sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
domingo, 7 de novembro de 2010
O CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO PODIA DORMIR SEM ESSA: JOÃO UBALDO ENSINA COMO SE DEVE LER UM LIVRO
E eu que pensava que a burocracia brasileira não poderia baixar mais o seu nível de demência… E isso é só o começo!
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
EVO MORALES É UM GÊNIO
O presidente da Bolívia bolou um plano infalível para calar a boca da imprensa e evitar que ela denuncie as lambanças do seu governo: criou uma lei antirracista que pune os meios de comunicação que publicarem ideias discriminatórias e racistas. A “lei” prevê, entre outras coisas, o fechamento da empresa que desrespeitá-la.
Uma ideia simples, mas um golpe (golpe mesmo!!!) de mestre. Quem ou o quê determina o que é racismo ou não? Segundo o governo, é o Comitê Internacional contra a Discriminação Racial, da ONU. Sei…
O que vai, de fato acontecer é que toda a vez que um jornal publicar algum escândalo do seu Evo Morales basta que ele diga: “Isso é preconceito! Isso é racismo! Só porque eu sou índio!” e pronto! A polícia vai até lá e fecha o jornal.
Como é que o Franklin Martins ainda não pensou nisso?
terça-feira, 13 de abril de 2010
A RESPOSTA DE DEMÓSTENES TORRES A ELIO GASPARI
Eu sei que uma pensa de blogs já publicou a resposta do senador Demóstenes Torres à campanha de difamação contra sua pessoa orquestrada por Elio Gaspari. Mas eu quero ter o texto aqui também.
* * *
ILUSTRE jornalista Elio Gaspari, quem lhe responde é Booker T. Washington, ex-escravo. Faço-o porque li que o senhor, uma estrela da comunicação, sustenta pela segunda vez em artigos que o senador Demóstenes Torres tentou explicar a escravidão atribuindo-a aos negros.
A teoria negacionista não é dele, que nem sequer a advoga. Nem os alunos de Madame Natasha ou os colegas de Eremildo interpretariam assim os discursos, entrevistas e textos de Demóstenes.
O combate do senador é pela educação, que começa na escola em tempo integral e permeia as demais fases do ensino, para que não se necessite de cotas, nem as raciais, que ele considera racistas, nem as sociais, que defende por beneficiarem os pobres de qualquer cor. Esse item, educação, nos aproxima.
Vou lhe contar meu caso. Passei da servidão a reitor de universidade não por graça, mas por obra. Acreditei na educação não para o sucesso de uma raça, mas para ascensão das pessoas e desenvolvimento de uma nação. Discordo do senador, pois creio em raças, e ele diz que não existem. A seu favor, ele tem a tecnologia, que avançou e descobriu que a diferença genética entre negros e brancos é nula. Um setor em que parece não ter havido avanços é o da ideologia, que continua ofuscando até mentes brilhantes.
Na virada do século 19 para o 20, eu era tido como conciliador, por querer a emancipação dos negros por meio da educação. O mesmo debate chega ao século 21, com os mesmos argumentos, os mesmos equívocos.
Se Cazemiro e Baquaqua, citados em sua carta, deixaram descendentes, não se surpreenda se houver louros de olhos azuis. O Brasil é muito diferente dos Estados Unidos em que vivi. Um país miscigenado como esse não merece ser tratado como bicolor. A tese do senador é que as cotas, motivo das discussões acerca de frases ditas por ele ou inventadas para ele, devem ser temporárias e, sendo sociais, são também raciais, pois servem a todas as raças. Por que a cota racial tem de ser só para uma cor? Um negro rico tem mais direito a cota que um branco pobre? Ou o Brasil quer institucionalizar em 2010 o racismo dos EUA de 1910? Aí há racismo, mas incomparável com o daqui. O ciclo nocivo que faz um país precisar de reserva em universidades públicas começa no ensino fundamental ruim, quando aí deveria estar o início da construção do mérito. No médio, uns pais se sacrificam e põem os filhos em colégios particulares, outros já são tão sacrificados que a renda da família é menor que a mensalidade. Daí a competição ser desigual. Por isso o senador quer prazo de 12 anos para que o aluno que entrar hoje na escola em tempo integral termine o ensino médio em condição de disputar vaga com o do colégio privado.
Em nenhum lugar, com nenhuma palavra, o senador negou o horror da escravidão ou as monstruosidades dos senhores e das leis com os cativos.
Não ajuda em nada as ações afirmativas entortar suas palavras, interpretá-las para colar no senador a pecha de que é racista, vitaminar militantes para hostilizá-lo.
Se valesse aí a nossa regra aqui, a de que basta uma gota de sangue para ser negro, o senador seria um dos nossos, pois é filho de mulata. Mas não é essa a discussão que interessa. O tema tem de ser a qualidade da educação, a situação de cada prédio e do transporte escolar, o valor nutricional da merenda, além de salário, preparo e condições de trabalho dos professores. Desviar o assunto das cotas para buscar o iniciador do tráfico de pessoas é uma forma de esquecer que o Brasil continua atrasado em educação, talvez com média insuficiente para entrar na instituição que dirigi, o Instituto Normal e Industrial Tuskegee, no Alabama.
Outro dia eu encontrei o Gilberto Freyre e lhe disse não entender o fato de ter sido proscrito. Fazia tempo que eu queria perguntar-lhe por que os racialistas repelem tão correto e talentoso pesquisador. Ele deu a entender que queriam que "Casa Grande & Senzala" fosse um panfleto grande, e não um grande livro.
Gaspari, a escravidão foi brasileira, assim como é brasileira uma certa dificuldade de entender que quem mais grita por cota é quem menos defende o mérito. É possível vencer com esforço, estudo e oportunidade. Eu que o diga.
Com todo respeito,
Washington.
P.S.: Há um pouco sobre Booker T. Washington em "Uma Gota de Sangue", de Demétrio Magnoli (Contexto). Que Deus nos livre da pressa que estão impondo para institucionalizar o racismo no Brasil.
Folha de São Paulo, 12 de abril de 2010.
sábado, 13 de março de 2010
FAÇO MINHAS AS PALAVRAS DE CLAUDIO MANOEL
Se ninguém diz, vou dizer: qualquer um que é amigo do Ahmadinejad, do Zé Dirceu, do Fidel, do Chavez e do Kadafi é um escroto. Portanto, Lula é um escroto. Quem contemporiza isso também é. Assumam a escrotidão, please. Apoiar Lula é ser, basicamente, um cumplice de politicas escrotas. É só isso! No mais, nada mais!
* * *
Tenho dito e tom e dito: 1) (já que nem o PSDB diz): qualquer privatização é melhor que nenhuma. O estado nunca cresce para o bem. 2) No Brasil, ser vanguarda é obedecer lei. 3) Não existe ação "positiva". Qualquer discriminação por raça é racismo e ponto.com.br! 4) Lula é do mal! Mas o que é pior: ninguém, atualmente, é do bem!
Textos publicados originalmente no Facebook.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
VIDA DE NEGRO É DIFÍCIL NA DITADURA CUBANA
O fato de Zapata ser negro teve alguma relação com os maus-tratos sofridos na prisão?
CUESTA: Evidentemente. Um intelectual já disse que os negros em Cuba sofrem a dor e a sobredor. Historicamente, em Cuba, quando negros e mestiços protestam, são mais reprimidos. A raça vai marcá-los. Deveria ser o contrário, mas não é. O que aconteceu com Zapata, acontece com outros. Se ele tivesse um foco maior interno e internacional, sua morte poderia ter sido evitada.
Trecho da entrevista de Manuel Cuesta, Secretário-geral do Partido Arco Progressista e integrante do Comitê pela Cidadania Inter-racial, sobre a morte do dissidente Orlando Zapata. Lendo a entrevista completa, quem sabe, talvez, assim meio sem querer, alguns esquerdopatas brasileiros comecem a se convencer que Cuba tenha uma ditadura comunista.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
RACISMO EM CUBA
Meu super-amigo-irmão Gravataí Merengue, tempos atrás, lançou a pergunta: quem, da alta cúpula do governo cubano, possui excesso de melanina na pele? Em outras palavras, quem é o negro que ocupa uma das pastas do ministério cubano? A resposta se perdeu por aí. Todo mundo fez que não escutou...
A população de Cuba é composta de 70% de negros. Aqui no Brasil querem cotas de 20% pra negros em NOVELAS!!! Sim, num país com 5% da população negra, querem 20% das vagas. Em Cuba, que os petistas tanto veneram, eles são perseguidos. A única cota que eles têm direito é a de porrada, já que formam a maioria da população carcerária da ilha onde todos são iguais... Ma non troppo...
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
FASCISMO DE ESQUERDA – PARTE 4
A quarta parte deste “bate-papo” fala de cinema, aborto, ainda um pouco de eugenia, educação e a guerra cultural.
1. Em 2005, William Bennett, um pró-vida convcto, invocou o argumento de Steven Levitt (“O aborto legalizado levou à diminuição de crimes”) para denunciar o pensamento eugênico e foi execrado pelos liberais. Por que isso aconteceu?
O capítulo em que Levitt trata do aborto em Freakonomics é uma atualização de um artigo que ele escreveu em 1999. Textual: “O aborto legalizado levou à diminuição de filhos indesejados; filhos não desejados cometem mais crimes; o aborto legalizado, portanto, levou a menos crimes”. O problema é que Freakonomics removeu todas as referências à raça e nunca correlacionou os fatos de que, como os fetos abortados são desproporcionalmente negros, e os negros contribuem desproporcionalmente para a taxa de crimes, a redução do tamanho da população negra reduz crimes. A imprensa na época não pareceu se importar, só quando Bennett, um pró-vida, usou o mesmo argumento para denunciar a eugenia.
2. O que Bennett disse?
Ele disse: “Sei que é verdade que, se quiser reduzir os crimes, você poderia – se fosse seu único propósito – abortar todos os bebês negros neste país, e sua taxa de crimes cairia. Isso seria uma coisa impossível, ridícula e moralmente repreensível de se fazer, mas a taxa de crimes cairia.” O que parece haver ofendido os liberais, acima de tudo, foi que Bennett havia acidentalmente tomado emprestada uma lógica convencional de esquerda para afirmar um ponto de vista conservador e, tal como acontecia com os darwinistas sociais de antigamente, isso deixa os liberais bastante aborrecidos. Vários porta-vozes negros disseram que Bennett queira exterminar negros e que era profundamente racista. Ora, trata-se de uma reviravolta espantosa. Afinal, quando os liberais defendem abortos, usualmente dizem que não matam “bebês”, apenas removem um aglomerado de células. Se abortos HIPOTÉTICOS cometidos para fins conservadores são infanticídios, como é possível que abortos reais realizados para fins liberais não o sejam?
3. E o que dizer de Peter Singer?
Singer é considerado o mais importante filósofo vivo e o principal eticista do mundo. Ele leciona em Princeton e argumenta que crianças indesejadas ou inválidas devem ser mortas em nome da “compaixão”. Ele também defende que idosos e outros estorvos sociais devem ser eliminados quando suas vidas não valem a pena ser vividas. Singer é uma das principais vozes da esquerda e mostra que, apesar do Holocausto ter desacreditado a eugenia per se, seus defensores ainda estão vivos e bem influentes.
4. Afinal, os grandes negócios são coisa de direita?
Se são, precisam ser avisados disso. Por que financiam atividades liberais e esquerdistas e se vangloriam disso em comerciais e campanhas de publicidade? Como explicar que não exista praticamente nenhuma questão importante nas guerras culturais – seja o aborto, o casamento de gays ou as ações afirmativas – nas quais os grandes negócios tenham desempenhado um papel relevante do lado da direita americana, enquanto existem dezenas de corporações que apóiam o lado liberal?
5. Uma das razões para escrever este livro?
Furar a bolha da presunçosa autoconfiança de que simplesmente por ser de esquerda alguém é automaticamente virtuoso.
6. Mas os problemas da esquerda no passado não são apenas problemas do passado?
Os problemas da esquerda de hoje se encontram na esquerda de hoje, não há dúvida. A relevância de se falar no passado está em que, diferentemente do conservador que tem lutado com sua história para se certificar de que não vai repeti-la, a esquerda não vê necessidade de fazer nada parecido.
7. O que pode explicar o amor de esquerdistas por homens como Che, Arafat, Castro, Mao?
Isto está ligado claramente à obsessão da esquerda pelos valores fascistas de autenticidade e vontade. É uma inclinação natural por “homens de ação”. A esquerda tem uma queda inerente por homens que “transcendem” a moralidade e a democracia burguesa em nome da justiça social.
8. E quanto à educação progressista?
Ela tem dois pais. A Prússia e John Dewey, guru de Hillary Clinton. O jardim de infância foi transplantado da Prússia para os Estados Unidos no século XIX porque os reformadores americanos estavam totalmente encantados pela ordem e pela doutrinação patriótica que crianças pequenas recebiam fora de casa. Além disso, achavam que era a melhor forma para extirpar traços não americanos dos imigrantes. Para outros progressistas, capturar crianças nas escolas era parte de um esforço maior para quebrar a espinha dorsal da família nuclear, a instituição mais resistente à doutrinação política.
9. Que cuidados devemos ter em relação aos nossos filhos?
Tenham cuidado dos engenheiros sociais. Eles querem “criar” um novo tipo de ser humano. Essas novas crianças precisarão aprender a amar a todos como se fossem parte da família, afinal, múltiplos vínculos se tornarão o ideal. Timidez e vínculo materno exclusivo parecerão disfuncionais. Querem desenvolver novos tratamentos para crianças com vínculos maternos excessivos. Por tratamento entenda-se propaganda, que já fazem parte de alguns livros adotados em escolas progressistas como “Mamãe, vá embora!”. A boa criança será aquela mais ligada “a “comunidade” e menos ligadas a seus pais.
10. Os liberais se preocupam basicamente com o quê?
Com a cultura. Ou melhor, com a imposição de cultura. Durante a década de 1990, por exemplo, o liberalismo mergulhou de cabeça no negócio de formação de cultura, desde a política de significado de Hillary Clinton até critérios de desempenho adaptados às características de gênero nos esportes universitários, a presença de gays nas Forças Armadas e a guerra ao cigarro. Em 2007, para se ter uma ideia, uma creche progressista em Seattle proibiu o uso do Lego porque, com aquele brinquedo, “as crianças estavam construindo suas suposições a respeito da propriedade e do poder social que ela propicia, suposições que espelhavam as de uma sociedade capitalista baseada em classes – e que nós, professores, acreditamos ser uma sociedade injusta e opressiva”. Em lugar disso, criaram uma brincadeira que refletia os padrões moralmente superiores de “coletividade”.
11. Qual a lógica fundamental dos julgamentos da Suprema Corte em relação ao aborto?
Por incrível que pareça esta lógica não está baseada no “direito de escolha”, mas sobretudo na ideia de que religião e moralidade religiosamente informada não têm nenhum lugar nas questões públicas. Este é um dos aspectos da guerra cultural. Ela chegou à Suprema Corte.
12. A guerra cultural busca cercear a religião?
Exatamente. Em 1995, a Corte de Apelação do Nono Circuito decidiu que o “direito de morrer” não poderia ser constrangido simplesmente “para satisfazer aos preceitos morais ou religiosos de uma parte da população.” Não importa que as raízes de leis contra assasinato, perjúrio e roubos brotem diretamente daqueles preceitos religiosos.
13. De onde vem esse conceito de guerra cultural?
O termo vem do alemão Kulturkampf. A esquerda usa este termo para se referir aos supostos esforços da direita para demonizá-la e impor seus valores ao resto do país. Os matizes germânicos servem para evocar um parelelo com Hitler. Mas a Kulturkampf original não foi uma ação repressiva da direita contra dissidentes liberais ou minorias em perigo, mas um ataque da esquerda contra as forças do tradicionalismo e do conservadorismo. Ostensivamente, a Kulturkampf foi uma guerra contra os católicos alemães, absorvidos, pela primeira vez, na Grande Alemanha. Bismarck temia que eles pudessem não ser suficientemente leais a uma Alemanha liderada pela Prússia e, mais pragmaticamente ainda queria evitar a formação de um partido católico alemão.
14. E nos Estados Unidos?
De maneira semelhante, a Kulturkampf americana da década de 1960 começou não com os hippies, a Guerra do Vietnã ou mesmo os direitos civis. De forma adequada a uma tentativa de abrir o caminho para uma nova religião política, ela começa com o esforço de abolir as preces das escolas.
15. Vamos falar um pouco de cinema.
Hollywood é a mais poderosa agência de propaganda de facto na história humana. É possível defender todos os filmes que citarei aqui, no sentido que representam progressos no desdobramento da civilização ocidental de liberdade – e também são um bom divertimento. Mas o fato é que o fascismo garante sucesso de bilheteria, e os conservadores, com poucas exceções, são impotentes para combatê-los, porque nem ao menos sabem o que estão vendo. Os liberais, por sua vez, são rápidos em rotular de fascista qualquer “glorificação” da guerra ou de batalhas, mas estão celebrando o tempo todo o niilismo e o relativismo em nome da liberdade e da rebelião inviduais.
16. “Beleza americana”.
Kevin Spacey é Lester Burnham, um profissional burguês, casado com uma profissional burguesa e com uma filha convenientemente alienada. A vida de Lester dá uma guinada quando ele fica obcecado sexualmente por uma amiga de sua filha. Ele joga tudo pro alto, começa uma campanha de autoaperfeiçoamento que envolve uma obsessão narcísica com o corpo, dando um piparote em todas as convenções sociais e cedendo à todos os desejos num desafio à razão. Esse tipo de coisa, onde a pessoa “real” é encontrada não na cabeça, mas entre as pernas, parece passar por alta sabedoria em Hollywood.
17. “Forrest Gump”.
Um homem branco retardado é a única força moral confiável durante o caos das décadas de 1960 e 1970. O que redime o homem branco, aqui, é a sua anormalidade.
18. “Melhor é impossivel”.
Jack Nicholson é um tipo preconceituoso e virulento até que começa a tomar potentes drogas psicotrópicas, que de fato o curam de seu “branquismo” (Adorno poderia chamá-las de pílulas antifascismo) e o tornam tolerantes com gays e negros e capaz de amar.
19. “Sociedade dos poetas mortos”.
Hitler teria aplaudido de pé. O filme começa com estudantes aprendendo poesia de acordo com uma fórmula, traçando sua “perfeição”. É quase possível ouvir Hitler denunciando essa maneira “judia” de medir a arte. Então chega o sr. Keating e diz para os estudantes arrancarem estas páginas do livro. Keating os encoraja a violentar a convenção e exorta-os a subir na mesa do professor, numa exibição simultânea de superioridade e desprezo pelos papéis tradicionais. Um dos alunos, Todd, está com medo das novas abordagens de Keating que, então, de maneira intimidante, convoca-o a soltar o seu “brado bárbaro”. Keating encoraja seus pupilos a “aproveitarem o dia”, num glorioso culto da ação. Seguindo seus ensinamentos, os estudantes verdadeiramente “livres” criam uma sociedade secreta na qual adotam nomes pagãos e que se reúne numa velha caverna para tirar a “essência da vida”, criar novos deuses e ler poesias românticas. Neil, outro estudante, é despertado pelo sr. Keating e se rebela contra a pressão do pai burguês que quer que ele se torne médico. Ele quer viver uma vida de paixão como ator e quando o pai o proíbe, ele se mata para não se curvar – um final semelhante a Der König, peça favorita de Hitler, que a assistiu 17 vezes em três anos. Neil é representado como um Cristo, a despeito de seu egoísmo. A morte de Neil sacode a escola. Arriscam-se a ser expulsos se procurarem o sr. Keating, mas não resistem ao seu carisma. Desafiam o novo professor. Esses belos super-homens, unidos em suas vontades, buscam seu “capitão”, afastando-se da autoridade tradicional. Só faltaram mesmo as saudações nazistas.
20. “Matrix”.
É uma alegoria totalmente fascista com alguns traços marxistas. Keanu Reeves representa um burguês aprisionado numa vida de cubículo. Seu codinome Neo não apenas representa seu verdadeiro nome no partido (é como se fosse), mas também resume seu status como um Novo Homem, um Übermensch que pode dobrar o mundo à sua vontade e, em algum momento, pode até voar. A falsidade de seu estilo de vida lhe é revelada quando desperta de um sonho e compreende que o que pensava ser a sua vida real era uma prisão, uma jaula onde forças parasitas e manipuladoras literalmente viviam à sua custa. Em vez de judeus sanguessugas, o inimigo é o que os seguidores da Nova Era nos séculos XIX e XX chamavam de a Engrenagem ou das System. Depois disso, ele se junta a uma sociedade secreta pagã, onde os únicos vestígios autênticos da Humanidade vivem numa glória dionisíaca no ventre morno da Mãe Terra, totalmente dedicados à salvação dos poucos que vale a pena salvar dentre seus irmãos entorpecidos. Homens brancos desbotados, vestidos em ternos escuros, rejeitam a autenticidade da vida humana em nome de uma lógica fria e de prioridades mecânicas. São literalmente desenraizados, não meramente inclinados a abstrações, mas abstrações reais. Parece haver poucos deles, mas estão em toda a parte; podem tomar forma humana e operar qualquer coisa. Em suma, são versões em quadrinhos de tudo o que os nazistas diziam a respeito dos judeus.
É importante reconhecer que estamos falando não tanto da cultura de esquerda ou da cultura liberal, mas da cultura americana. Em muitos aspectos, o vício de Hollywood com a estética fascista não é ideológico. Gladiador usou imagens fascistas porque aquela era a melhor forma de contar a história. Só porque estou apontando temas fascistas nesses filmes, não quer dizer que sejam ruins. Não há como negar também que os conservadores estão dispostos a acolher filmes fascistas se eles vêm da direita. Muitos conservadores gostaram de Coração valente, porque exibia a resistência à tirania e celebravam a “liberdade”. Mas a “liberdade” desses filmes não era tanto a liberdade per se, mas a liberdade da tribo de se comportar de acordo com seus próprios valores relativistas. Os clãs das terras altas da Escócia dificilmente eram repúblicas constitucionais. Outro exemplo semelhante está no filme 300. Os espartanos eram uma casta eugênica e vagamente homoerótica de guerreiros que teria levado Hitler a apaludir de pé, a despeito dos esforços de Hollywood para americanizá-los.
Com isso concluímos a 4ª parte. Em breve a quinta e última parte.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
FASCISMO DE ESQUERDA - PARTE 3
A terceira parte deste “bate-papo” com respostas tiradas do livro “Fascismo de esquerda”, de Jonah Goldberg. Aqui falamos um pouco de eugenia, Ku Klux Klan entre outros assuntos que a esquerda, ansiosamente, tenta esconder.
1. A direita americana é contantemente instada a assumir os capítulos mais negros da história do país: os acordos segregacionistas, os excessos mccarthistas, o isolacionismo na Segunda Guerra e assim por diante. Isso é correto?
Raramente se menciona o lado da esquerda nessas histórias. O Partido Democrata abrigou leis e práticas segregacionistas, conhecidas nos Estados Unidos como Jim Crow durante um século. A Ku Klux Klan tem raiz democrata. O liberalismo americano era tão isolacionista quanto o conservadorismo. A histeria progressista contra os comunistas, com o Red Scare, fazia o mccarthismo parecer debate de universidade. Os sucessivos presidentes democratas ordenaram a detenção de sino-americanos, a disseminação da vigilância doméstica de inimigos políticos e o uso de bombas atômicas contra o Japão. Os comunistas leais a Moscou deduravam trotskistas heréticos. Falta perguntar por que o progressismo - e não o conservadorismo - era tão favoravelmente inclinado à eugenia.
2. Por falar em eugenia, muitos intelectuais famosos eram a favor dela.
Sim. Bernard Shaw, H. G. Wells, John Maynard Keynes, Aldous Huxley. Todos eram a favor da eugenia. Os progressistas, e aqui falamos dos Estados Unidos, viviam obcecados pela "saúde racial" da nação, supostamente ameaçada por ondas crescentes de imigração e pela superpopulação de americanos nativos. Muitos dos projetos progressitas de destaque, desde a Lei Seca até o movimento pelo controle de natalidade, baseavam-se nessa busca de soluções para domesticar a besta demográfica. O conservador católico Chesterton foi submetido a um implacável desprezo por sua oposição à eugenia. [Observação: político sul-americano importante, Salvador Allende, tão endeusado pelas esquerdas, era eugenista.]
3. Isso quer dizer que é impossível não ver o progressismo como um empreendimento fascista - pelo menos de acordo com os padrões que usamos hoje?
Os historiadores liberais reconhecem consensualmente que o progressismo resiste a uma definição fácil. Mas a explicação talvez seja simples: identificar o progressismo de forma adequada seria muito inconveniente para a esquerda, pois isso exporia seu projeto eugênico.
4. Como a esquerda contesta sua proximidade com a eugenia?
Seus representantes dizem que os progressistas da época apenas eram homens de seu tempo. Mas essa é uma explicação que não resiste a uma análise mais profunda.
5. Por quê?
Em primeiro lugar, os eugenistas progressistas tinham adversários que não eram progressistas e eram antieugênicos: conservadores prematuros, libertários radicais e católicos ortodoxos - gente que os progressistas chamavam de retrógrados e reacionários.
Em segundo lugar, argumentar que progressistas eram produtos de seu tempo simplesmente reforça meu argumento de que o progressismo foi gerado num momento fascista e nunca quis encarar sua herança.
Enquanto a esquerda continua cega às ameaças fascistas que vêm de suas próprias fileiras, continuam atacando os dogmas religiosos e os políticos conservadores. Quem rejeita a clonagem? Quem se sente mais incomodado com a eutanásia, o aborto e o ato de brincar de Deus em laboratório? Uma nação conservadora de verdade, coisa que já não somos, nem ficaria se perguntando se destruir um blastócito ou um feto de oito meses é um assassinato. Quanto mais bebês defeituosos.
6. Ainda falando em eugenia, qual a principal linha divisória entre os progressistas em relação ao assunto?
Esta linha não era entre eugenistas e não eugenistas ou entre racistas e não racistas. Era entre defensores da "eugenia positiva" e da "eugenia negativa", entre aqueles que se chamavam humanistas e aqueles que subscreviam as teorias de suicídio da raça, entre ambientalistas e deterministas genéticos.
7. O que defendiam os "eugenistas do bem"?
Defendiam a ideia de que bastaria encorajar, bajular e subsidiar os mais aptos para que se reproduzissem mais e os não aptos para que se reproduzissem menos.
8. O que defendiam os "eugenistas do mal"?
Operavam ao longo do espectro que ia desde a esterlilização forçada até o aprisionamento, pelo menos durante os anos reprodutivos.
9. E quanto aos ambientalistas?
Eles enfatizavam que a melhoria das condições materiais das classes degeneradas melhoraria seu infortúnio. Já os teorias do suicídio da raça acreditavam que linhagem e classes inteiras de pessoas estavam além da possibilidade de salvação.
10. E quanto aos oponentes da eugenia?
Eram os conservadores. Os progressistas os chamavam de "darwinistas sociais". Foi o termo que usaram para descrever qualquer um que se opusesse à noção de que o Estado deve "interferir" agressivamente na ordem reprodutiva da sociedade. Na lógica artificial da esquerda, aqueles que se opunham à esterilização forçada dos "inaptos" e dos pobres eram os vilões, pois deixavam um "estado de natureza" reinar entre as classes inferiores. A instituição que mais se destacou no combate à eugenia foi a Igreja Católica. Foi a sua influência na Itália que tornou o fascismo menos obcecado pela eugenia que os progressistas americanos e os nazistas.
11. E a Klu Klux Klan?
O rótulo de fascista dado á KKK faz bastante sentido. Já o de direitista, não. A Klan da Era Progressista, surgida na segunda década do século XX, não era a mesma Klan que surgira em 1865, depois da Guerra Civil. Era uma coleção frouxa de organizações independentes que se espalhavam pelos Estados Unidos. O que as unia, além do nome e dos trajes absurdos, era que todas se inspiravam no filme “O nascimento de uma Nação”. Eram, na realidade, uma “subcultura repulsiva” de fãs do filme.
12. E a KKK da década de 1920?
Esta era vista como reformista e moderna, e tinha uma relação íntima com alguns elementos progressistas do Partido Democrata. O jovem Harry Truman, bem como Hugo Black, futuro juiz da Suprema Corte, estavam entre os seus integrantes. E a KKK era menos racista do que a academia.
13. Em que se sustenta hoje o liberalismo [a esquerda] nos Estados Unidos?
Ela se sustenta em três pilares: apoio ao Estado de bem-estar social, aborto e política de identidade. Obviamente, esta é uma formulação grosseira. O aborto, por exemplo, poderia ser integrado à política de identidade, já que o feminismo é um dos credos que exaltam a “jaula de ferro” (no sentido weberiano) da identidade.
14. O maior recurso da esquerda em discussões sobre racismo, sexismo e o papel do governo de modo geral é a suposição implícita de que as intenções da esquerda são melhores e mais elevadas do que as do conservadorismo.
Tudo pose. O clichê diz: “Os liberais pensam com o coração, e os conservadores pensam com a cabeça.” Mas se levarmos em conta a história do liberalismo, é claro que essa vantagem é injusta, uma base intectual roubada. Os liberais podem estar certos ou errados a respeito de determinada política, mas a suposição de que estão automaticamente defendendo a posição mais virtuosa é pura besteira.
15. Como era o projeto do Estado de bem-estar social americano?
Era um projeto racial e eugênico desde a sua concepção. Os autores progressistas do socialismo do bem-estar social estavam interessados não em proteger os fracos das devastações do capitalismo, como afirmam os liberais modernos, mas em extinguir, como ervas daninhas, os fracos e inaptos, para assim preservar e fortalecer o caráter anglo-saxão da comunidade racial americana.
16. Existe alguma relação entre os progressistas americanos e os nazistas no que diz respeito à saúde moral e física?
Sim. O bem comum se sobrepõe ao bem privado. Foi essa bandeira que a Alemanha levou a extremos totalitários. A Lei Seca foi a principal ilustração disso na América e os nazistas olhavam com bons olhos este esforço americano. O álcool alimentaria a licenciosidade das raças mestiças inferiores. Na Alemanha, a principal preocupação era que o álcool e os ainda mais desprezados cigarros levassem à degenerescência da pureza ariana alemã. O tabaco recebia o crédito por todos os males imagináveis, inclusive de promover a homossexualidade.
17. Margaret Sanger é considerada uma santa liberal, uma santa de esquerda, uma fundadora do feminismo moderno. Foi a fundadora também do movimento pelo controle da natalidade e da Planned Parenthood, que todo ano concede os Prêmios Maggie a esquerdistas famosos. Estar do lado dela é estar do lado “certo”?
Depende. Margaret Sanger era uma completa racista. Sob a bandeira da “liberdade de concepção”, Sanger apoiou todas as bandeiras eugênicas. Buscou proibir a reprodução de inaptos e regular a reprodução de todas as pessoas. Ela escarnecia da abordagem cautelosa de eugenistas “positivos”, ridicularizando-os como mera “competição pelo berço”. Até hoje seus admiradores tentam minimizar este seu lado. Aliás, ficam ansiosos por isso. Talvez para se acharem do lado “certo”…
18. E conseguem?
Só fazendo um esforço muito grande. Uma pessoal imparcial não pode ler os livros, artigos e panfletos de Sanger sem encontrar semelhanças com a eugenia nazista. Ela publicava textos com o tipo de racismo extremado que associamos a Goebbels ou Himmler. Sua revista, Birth Control Review, apresentava os nazistas sob uma luz positiva. Publicava artigos de Ernst Rüdin, o diretor de esterilização de Hitler e um dos fundadores da Sociedade Nazista para a Higiene Racial.
19. Qual foi a razão do sucesso de Sanger?
Foi promover a campanha pelo controle social associando a campanha racista-eugênica a prazer sexual e liberação feminina. Em seu “Código para parar a superprodução de crianças”, de 1934, ela decretou que “nenhuma mulher terá o direito legal de gerar um filho sem permissão… Nenhuma permissão será válida para mais de um filho.” Ela argumentava que a maternidade era uma restrição socialmente imposta à liberdade das mulheres.
20. O que foi o Projeto Negro de Sanger?
Em 1939, ela contratou ministros negros por meio da Federação de Controle da Natalidade. Contratou também médicos e outros líderes para podar a supostamente excessiva população negra. A intenção racista está acima de qualquer dúvida. Ela afirmava:
A massa de significativo número de negros ainda se reproduz descuidada e desastrosamente, e isso resulta em que o número de negros ocorra naquela porção de população menos inteligente e apta.
Hoje, a intenção de Sanger pode parecer chocante, mas ela reconhecia seu extremo radicalismo. É possivel que Sanger não quisesse “exterminar” os negros. Mesmo assim, muitos negros viram o projeto desse modo e começaram a lançar suspeitas sobre o projeto. Em 1977, uma pessoa que via a relação, por exemplo, entre aborto e raça de uma perspectiva menos confiante, mandou um telegrama ao Congresso para dizer que o aborto era o mesmo que “genocídio contra a raça negra”. E acrescentou em caixa alta: “POR UMA QUESTÃO DE CONSCIÊNCIA, TENHO QUE ME OPOR AO USO DE FUNDOS FEDERAIS PARA UMA POLÍTICA DE MATAR CRIANCINHAS”. O nome dessa pessoa era Jesse Jackson. Talvez seja desnecessário dizer que ele mudou de posição sem o menor problema quando decidiu disputar a indicação do Partido Democrata.
A primeira parte desta série está aqui.
A segunda, você acha aqui.
E a série ainda não terminou. Aguardem a 4ª parte.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
FASCISMO DE ESQUERDA, de Jonah Goldberg - PARTE 1
Você é a favor da reforma agrária? Da educação pública? Da previdência social? Da extinção do trabalho infantil? Parabéns! Você seria um excelente nazista!
Não, não olhe para mim pensando que estou defendendo Hitler. Estas eram bandeiras do Partido Nazista e devo dizer que ele implementou essas modificações na Alemanha numa época em que o nazismo, o fascismo e o comunismo causavam admiração em todo o mundo. Eles iriam substituir de forma definitiva a democracia liberal, refém de partidos políticos corruptos e do grande capital.
Mas então por que o comunismo continua sendo tolerado e o nazismo foi execrado? Bom, eu não tolero o comunismo e muito menos o nazismo. Mas se antes achava que eram gêmeos bivitelinos, agora sei que são univitelinos mesmo. As mesmas plataformas, o mesmo salvacionismo, a mesma pregação da violência, a mesma militarização. A diferença na Alemanha é que não se procurava uma internacionalização. Fortalecia-se o nacionalismo. E, apesar do antissemitismo de Stálin, ele não predominava entre os bolcheviques.
Ah, sim, e depois da Segunda Guerra, Stálin disse: o fascismo é ruim e o comunismo é maneiro. E todo mundo aceitou. Mesmo nos Estados Unidos, pessoas ligadas à ala progressista do Partido Democrata eram ardorosas defensoras do nazi-fascismo. Depois do Holocausto, tentaram apagar seus rastros. Em vão. Pegava mal ser admirador de Mussolini, por exemplo, que chegou a pensar em entrar na guerra do lado dos... aliados.
A dificuldade de se definir o fascismo se deve, sobretudo ao fato de que existiam vários fascismos. Mussolini não era antissemita e a Itália só perseguiu judeus depois que Hitler instalou um governo títere em solo italiano. Por sinal, muitos judeus eram do Partido Fascista. Podemos ver isso em "O jardim dos Finzi-Contini", por exemplo. Franco, ao contrário de Hitler, que queria, como bom nietzchiano, acabar com o Cristianismo, era um católico fervoroso e se recusou a entregar judeus ao Führer.
Das definições dadas no livro de Jonah Goldberg chega-se à conclusão espantosa de que a primeira experiência fascista ocorreu no único lugar onde se poderia jurar que ele nunca aconteceria: os Estados Unidos da América. O governo de Woodrow Wilson. O governo do tão decantado Partido Democrata.
Mas vamos com calma. Falarei deste fascinante livro aos poucos na base de perguntas e respostas, como se eu estivesse entrevistando seu autor, Jonah Goldberg.
1. Por que os esquerdistas chamam os direitistas - ou simplesmente quem discorde deles - de fascistas?
Porque este é o seu grande "argumento". Afinal de contas, quem é que leva a sério um fascista? "Você não tem a obrigação de ouvir um argumento de um fascista (...)". É por isso que Al Gore e muitos outros ambientalistas têm tanta facilidade em comparar os céticos a respeito do aquecimento global àqueles que negam a existência do Holocausto.
2. O que se tornou, enfim, a palavra fascista?
Um sinônimo de herege. Atualmente, significa algo "não desejado", como notou, em 1946, George Orwell. A esquerda usa outras palavras com significados menos elásticos com o mesmo intuito: "racista", "homófobo", "sexista" e, pasmem, "cristão".
3. A era dos debates acabou?
Bom, este seria o sonho dourado dos esquerdistas. Mas quem seria contra a "guerra contra a pobreza", "guerra contra o aquecimento global"? Exortações deste tipo que encontramos quase diariamente na imprensa são na verdade "equivalentes morais para a guerra". Os especialistas e os cientistas sabem o que fazer, dizem-nos. Não há o que debater. Embora numa forma mais gentil e benigna, é a lógica do fascismo.
4. Hoje, nos sentimos confortáveis equiparando racismo e nazismo, não sem razão. Mas por que não se equiparam racismo e afrocentrismo?
É uma boa pergunta. Afrocentristas do passado, como Marcus Garvey, eram pró-fascistas. A Nação do Islã tem vínculos com nazistas e sua teologia é himmleriana. Os Panteras Negras são essencialmente fascistas. Não diferem nada nos seus procedimentos dos camisas-pardas de Hitler.
5. Comparar israelenses a nazistas é injusto?
Injusto e problemático. Não se ouve isso, por exemplo, em relação a grupos como o National Council of La Raza. Recentemente, Barack Obama indicou para a Suprema Corte a juíza Sonia Sotomayor, integrante deste grupo. "Tudo pela raça, nada fora da raça". Por que será que quando um homem branco despeja tais sentimentos, ele é fascista, mas quando um negro diz a mesma coisa, é multiculturalismo?
6. Fidel Castro é um fascista?
Fascista de carteirinha. Mas como a esquerda aprova sua luta contra o imperialismo e ele usa palavras mágicas do marxismo, então é, segundo a própria esquerda, estúpido chamá-lo de fascista. Mas chamar Reagan de fascista é bacana. Coisa de gente que pensa.
7. Então o fascismo não é um fenômeno de direita?
Sempre houve a crença de que fascismo e comunismo estão em polos opostos. Nada mais falso. Historicamente, sempre competiram pelas mesmas bases, buscando controlar o mesmo espaço social. Em termos de teorias e práticas, as diferenças são mínimas. Essa crença de que eram coisas diferentes foi um truque intelectual "vermelho" - e muito bem sucedido.
8. Tanto o comunismo quanto o fascismo atraíram seguidores no Ocidente. Por quê?
Porque eram movimentos internacionais. Vivíamos um momento fascista no começo do século XX, sobretudo depois da Primeira Guerra Mundial. Este momento fascista reuniu vários elementos que compunham a política e culturas da Europa: ascenção do nacionalismo, o Estado de bem-estar social de Bismarck, o colapso do Cristianismo como fonte de ortodoxia social e política. Em lugar do Cristianismo, foi oferecida uma nova religião: o Estado divinizado e a nação como comunidade orgânica.
9. Mas por que o nazismo passou a ser mal visto?
Por causa do Holocausto. Depois do massacre alemão, não era chique louvar Hitler e Mussolini como muitos progressistas haviam feito nas décadas de 20 e 30. O fascismo era visto como um movimento social progressista. Depois disso, ninguém queria se ver ligado a um nacionalismo extremista e genocida. A partir daí, a esquerda redefiniu o fascismo como coisa de gente "de direita" e projetaram seus pecados sobre os conservadores. Mas não deixaram de tomar emprestados alguns dos pensamentos fascistas e pré-fascistas até hoje.
10. O presidente Lula disse que na Venezuela, existe "democracia até demais". Também pensavam assim, em relação á Alemanha, alguns americanos na década de 20?
Claro. Os pais do New Deal achavam que o fascismo parecia uma ideia bastante boa, um experimento que valia a pena fazer. O escritor progressista W. E. B DuBois achava que o nazismo era necessário para pôr em ordem o Estado. Em 1937, ele fez um discurso no Harlem dizendo que em alguns aspectos, havia mais democracia na Alemanha do que em anos passados. Não é praticamente a mesma coisa?
Nossa entrevista continua em breve.
terça-feira, 30 de junho de 2009
ELES TENTANDO SAIR E A GENTE QUERENDO ENTRAR
WASHINGTON - Numa decisão que pode ter profundas implicações na aplicação de ações afirmativas nos Estados Unidos, a Suprema Corte americana decidiu que bombeiros brancos, cuja promoção não foi permitida pelo fato de colegas negros não terem sido também aprovados, têm direito a assumir seus postos, como mostra reportagem do GLOBO desta terça-feira. A votação no principal tribunal do país também pode ter implicações para o governo de Barack Obama, pois ela anulou uma decisão tomada por uma juíza de um tribunal de apelações que foi indicada pelo presidente para se tornar integrante da Suprema Corte.
Mais aqui. A matéria só é completa para assinantes.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
QUANDO DER MERDA, NINGUÉM VAI PODER DIZER QUE NÃO FOI AVISADO
O Estatuto da Igualdade Racial caminha pra transformar um país que se orgulhava de sua miscigenação num país dividido - e, pelo jeito, entre castas. Qualquer dia, o branco pobre será considerado um dalit, com vaga garantida no núcleo dos despossuídos da novela de Glória Perez.
Este filme já foi visto antes. É claro que sim. E é exatamente por isso que estamos querendo repeti-lo no Brasil, onde tudo chega atrasado. Ora, se nos EUA e na África do Sul aconteceram conflitos raciais, por que a gente não brinca de fazer a mesma coisa? Estamos tão atrasados que ainda tem gente que acredita no conceito de raça.
Depois será a vez dos gays exigirem um tratamento diferenciado.
Pessoalmente, eu sempre achei que a Constituição garantisse os direitos fundamentais de todo mundo. Mas não. Está claro que isso não é feito assim, à bangu. Isso é metodo.
Caminhamos céleres para os tribunais raciais. Serão tempos interessantes, o que não significa dizer que serão necessariamente divertidos...
quinta-feira, 14 de maio de 2009
O "MEIN KAMPF" DOS NOVOS RACIALISTAS
Excelente artigo de Demétrio Magnoli hoje no Globo. Acho que esta história de cotas, gotas de sangue, este "charlatanismo acadêmico" como bem diz Magnoli, está indo longe demais. Um dia não bastará mais a autodeclaração sobre a cor de pele: pedirão um exame de DNA pros vestibulandos e candidatos a emprego. É tribunal racial mesmo. O homem do bigodinho, sentado no colo do capeta, deve estar feliz...
Aprenderram dirreitinha, hein!
domingo, 12 de abril de 2009
AGORA SIM TONI GARRIDO VAI FICAR FELIZ!
Finalmente! Parece que vão obrigar a São Paulo Fashion Week a representar a raça de Toni Garrido. Na marra, como sói...
quarta-feira, 8 de abril de 2009
domingo, 5 de abril de 2009
SÍNDROME DE MAMA ÁFRICA
Outra coisa chata, enquanto vemos o Brasil querer botar na letra da lei, o que outros países onde houve e há até mesmo apartheid, como nos Estados Unidos, não só de ontem como ainda de hoje, apesar do presidente Obama, fazem força para retirar, é a persistência do que eu poderia chamar de síndrome de Mama África, contra a qual quem eu mais vejo protestar são escritores amigos meus de países africanos, que não aguentam mais ser embolados num mesmo pacote como “africanos”, transformando em folclore disneyano a enorme complexidade cultural de um continente como a África. Burrice falar em “cultura africana”, “comida africana” e similares, em vez de pluralizar essas entidades, porque são plurais. Além disso, nada mais racista e simplório do que achar que os negros são “irmãos”. Os negros são tão irmãos entre si quanto os europeus entre si, ou seja, irmãos em Cristo, tudo bem. Mas o racismo contra si mesmos de muitos que se acham negros insiste em que há essa irmandade. Documentos escravagistas do Segundo Império, no Brasil, recomendavam que se mantivessem escravos de nacionalidades diversas na mesma senzala, porque muitos se odiavam ou desprezavam entre si mais do que ao opressor.
Por João Ubaldo Ribeiro, no Globo de hoje. Grifos meus.
sábado, 4 de abril de 2009
A AMÉRICA LATINA VAI BEM, OBRIGADO
A primeira década do século XXI ainda não acabou, mas já posso colocar entre as frases mais infelizes proferidas no período aquela em que Elio Gaspari diz que a "A América Latina vai bem, obrigado".
Leia a entrevista de Víctor Hugo Cárdenas, ex-vice-presidente da República no governo de Gonzalo Sánchez de Lozada e veja como o racismo às avessas está sendo implantado na Bolívia, assim como está sendo implantado no Brasil, trocando-se índios por negros e veremos como vai bem o nosso triste e atrasado pedaço de continente condenado a mais atraso ainda com os bolivarianos do Foro de São Paulo tomando as rédeas dessa Atlântida que não afunda Deus sabe como...
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
UM JOVEM ATOR QUE NÃO QUER SER CLASSIFICADO DE ACORDO COM A COR DE SUA PELE
Em seu primeiro papel de peso na televisão, depois de participações nos filmes "Cidade de Deus" e "Irmãos de fé", em programas como "Linha Direta" e, até mesmo, "Malhação", onde já apareceu entregando cartas (!), ele confessa um friozinho na barriga ao pisar no set. Em seu primeiro papel de peso na televisão, depois de participações nos filmes "Cidade de Deus" e "Irmãos de fé", em programas como "Linha Direta" e, até mesmo, "Malhação", onde já apareceu entregando cartas (!), ele confessa um friozinho na barriga ao pisar no set. E diz que, apesar de ter sido anunciado como o primeiro protagonista negro da novela, se considera mais representante do brasileiro "misturado".
- Claro que não vi isso de forma negativa, mas não me vejo como negro. Também não sou branco, é só olhar a cor da minha pele. Tenho traços de negro, como o meu pai, cabelo e olhos de indígenas, da minha mãe. Eu me considero representando essa mistura.
