitários, a presença de gays nas Forças Armadas e a guerra ao cigarro. Em 2007, para se ter uma ideia, uma creche progressista em Seattle proibiu o uso do Lego porque, com aquele brinquedo, “as crianças estavam construindo suas suposições a respeito da propriedade e do poder social que ela propicia, suposições que espelhavam as de uma sociedade capitalista baseada em classes – e que nós, professores, acreditamos ser uma sociedade injusta e opressiva”. Em lugar disso, criaram uma brincadeira que refletia os padrões moralmente superiores de “coletividade”.
11. Qual a lógica fundamental dos julgamentos da Suprema Corte em relação ao aborto?
Por incrível que pareça esta lógica não está baseada no “direito de escolha”, mas sobretudo na ideia de que religião e moralidade religiosamente informada não têm nenhum lugar nas questões públicas. Este é um dos aspectos da guerra cultural. Ela chegou à Suprema Corte.
12. A guerra cultural busca cercear a religião?
Exatamente. Em 1995, a Corte de Apelação do Nono Circuito decidiu que o “direito de morrer” não poderia ser constrangido simplesmente “para satisfazer aos preceitos morais ou religiosos de uma parte da população.” Não importa que as raízes de leis contra assasinato, perjúrio e roubos brotem diretamente daqueles preceitos religiosos.
13. De onde vem esse conceito de guerra cultural?
O termo vem do alemão Kulturkampf. A esquerda usa este termo para se referir aos supostos esforços da direita para demonizá-la e impor seus valores ao resto do país. Os matizes germânicos servem para evocar um parelelo com Hitler. Mas a Kulturkampf original não foi uma ação repressiva da direita contra dissidentes liberais ou minorias em perigo, mas um ataque da esquerda contra as forças do tradicionalismo e do conservadorismo. Ostensivamente, a Kulturkampf foi uma guerra contra os católicos alemães, absorvidos, pela primeira vez, na Grande Alemanha. Bismarck temia que eles pudessem não ser suficientemente leais a uma Alemanha liderada pela Prússia e, mais pragmaticamente ainda queria evitar a formação de um partido católico alemão.
14. E nos Estados Unidos?
De maneira semelhante, a Kulturkampf americana da década de 1960 começou não com os hippies, a Guerra do Vietnã ou mesmo os direitos civis. De forma adequada a uma tentativa de abrir o caminho para uma nova religião política, ela começa com o esforço de abolir as preces das escolas.
15. Vamos falar um pouco de cinema.
Hollywood é a mais poderosa agência de propaganda de facto na história humana. É possível defender todos os filmes que citarei aqui, no sentido que representam progressos no desdobramento da civilização ocidental de liberdade – e também são um bom divertimento. Mas o fato é que o fascismo garante sucesso de bilheteria, e os conservadores, com poucas exceções, são impotentes para combatê-los, porque nem ao menos sabem o que estão vendo. Os liberais, por sua vez, são rápidos em rotular de fascista qualquer “glorificação” da guerra ou de batalhas, mas estão celebrando o tempo todo o niilismo e o relativismo em nome da liberdade e da rebelião inviduais.
16. “Beleza americana”.
Kevin Spacey é Lester Burnham, um profissional burguês, casado com uma profissional burguesa e com uma filha convenientemente alienada. A vida de Lester dá uma guinada quando ele fica obcecado sexualmente por uma amiga de sua filha. Ele joga tudo pro alto, começa uma campanha de autoaperfeiçoamento que envolve uma obsessão narcísica com o corpo, dando um piparote em todas as convenções sociais e cedendo à todos os desejos num desafio à razão. Esse tipo de coisa, onde a pessoa “real” é encontrada não na cabeça, mas entre as pernas, parece passar por alta sabedoria em Hollywood.
17. “Forrest Gump”.
Um homem branco retardado é a única força moral confiável durante o caos das décadas de 1960 e 1970. O que redime o homem branco, aqui, é a sua anormalidade.
18. “Melhor é impossivel”.
Jack Nicholson é um tipo preconceituoso e virulento até que começa a tomar potentes drogas psicotrópicas, que de fato o curam de seu “branquismo” (Adorno poderia chamá-las de pílulas antifascismo) e o tornam tolerantes com gays e negros e capaz de amar.
19. “Sociedade dos poetas mortos”.
Hitler teria aplaudido de pé. O filme começa com estudantes aprendendo poesia de acordo com uma fórmula, traçando sua “perfeição”. É quase possível ouvir Hitler denunciando essa maneira “judia” de medir a arte. Então chega o sr. Keating e diz para os estudantes arrancarem estas páginas do livro. Keating os encoraja a violentar a convenção e exorta-os a subir na mesa do professor, numa exibição simultânea de superioridade e desprezo pelos papéis tradicionais. Um dos alunos, Todd, está com medo das novas abordagens de Keating que, então, de maneira intimidante, convoca-o a soltar o seu “brado bárbaro”. Keating encoraja seus pupilos a “aproveitarem o dia”, num glorioso culto da ação. Seguindo seus ensinamentos, os estudantes verdadeiramente “livres” criam uma sociedade secreta na qual adotam nomes pagãos e que se reúne numa velha caverna para tirar a “essência da vida”, criar novos deuses e ler poesias românticas. Neil, outro estudante, é despertado pelo sr. Keating e se rebela contra a pressão do pai burguês que quer que ele se torne médico. Ele quer viver uma vida de paixão como ator e quando o pai o proíbe, ele se mata para não se curvar – um final semelhante a Der König, peça favorita de Hitler, que a assistiu 17 vezes em três anos. Neil é representado como um Cristo, a despeito de seu egoísmo. A morte de Neil sacode a escola. Arriscam-se a ser expulsos se procurarem o sr. Keating, mas não resistem ao seu carisma. Desafiam o novo professor. Esses belos super-homens, unidos em suas vontades, buscam seu “capitão”, afastando-se da autoridade tradicional. Só faltaram mesmo as saudações nazistas.
20. “Matrix”.
É uma alegoria totalmente fascista com alguns traços marxistas. Keanu Reeves representa um burguês aprisionado numa vida de cubículo. Seu codinome Neo não apenas representa seu verdadeiro nome no partido (é como se fosse), mas também resume seu status como um Novo Homem, um Übermensch que pode dobrar o mundo à sua vontade e, em algum momento, pode até voar. A falsidade de seu estilo de vida lhe é revelada quando desperta de um sonho e compreende que o que pensava ser a sua vida real era uma prisão, uma jaula onde forças parasitas e manipuladoras literalmente viviam à sua custa. Em vez de judeus sanguessugas, o inimigo é o que os seguidores da Nova Era nos séculos XIX e XX chamavam de a Engrenagem ou das System. Depois disso, ele se junta a uma sociedade secreta pagã, onde os únicos vestígios autênticos da Humanidade vivem numa glória dionisíaca no ventre morno da Mãe Terra, totalmente dedicados à salvação dos poucos que vale a pena salvar dentre seus irmãos entorpecidos. Homens brancos desbotados, vestidos em ternos escuros, rejeitam a autenticidade da vida humana em nome de uma lógica fria e de prioridades mecânicas. São literalmente desenraizados, não meramente inclinados a abstrações, mas abstrações reais. Parece haver poucos deles, mas estão em toda a parte; podem tomar forma humana e operar qualquer coisa. Em suma, são versões em quadrinhos de tudo o que os nazistas diziam a respeito dos judeus.
É importante reconhecer que estamos falando não tanto da cultura de esquerda ou da cultura liberal, mas da cultura americana. Em muitos aspectos, o vício de Hollywood com a estética fascista não é ideológico. Gladiador usou imagens fascistas porque aquela era a melhor forma de contar a história. Só porque estou apontando temas fascistas nesses filmes, não quer dizer que sejam ruins. Não há como negar também que os conservadores estão dispostos a acolher filmes fascistas se eles vêm da direita. Muitos conservadores gostaram de Coração valente, porque exibia a resistência à tirania e celebravam a “liberdade”. Mas a “liberdade” desses filmes não era tanto a liberdade per se, mas a liberdade da tribo de se comportar de acordo com seus próprios valores relativistas. Os clãs das terras altas da Escócia dificilmente eram repúblicas constitucionais. Outro exemplo semelhante está no filme 300. Os espartanos eram uma casta eugênica e vagamente homoerótica de guerreiros que teria levado Hitler a apaludir de pé, a despeito dos esforços de Hollywood para americanizá-los.
Com isso concluímos a 4ª parte. Em breve a quinta e última parte.
A terceira parte deste “bate-papo” com respostas tiradas do livro “Fascismo de esquerda”, de Jonah Goldberg. Aqui falamos um pouco de eugenia, Ku Klux Klan entre outros assuntos que a esquerda, ansiosamente, tenta esconder.
1. A direita americana é contantemente instada a assumir os capítulos mais negros da história do país: os acordos segregacionistas, os excessos mccarthistas, o isolacionismo na Segunda Guerra e assim por diante. Isso é correto?
Raramente se menciona o lado da esquerda nessas histórias. O Partido Democrata abrigou leis e práticas segregacionistas, conhecidas nos Estados Unidos como Jim Crow durante um século. A Ku Klux Klan tem raiz democrata. O liberalismo americano era tão isolacionista quanto o conservadorismo. A histeria progressista contra os comunistas, com o Red Scare, fazia o mccarthismo parecer debate de universidade. Os sucessivos presidentes democratas ordenaram a detenção de sino-americanos, a disseminação da vigilância doméstica de inimigos políticos e o uso de bombas atômicas contra o Japão. Os comunistas leais a Moscou deduravam trotskistas heréticos. Falta perguntar por que o progressismo - e não o conservadorismo - era tão favoravelmente inclinado à eugenia.
2. Por falar em eugenia, muitos intelectuais famosos eram a favor dela.
Sim. Bernard Shaw, H. G. Wells, John Maynard Keynes, Aldous Huxley. Todos eram a favor da eugenia. Os progressistas, e aqui falamos dos Estados Unidos, viviam obcecados pela "saúde racial" da nação, supostamente ameaçada por ondas crescentes de imigração e pela superpopulação de americanos nativos. Muitos dos projetos progressitas de destaque, desde a Lei Seca até o movimento pelo controle de natalidade, baseavam-se nessa busca de soluções para domesticar a besta demográfica. O conservador católico Chesterton foi submetido a um implacável desprezo por sua oposição à eugenia. [Observação: político sul-americano importante, Salvador Allende, tão endeusado pelas esquerdas, era eugenista.]
3. Isso quer dizer que é impossível não ver o progressismo como um empreendimento fascista - pelo menos de acordo com os padrões que usamos hoje?
Os historiadores liberais reconhecem consensualmente que o progressismo resiste a uma definição fácil. Mas a explicação talvez seja simples: identificar o progressismo de forma adequada seria muito inconveniente para a esquerda, pois isso exporia seu projeto eugênico.
4. Como a esquerda contesta sua proximidade com a eugenia?
Seus representantes dizem que os progressistas da época apenas eram homens de seu tempo. Mas essa é uma explicação que não resiste a uma análise mais profunda.
5. Por quê?
Em primeiro lugar, os eugenistas progressistas tinham adversários que não eram progressistas e eram antieugênicos: conservadores prematuros, libertários radicais e católicos ortodoxos - gente que os progressistas chamavam de retrógrados e reacionários.
Em segundo lugar, argumentar que progressistas eram produtos de seu tempo simplesmente reforça meu argumento de que o progressismo foi gerado num momento fascista e nunca quis encarar sua herança.
Enquanto a esquerda continua cega às ameaças fascistas que vêm de suas próprias fileiras, continuam atacando os dogmas religiosos e os políticos conservadores. Quem rejeita a clonagem? Quem se sente mais incomodado com a eutanásia, o aborto e o ato de brincar de Deus em laboratório? Uma nação conservadora de verdade, coisa que já não somos, nem ficaria se perguntando se destruir um blastócito ou um feto de oito meses é um assassinato. Quanto mais bebês defeituosos.
6. Ainda falando em eugenia, qual a principal linha divisória entre os progressistas em relação ao assunto?
Esta linha não era entre eugenistas e não eugenistas ou entre racistas e não racistas. Era entre defensores da "eugenia positiva" e da "eugenia negativa", entre aqueles que se chamavam humanistas e aqueles que subscreviam as teorias de suicídio da raça, entre ambientalistas e deterministas genéticos.
7. O que defendiam os "eugenistas do bem"?
Defendiam a ideia de que bastaria encorajar, bajular e subsidiar os mais aptos para que se reproduzissem mais e os não aptos para que se reproduzissem menos.
8. O que defendiam os "eugenistas do mal"?
Operavam ao longo do espectro que ia desde a esterlilização forçada até o aprisionamento, pelo menos durante os anos reprodutivos.
9. E quanto aos ambientalistas?
Eles enfatizavam que a melhoria das condições materiais das classes degeneradas melhoraria seu infortúnio. Já os teorias do suicídio da raça acreditavam que linhagem e classes inteiras de pessoas estavam além da possibilidade de salvação.
10. E quanto aos oponentes da eugenia?
Eram os conservadores. Os progressistas os chamavam de "darwinistas sociais". Foi o termo que usaram para descrever qualquer um que se opusesse à noção de que o Estado deve "interferir" agressivamente na ordem reprodutiva da sociedade. Na lógica artificial da esquerda, aqueles que se opunham à esterilização forçada dos "inaptos" e dos pobres eram os vilões, pois deixavam um "estado de natureza" reinar entre as classes inferiores. A instituição que mais se destacou no combate à eugenia foi a Igreja Católica. Foi a sua influência na Itália que tornou o fascismo menos obcecado pela eugenia que os progressistas americanos e os nazistas.
11. E a Klu Klux Klan?
O rótulo de fascista dado á KKK faz bastante sentido. Já o de direitista, não. A Klan da Era Progressista, surgida na segunda década do século XX, não era a mesma Klan que surgira em 1865, depois da Guerra Civil. Era uma coleção frouxa de organizações independentes que se espalhavam pelos Estados Unidos. O que as unia, além do nome e dos trajes absurdos, era que todas se inspiravam no filme “O nascimento de uma Nação”. Eram, na realidade, uma “subcultura repulsiva” de fãs do filme.
12. E a KKK da década de 1920?
Esta era vista como reformista e moderna, e tinha uma relação íntima com alguns elementos progressistas do Partido Democrata. O jovem Harry Truman, bem como Hugo Black, futuro juiz da Suprema Corte, estavam entre os seus integrantes. E a KKK era menos racista do que a academia.
13. Em que se sustenta hoje o liberalismo [a esquerda] nos Estados Unidos?
Ela se sustenta em três pilares: apoio ao Estado de bem-estar social, aborto e política de identidade. Obviamente, esta é uma formulação grosseira. O aborto, por exemplo, poderia ser integrado à política de identidade, já que o feminismo é um dos credos que exaltam a “jaula de ferro” (no sentido weberiano) da identidade.
14. O maior recurso da esquerda em discussões sobre racismo, sexismo e o papel do governo de modo geral é a suposição implícita de que as intenções da esquerda são melhores e mais elevadas do que as do conservadorismo.
Tudo pose. O clichê diz: “Os liberais pensam com o coração, e os conservadores pensam com a cabeça.” Mas se levarmos em conta a história do liberalismo, é claro que essa vantagem é injusta, uma base intectual roubada. Os liberais podem estar certos ou errados a respeito de determinada política, mas a suposição de que estão automaticamente defendendo a posição mais virtuosa é pura besteira.
15. Como era o projeto do Estado de bem-estar social americano?
Era um projeto racial e eugênico desde a sua concepção. Os autores progressistas do socialismo do bem-estar social estavam interessados não em proteger os fracos das devastações do capitalismo, como afirmam os liberais modernos, mas em extinguir, como ervas daninhas, os fracos e inaptos, para assim preservar e fortalecer o caráter anglo-saxão da comunidade racial americana.
16. Existe alguma relação entre os progressistas americanos e os nazistas no que diz respeito à saúde moral e física?
Sim. O bem comum se sobrepõe ao bem privado. Foi essa bandeira que a Alemanha levou a extremos totalitários. A Lei Seca foi a principal ilustração disso na América e os nazistas olhavam com bons olhos este esforço americano. O álcool alimentaria a licenciosidade das raças mestiças inferiores. Na Alemanha, a principal preocupação era que o álcool e os ainda mais desprezados cigarros levassem à degenerescência da pureza ariana alemã. O tabaco recebia o crédito por todos os males imagináveis, inclusive de promover a homossexualidade.
17. Margaret Sanger é considerada uma santa liberal, uma santa de esquerda, uma fundadora do feminismo moderno. Foi a fundadora também do movimento pelo controle da natalidade e da Planned Parenthood, que todo ano concede os Prêmios Maggie a esquerdistas famosos. Estar do lado dela é estar do lado “certo”?
Depende. Margaret Sanger era uma completa racista. Sob a bandeira da “liberdade de concepção”, Sanger apoiou todas as bandeiras eugênicas. Buscou proibir a reprodução de inaptos e regular a reprodução de todas as pessoas. Ela escarnecia da abordagem cautelosa de eugenistas “positivos”, ridicularizando-os como mera “competição pelo berço”. Até hoje seus admiradores tentam minimizar este seu lado. Aliás, ficam ansiosos por isso. Talvez para se acharem do lado “certo”…
18. E conseguem?
Só fazendo um esforço muito grande. Uma pessoal imparcial não pode ler os livros, artigos e panfletos de Sanger sem encontrar semelhanças com a eugenia nazista. Ela publicava textos com o tipo de racismo extremado que associamos a Goebbels ou Himmler. Sua revista, Birth Control Review, apresentava os nazistas sob uma luz positiva. Publicava artigos de Ernst Rüdin, o diretor de esterilização de Hitler e um dos fundadores da Sociedade Nazista para a Higiene Racial.
19. Qual foi a razão do sucesso de Sanger?
Foi promover a campanha pelo controle social associando a campanha racista-eugênica a prazer sexual e liberação feminina. Em seu “Código para parar a superprodução de crianças”, de 1934, ela decretou que “nenhuma mulher terá o direito legal de gerar um filho sem permissão… Nenhuma permissão será válida para mais de um filho.” Ela argumentava que a maternidade era uma restrição socialmente imposta à liberdade das mulheres.
20. O que foi o Projeto Negro de Sanger?
Em 1939, ela contratou ministros negros por meio da Federação de Controle da Natalidade. Contratou também médicos e outros líderes para podar a supostamente excessiva população negra. A intenção racista está acima de qualquer dúvida. Ela afirmava:
A massa de significativo número de negros ainda se reproduz descuidada e desastrosamente, e isso resulta em que o número de negros ocorra naquela porção de população menos inteligente e apta.
Hoje, a intenção de Sanger pode parecer chocante, mas ela reconhecia seu extremo radicalismo. É possivel que Sanger não quisesse “exterminar” os negros. Mesmo assim, muitos negros viram o projeto desse modo e começaram a lançar suspeitas sobre o projeto. Em 1977, uma pessoa que via a relação, por exemplo, entre aborto e raça de uma perspectiva menos confiante, mandou um telegrama ao Congresso para dizer que o aborto era o mesmo que “genocídio contra a raça negra”. E acrescentou em caixa alta: “POR UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA, TENHO QUE ME OPOR AO USO DE FUNDOS FEDERAIS PARA UMA POLÍTICA DE MATAR CRIANCINHAS”. O nome dessa pessoa era Jesse Jackson. Talvez seja desnecessário dizer que ele mudou de posição sem o menor problema quando decidiu disputar a indicação do Partido Democrata.
A primeira parte desta série está aqui.
A segunda, você acha aqui.
E a série ainda não terminou. Aguardem a 4ª parte.
O PT resolveu punir dois de seus deputados.
Pegaram os caras com a mão em alguma cumbuca? Não: lá isso é motivo pra promoção na hierarquia partidária.
Os deputados desafiaram o pogreçismo: são apenas contra o aborto.
Resultado: tiveram os direitos políticos suspensos por um ano e meio. Não podem discursar em nome do partido. Não podem votar e muito menos serem votados nas instâncias partidárias.
Bem feito: era preferível aparecer na boca do caixa do Banco Rural pra sacar o capilé do mensalão!
Este é o PT e sua visão de liberdade de expressão.
Mais aqui, neste artigo.
Engraçado que se debate intensamente na sociedade sobre o direito ao aborto, mas poucos falam de forma tão inflamada no direito da liberalização da laqueadura de trompas. A justificativa é que a mulher pode se arrepender depois de feito o procedimento.
Ora meu Deus, querem que a mulher assuma a responsabilidade física e moral do aborto, mas não deixam a mesma ser responsável pela decisão final de querer ou não se tornar estéril. Então o próprio governo estimula o aborto.
Pensem bem, ela teria o direito de tirar o neném, mas não teria o direito de tirar as trompas. E a sociedade nem vê isso. Poderia mudar o foco. O debate poderia incluir a liberalização da laqueadura.
Pois é, meus caros. Matar um bebê é mais fácil do que simplesmente ligar as trompas das mulheres para evitar justamente que elas concebam.
Um bom texto neste blog, de onde tirei o trecho acima.
Ninguém é obrigado a conhecer a obra completa de todos os autores. Mas se os admira e os usa para defender uma idéia, a coisa muda de figura. Tem que conhecer, sim. A fundo. Em seu blog, Rodrigo Constantino cita Nelson Rodrigues num texto em que defende o aborto. Abaixo, o trecho:
Sam Harris, autor de Carta a uma Nação Cristã, escreveu sobre Madre Teresa de Calcutá: "A compaixão de madre Teresa estava muito mal calibrada, se matar um feto no primeiro trimestre a perturbava mais do que todo o sofrimento que ela testemunhou nesta Terra”. Creio que o “amor” dessas pessoas pelo feto de poucos milímetros supera bastante qualquer possibilidade de empatia pelos seres humanos concretos. É mais ou menos como Nelson Rodrigues falava: “Amar a Humanidade é fácil; difícil é amar o próximo”. Infelizmente, muitos “humanistas” acabam assim, apaixonados por uma causa mais abstrata, que lhes fornece uma entorpecente sensação de superioridade moral, enquanto seus próximos sofrem as conseqüências.
Por exemplo: não conheço a obra de Sam Harris, nada posso dizer. Concordo com Reinaldo Azevedo quando diz que sonha em viver num mundo em que um feto humano tenha mais direitos que ovos de tartaruga do projeto Tamar. Rodrigo talvez não defenda as tartarugas, mas também não faria um "aborto retroativo".
Adiante.
A questão é a frase de Nelson. Pro seu bem é bom que esteja morto. Se a visse num texto que defende o aborto, não sei o que faria. Rodrigo não pode usar Nelson para defender o aborto. Nem para ilustrar um parágrafo. Nelson era contra o aborto. Radicalmente contra. Basta folhear "Flor de obsessão", um livro com muitas de suas frases, e esbarrar com uma que não deixa a menor dúvida:
"Aborto é coisa de Jack, o estripador."
Sei que ultrapasso a intenção deste post, mas uma frase de Constantino me chamou a atenção:
Creio que o “amor” dessas pessoas pelo feto de poucos milímetros supera bastante qualquer possibilidade de empatia pelos seres humanos concretos.
Por quê? O que uma coisa tem a ver com a outra? Por que amor entre aspas? Um feto não é um ser concreto? É abstrato? Abstratos fossem, por que liquidá-los, não é mesmo? Rodrigo, enquanto* blastocisto no endométrio de sua mãe era um ser concreto ou não? O bichinho lá, sugando o sangue das paredes uterinas da mãe é um ser concreto ou uma ilusão dela? O feto que regula até o apetite da mulher é concreto ou abstrato?
Bom, me excedi. Mas fica aqui a frase de Nelson.
* Odeio usar este termo, mas foda-se...
Da Folha:
O presidente dos EUA, Barack Obama, reverteu ontem com uma ordem executiva a proibição imposta pelo seu antecessor, George W. Bush, ao envio de fundos por agências federais a grupos internacionais de planejamento familiar com atuação ligada ao aborto.
A regra impedia que a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) fornecesse financiamento não só a clínicas no exterior que interrompam a gravidez, mas também às que aconselham e encaminham pacientes a tais serviços -mesmo que as atividades fossem feitas sem usar fundos americanos. Também não podia haver lobby, campanhas ou qualquer discussão favorável ao direito ao aborto.
"Está claro que as provisões da medida eram muito amplas e desnecessárias", disse Obama. Muitas ONGs, temendo problemas com os fundos internacionais, encerraram com a medida também a entrega de pílulas do dia seguinte e o tratamento de possíveis consequências de abortos problemáticos.
Bom, isso já era esperado, né? Obama é um "pogreçista" e todo "pogreçista" é a favor do aborto. Ainda mais agora que vai chover dindim. Então aguardem o aumento de falsas estatísticas sobre o número de mortes em clínicas clandestinas, o aumento da propaganda pró-assassinato in utero e, claro, o ministro Temporão apontando o dedinho com ar professoral pra gente e dizendo: "Eu não disse? Eu não disse?" Mera questão de tempo...
A Fiocruz financiou um documentário defendendo abertamente o aborto. Em nome da saúde pública, claro, claro...
O aborto no Brasil é crime.
Estaria a Fiocruz desafiando as leis? Com que direito?
O presidente Lula, imortalizado em vida, defendeu o debate sobre o aborto. Ele se diz contra a prática... anrã... mas acha que a discussão deve ser ampliada. Plebiscito nem pensar: a sova histórica.
Adiante.
Publico então um trecho de uma coluna de Olavo de Carvalho, onde ele dá uma sugestão para se encerrar o assunto:
Tenho sugerido, para eliminar a polêmica em torno do aborto e satisfazer os instintos humanitários dos adeptos dessa prática, uma solução fácil e rápida que denomino Auto-Aborto Voluntário Retroativo (A. A. V. R.). Inspira-se no exemplo de um francês, deficiente físico, que processou seus pais por não o haverem abortado. Processou e ganhou. Ora, se um erro pode ser punido, com muito mais razão deve poder ser corrigido. Cada amante do aborto, portanto, pode alcançar a plena satisfação de suas reivindicações esmagando o próprio crânio a fórceps ou por meio de qualquer outro instrumento obstétrico apropriado e solicitando, antes ou depois desse ato cirúrgico, a anulação do seu registro civil de nascimento. Consumada a sua total erradicação do mundo físico e histórico, o distinto ainda teria a satisfação de poder ingressar na esfera do além portando um curriculum mortis idêntico àquele de milhões de bebês que, antes dele, exerceram o direito inalienável de ser abortados.
Observo, de passagem, que, se a apologia do abortismo é feita em nome da liberdade da mulher dispor do seu próprio corpo, a sentença acima referida mostrou que para os próprios abortistas essa liberdade não existe de maneira alguma, já que negam a cada mãe o direito dar prosseguimento a uma gravidez que seu filhinho, no futuro, possa vir a julgar indesejável. O A. A. V. R. protegerá os abortistas contra esse tipo de encrencas lógicas modelo exterminador-do-futuro, retirando-os deste baixo mundo antes que alguém se dê conta de que são completamente loucos.