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terça-feira, 13 de setembro de 2011

NO DOS OUTROS É REFRESCO

A Funai, ONGs nacionais e internacionais e o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) – quem mais? – não vão sossegar enquanto não transformarem o Brasil numa oca gigantesca. Cismaram de aumentar a demarcação de terras indígenas em Barra Velha, no sul da Bahia, o que contraria um acódão do STF. O problema agora é que suas bufonarias estão batendo de frente com assentamentos dos aliados do MST, que adora invadir a terra dos outros, mas quando as suas estão ameçadas, se aliam até aos temíveis produtores rurais – essa gente que bota na nossa mesa a comida mais barata do mundo. Eu estou achando ruim? Nada! O MST ganhou, pela primeira vez, acho, uma aula de realidade. Conta Denis Lerrer Rosenfeld, no Globo:

A questão de Barra Velha chegou a tal grau de acirramento que alianças impensáveis em outros contextos se tornaram realidade. Em evento no final de agosto no município de Itamaraju, num auditório lotado com mais de 300 pessoas, sendo em torno de 270 provenientes dos assentamentos da reforma agrária e usando bonés e camisetas do MST, foi feita uma defesa do direito de propriedade e do Estado de Direito.

Eis a bandeira comum a todos nessa ocasião, com membros da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), ligada à CUT, do MST, da Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) unidos contra o trabalho da Funai e as ações do Cimi e das ONGs indigenistas nacionais e internacionais.

Os líderes dos assentados da reforma agrária presentes ao evento disseram em alto e bom som que lutariam até a morte e não entregariam as suas terras aos índios. Nem querem ouvir falar de remoção para outras áreas, pois a terra onde estão é sua. Reclamam, isso sim, melhores condições de trabalho, como crédito, maquinário e sementes. As oposições correntes nacionais entre "trabalhadores rurais e empreendedores rurais" não se fizeram presentes. Ao contrário, aqueles se manifestaram solidários aos produtores rurais por compartilharem, agora, os mesmos problemas e ameaças.

Declararam-se firmemente partidários do direito de propriedade. Assentados, agricultores familiares, pequenos, médios e grandes, todos se consideram igualmente produtores rurais.

Aqui.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

PARABÉNS, FUNDAÇÃO FORD, ONGs, STF, IBAMA, FUNAI E MINSTÉRIO DO MEIO AMBIENTE PELA CRIAÇÃO DE NOVOS FAVELADOS EM RORAIMA!

Não foi por falta de aviso, mas os aiatolás da natureza, os xiitas da preservação do estado da natureza entre os índios conseguiram: com a expulsão dos produtores de arroz da Raposa Serra do Sol, o Éden indígena decantado por Ayres Britto no STF transformou-se no que qualquer pessoa que não tome sorvete pela testa sabia: num deserto. Com o fim das fazendas de gado e de arroz (que ocupavam UM POR CENTO DAS TERRAS), os índios não conseguem se sustentar dentro da reserva e o resultado disso é o aumento do número de favelados em Boa Vista. Lamentável. E o tiro de misericórdia ainda pode ser dado por Marina Silva e sua turma de ecoterroristas:

(…) parte das famílias de Raposa Serra do Sol foi assentada numa região chamada Serra da Lua, perto dali. Não por muito tempo se depender dos xiitas do Ministério do Meio Ambiente — aqueles humanistas de Marina, vocês sabem. Eles querem desalojar as pessoas de lá para criar mais uma reserva ambiental.

É isso aí! Maravilha! Este é um exemplo claro e cristalino do que a ditadura virtuosa do politicamente correto é capaz.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

E NÓS VAMOS COMER O QUÊ?

O Globo publicou hoje:

SÃO PAULO. Aclamado ontem em São Paulo como candidato do PSOL à Presidência, na convenção nacional do partido, Plínio de Arruda Sampaio afirmou que, se eleito, vai propor a desapropriação de todas as propriedades rurais do país com mais de mil alqueires (cerca de 2,4 mil hectares), “seja ela produtiva ou não”:

— E isso não será feito para melhorar a produção agrícola brasileira, não. Mas, sim, para redistribuir a terra. A redistribuição da riqueza e da renda é o polo central de nosso programa de governo — afirmou.

Ai, ai, ai… Plínio, Plínio… Nós vamos comer o quê, homem de Deus? Luz? Esse papo de desapropriar terra na marra não dá certo, cara! Olha a Venezuela, que já importa comida! O próprio Plínio diz que não é pra melhorar a produção: deve ser então para encarecer os alimentos (o Brasil produz os mais baratos do mundo).

Vai estudar, véio!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

COISAS SIMPLES

Carlos Alberto Sardenberg - O Globo - 29/04/2010

Basta fazer umas poucas contas para se verificar que o governo da Grécia não tem dinheiro para pagar juros e prestações da dívida que vencem neste ano (cerca de US$ 60 bilhões) e que terá de fazer um duríssimo programa de aumento de impostos e corte de gastos (e, pois, de salários e aposentadorias) para sanear suas finanças.

Fica evidente que, mesmo conseguindo um financiamento especial da União Europeia e do FMI, o governo grego precisará negociar com os credores, para solicitar descontos, prazos mais longos etc. Você toparia emprestar dinheiro novo para esse devedor? E se topasse, pediria juros maiores ou menores? É simples, não é? E outra: o governo grego não caiu nesse buraco assim distraidamente, mas mergulhou nele com vontade, gastando mais do arrecadava, tomando empréstimos para financiar os tombos e escondendo o valor exato de suas contas.

Nada disso, denunciam os governantes: a Grécia é vítima de um ataque especulativo da banca internacional. Mesma coisa que se diz em Portugal, na Espanha, na Itália e em tantos outros países que enfrentam dificuldades para rolar suas dívidas no mercado internacional.

Há vantagens nessas teses. Primeiro, tira a responsabilidade maior dos governantes ("fizemos a coisa certa, mas somos vítimas da especulação") e, segundo, empurra a busca de solução para os outros, no caso, a União Europeia e o FMI. Como dizem os governantes gregos: ou nos dão o dinheiro ou será o caos na Europa; não podemos fazer nada.

Na verdade, podem, mas não querem pagar o preço político de ajustar as contas. Ou seja, depois de terem distribuído bondades com o dinheiro alheio, querem mais dinheiro alheio para continuar vivendo à grande.

Essa é a história simples, o resto é embromação.

Incompetência

Outra história: o presidente Lula encontra sempre outros culpados para o atraso dos investimentos públicos, como o Tribunal de Contas da União, os órgãos de licenciamento ambiental e a oposição, que bloqueia projetos no Congresso. Mas considerem estes dados levantados pela repórter Samantha Maia, do jornal "Valor Econômico", edição de ontem: há nada menos que R$ 7,6 bilhões sobrando nos cofres da Caixa Econômica Federal porque não se consegue colocar de pé um programa de investimentos em saneamento, lançado pelo governo federal em novembro de 2008.

Logo que assumiu seu primeiro governo, o presidente Lula denunciou com estardalhaço que sua administração havia encontrado dinheiro sobrando na Caixa e programas de saneamento sem recursos. Culpou o neoliberalismo, coisa dessa gente que não gosta de gasto público.

Pois o dinheiro continua sobrando, mesmo com gente que adora aumentar o gasto público. É simples: incompetência, incapacidade administrativa de bolar os programas e colocá-los em funcionamento.

Já anunciar, com palanque e tudo, é mais fácil. Depois, quando a coisa não anda, encontram-se alguns culpados e algumas conspirações, exatamente fazem os governantes gregos, portugueses e espanhóis.

A coca imperialista

Quando assumiu o governo da Bolívia, o presidente Evo Morales denunciou o método americano (imperialista) de combate às drogas, suspendeu a colaboração com a polícia especializada dos EUA (DEA) e anunciou que trataria do assunto de uma forma progressista. Consistia no seguinte: toda liberdade à plantação de coca para os legítimos cocaleros, aqueles que produzem para o consumo local de chás e folhas de mascar, e rigorosa vigilância sobre os ilegais, que vendem para o tráfico.

Consequência: aumentou fortemente a produção para o tráfico e a exportação da pasta de coca para o Brasil.

Óbvio, não era? Se não há um controle rigoroso de toda a produção e distribuição, se não há uma polícia internacional vigiando, é claro que os cocaleros vão vender sua colheita para os traficantes, pela simples e boa razão de que eles compram mais volume e pagam mais.

Ou seja, não há cocaína bolivariana e cocaína imperialista. Dá o mesmo barato, o mesmo dinheiro, a mesma corrupção. Se com uma polícia competente como a DEA americana já é difícil controlar, imaginem sem.

Isso é coisa simples, que só a ideologia equivocada pode transformar num caso político, com imensos prejuízos para todos, exceto os plantadores.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

ENIGMA AGRÁRIO

Xico Graziano - O Estado de São Paulo

Acontece mais um abril "vermelho". O roteiro dessa confusão anda bem conhecido pela sociedade. Incerto mesmo está o propósito atual das estripulias agrárias no campo. O que pretende, afinal, o Movimento dos Sem-Terra (MST)?

Resposta óbvia: a reforma agrária. Sabe-se que o famoso movimento surgiu, há 25 anos, na luta contra o latifúndio. Historicamente a distribuição de terras se preconizava como caminho para o moderno desenvolvimento latino-americano. O Estatuto da Terra chega em 1964. Reprimido pelo regime militar, pouco solucionou o problema.

Quando, em 1985, sucedendo o autoritarismo, se instala a chamada Nova República, enormes expectativas se criam no País, cheio de vontade para redimir seu injusto passado. Um milhão de assentamentos rurais, no prazo de quatro anos, acaba prometido ao povo. Agora vai, pensaram os reformistas da esquerda.

Findo o governo Sarney, apenas 82.260 famílias foram beneficiadas pela reforma agrária. Uma frustração tomou conta da sociedade. Havia restrições legais. A nova Constituição, promulgada em 1988, exigia leis complementares que tardaram para regulamentar o processo de redistribuição fundiária. Collor não ligou para o assunto. Itamar tentou, mas pouco conseguiu avançar.

Fernando Henrique assumiu o governo, em 1995, com um enorme passivo agrário a enfrentar. Barracos de lona preta indicavam dezenas de acampamentos às margens das rodovias, na beirada de fazendas marcadas pela encrenca. Cerca de 50 mil famílias, gente excluída da modernização agrícola, se acotovelava gritando pela terra prometida. Reforma agrária já.

Nessa época, o MST começava a se firmar no cenário das lutas agrárias, rivalizando com a tradicional, e poderosa, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Dominada historicamente pelos comunistas, a Contag envelhecera seus métodos de atuação política, acusada de peleguismo. Surgiram assim, pelas mãos da moçada gaúcha do MST, as violentas invasões de terras. O bicho pegou.

Invadir propriedades rurais - ou ocupar latifúndios, conforme dissimuladamente se denominava a arbitrariedade - chamava a atenção contra a lerdeza do processo de redistribuição fundiária, empurrando a agenda governamental para a frente. Por isso, recebia o apoio da sociedade. A mídia adorava.

Passaram-se 15 anos. E, surpresa, ao contrário do que pensa o senso comum, o Brasil realizou a maior reforma agrária do mundo. O último relatório do Incra aponta a existência de 8.562 projetos implantados, com 906.878 famílias assentadas. Somados os mais recentes, pode-se dizer que 1 milhão de famílias recebeu terras, somando 80 milhões de hectares distribuídos. Para comparação, a área total cultivada no País atinge 67 milhões de hectares. Pasmem.

Ora, se a distribuição foi tamanha, por que não se acalmam os sem-terras? O argumento histórico, percebam, sobre a lerdeza do governo no processo da reforma agrária, não cabe mais. Algo distinto move o MST. Destrinchar esse enigma faz bem ao debate nacional.

A turma do MST afirma que ainda falta muita gente para ganhar seu quinhão. Pode ser. Mas essa hipótese considera incluir os desempregados da cidade, não propriamente os tradicionais sem terra, aqueles excluídos no campo. Fabricar sem-terras nas periferias urbanas infla a conta, mas não garante sucesso. Pelo contrário. Parte do fracasso dos assentamentos rurais se deve exatamente à falta de aptidão para a lide rural.

Outra linha de raciocínio centra fogo no agronegócio. Antigamente era o latifúndio culpado pelo mal. Sua existência caracterizava o velho feudalismo a ser varrido do mapa. Agora, porém, modernizadas as relações de produção, criou-se nova dicotomia, aquela que opõe a agricultura familiar ao negócio rural capitalista. Os ideólogos do MST abriram um fosso entre a via campesina e a agricultura empresarial. Tremenda bobagem.

Celso Ming escreveu em sua coluna no Estado, dias atrás, que o MST carrega a bandeira do atraso, invocando, muito apropriadamente, o conceito das utopias regressivas. No popular, lembra o apelo bucólico do passado, aquela reminiscência gostosa, bem brasileira, da época em que o bolo de fubá se fazia com ovo caipira colhido no quintal, perto da horta caseira. Um passeio a cavalo, um fogão a lenha na cabana da montanha. Quem não gosta?

No fundo, ao defender a agricultura familiar e atacar o agronegócio, valoriza-se a pobreza rural. Utopia faz bem, perfuma a vida. Mas cultivar a existência miserável abre caminho para a subserviência humana. Fazer reforma agrária só tem sentido se, economicamente, resultar em progresso material, em melhoria de qualidade de vida dos beneficiados. O MST, ao recusar a tecnologia e a integração produtiva, características básicas da moderna agricultura, condena o assentado à eterna dependência.

Difícil entender as razões do MST. Possivelmente, ainda mais em anos eleitorais como este, a motivação se encontra na política. No período de Fernando Henrique, lembram-se, o MST dizia combater o neoliberalismo. Uma chatice. Entrou o Lula, roupagem dúbia adornou a tagarelice do Stédile, bem no estilo oficial do bate-e-assopra, uma invasão aqui, um convênio ali. Beira a picaretagem.

Aproximando-se o pleito presidencial, divulga o ignóbil líder do MST que a eleição do Serra seria o "pior dos mundos". Depreende-se, portanto, que suas ações avermelhadas servem à candidatura oficial. Para divulgá-la invadem fazendas produtivas, destroem laranjais, queimam viveiros, roubam gado, fazem justiça com as próprias mãos. Resultado: estimulam a violência no campo. Sorte da Dilma? Azar da democracia. Ninguém aguenta mais as invasões de terras.

quinta-feira, 25 de março de 2010

O DESAFIO DE KÁTIA ABREU (EU FARIA A MESMA COISA)

Kátia desafiará o governo a gerir uma fazenda

A presidente da Confederação Nacional da Agricultura, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), desafiará o governo Lula. Vai pedir um real a cada produtor (são cinco milhões), adquirir terras onde o governo indicar e entregá-las aos ministérios da Agricultura, Meio Ambiente e Reforma Agrária, para que viabilizem qualquer atividade eficiente e rentável – submetida, claro, às leis e regras que são impostas aos produtores.

Caso pensado

Com seu desafio, Kátia Abreu mostrará que as exigências do governo, de tão absurdas, parecem criadas para inviabilizar o agronegócio.

Via Claudio Humberto.