terça-feira, 31 de janeiro de 2012
quarta-feira, 13 de abril de 2011
GAGARIN FOI O PRIMEIRO?
Na coluna “Há 50 anos” do Globo:
Alexander Topchiev, vice-presidente da Academia de Ciências soviética, disse ontem, ao chegar a Nova York, que os russos não perderam qualquer astronauta em tentativas fracassadas, antes do lançamento de Yuri Gagárin. "O astronauta lançado e recuperado ontem foi calmante o primeiro a entrar na vastidão do Cosmo. São inteiramente fantásticos os rumores de que pioneiros soviéticos tenham morrido anteriormente em experiências secretas", disse.
Hummm… Desmentido soviético? Então não tem erro: morreu foi gente antes.
sábado, 12 de fevereiro de 2011
EGITO, IRMANDADES E UM BOLÃO
Eu não resisti e “roubei” este post do Facebook do caro Victor Grinbaum. Em meio à euforia da queda de Hosni Mubarak, ficam as perguntas.
Em qualquer lugar do mundo, se houvesse nesse momento uma revolta popular insuflada por uma organização chamada "Irmãos Cristãos", como esse movimento seria qualificado pela imprensa? E se houvesse um partido em Israel chamado "Fraternidade Judaica", prestes a ser ELEITO DEMOCRATICAMENTE, como os "analistas" da vida qualificariam o regime sionista? Como diria o grande filósofo Tião Macalé, "muçulmano pode, crioulo não pode?"
Voltando ao Egito.
É claro que a derrubada de um ditador é para ser celebrada. Mas confesso que estou meio com o pé atrás. A Irmandade Muçulmana não é flor que se cheire e é claro que ela está por trás disso. O que virá com a queda de Mubarak, não sabemos. Mas cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém, não é, vovó?
Com tanto ditador caindo, a pergunta que faço agora é: e o Fidel? E o Raúl? Quando é que esses manés vão pro beleléu? Chávez comemorou vitória dos egípcios. Está querendo não ver que o destino dele será bem parecido com o de Mubarak. Falta é gente: Kadhafi, o maluco da Coreia e por aí vai. Que tal um bolão pra ver quem vai pro saco?
quinta-feira, 20 de maio de 2010
ESTA DIPLOMACIA DO LULA É UM PANDEIRO!
“(…) a diplomacia brasileira que ser um player mundial. Não consegue. Em um mundo dominado por Johns Waynes, o Itamaraty age como Oscarito.”
Do Blog do Villa.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
PERGUNTAR NÃO OFENDE 3
Um país onde o presidente é multado por campanha eleitoral irregular pode ser um mediador sério de conflitos internacionais?
terça-feira, 30 de março de 2010
JOÃO UBALDO: CHÁVEZ, ANTIAMERICANISMO BOCÓ E O QUE SERIA DE NÓS SE A PROFISSÃO DE ESCRITOR FOSSE “REGULAMENTADA” PELO GOVERNO
Sei que muitos já devem ter lido este texto de João Ubaldo na internet ou nos jornais (onde foi publicado no último domingo). Mas vou pecar aqui pela repetição porque é um texto que precisa ser espalhado. Os grifos são meus.
* * *
Sei que talvez me repita um pouco hoje, mas, no momento, é difícil desviar a atenção para outro assunto. Refiro-me a Hugo Chávez, a quem assisto num clipe que me mandaram por e-mail, declamando seu bestialógico padrão e terminando em "¡muerte!" outra vez, com a habitual vaniloquência fanfarrona que, apesar de "de esquerda", parece mais com o figurino de Mussolini. Não tenho nada com isso, havendo por graça divina nascido do lado de cá do Oiapoque, mas, como já observei antes, fico passado de vergonha com essas coisas. Chega desse negócio de "muerte", que parece coisa de dramalhão mexicano da década de 50 do século passado, não sei como se consegue aturar essa palhaçada, ainda mais estrelada por um caudilho de meia-tigela. Até aqui mesmo, em meio a nosso atraso, já deram o último grito desses há bastante tempo e, segundo muito se comenta, não resultou nem em independência nem em morte.
Além disso, é difícil aguentar a mesma cantilena antiamericana com os quais os mais velhos já torravam o saco das novas gerações há décadas, a ponto de se atribuir aos gringos até surtos de catapora. Primeiro, tem a conversa de que, com cinquenta caças russos e mais uns tantos foguetes de São João, ele está preparado para enfrentar o poderio bélico americano, confronto que, como sabe todo mundo, só poderá ser deflagrado depois que for explicado aos americanos o que é um chávez e de que se trata a Venezuela. Em seguida, vem a convicção de que os mencionados americanos perdem horas de sono com o que uma aguerrida Venezuela pode fazer a eles. Não deixa de ser interessante, porque é do conhecimento geral que o sulfuroso petróleo venezuelano tem mercado restrito e os Estados Unidos são de muito longe seu freguês mais importante. Ou seja, bastava, para acabar logo com a farofada, que os americanos não comprassem mais o petróleo venezuelano. Mas imagino que isso ia gerar protestos, inclusive do Brasil, por resultar em odiosa pressão econômica, interferência nos negócios internos de um país soberano e semelhantes papos, além da ajuda humanitária que acabaria tendo de ser mandada para lá e demais chateações.
Agora, outra vergonha e outra manifestação de atraso, entre as que quase todo dia chegam da Venezuela: mais sufocamento da liberdade de expressão. Desta feita um político anti-Chavez foi preso por dar uma entrevista considerada ilegal, ou seja, que continha algo do desagrado do governo, que, lá como aqui, se confunde propositadamente com o Estado. E, com certeza, a autoridade que fez a prisão garantiu e garante que ela não tem nada a ver com o fato de que o preso concorreu à presidência da Venezuela na oposição e talvez ainda venha a concorrer, se Chavez daqui para lá não se promover a marechalíssimo e protetor perpétuo do povo.
Pelo menos dois dos delitos definidos pela lei chavista são exemplares. O primeiro é o "incitamento ao ódio". Isto, é claro, significa qualquer coisa que se queira. Por exemplo, o governador Cabral podia ser enquadrado nessa lei, ao chorar por causa da emenda de Ibsen Pinheiro. Quantas velhinhas fluminenses não passaram a odiar o deputado Ibsen, por ter feito o paladino delas chorar tão sentidamente? E o segundo delito é a "difusão de informação falsa", o que, novamente, tem amplitude suficiente para abranger qualquer coisa, bastando para isso que o governo diga que essa coisa é falsa. Por exemplo, imagino que, se algum técnico venezuelano opinar que os apagões de lá são consequência de incompetência do governo, o governo aparece, brande as estatísticas que estão sempre à disposição de qualquer governo e prende o técnico, não por delito de opinião, decerto, mas por divulgar informação falsa - a cadeia é a mesma, mas ninguém pode alegar que motivo da prisão também é.
Como, no Brasil de hoje, o governo e seus prepostos na máquina pública (que devia ser do Estado, mas é do governo) parecem estar empenhados em regulamentar todos os aspectos de nossa vida, venho até estranhando que não tenham ressuscitado a regulamentação da profissão de escritor, um projeto que já ocupou o Congresso e que também era "de esquerda". Regulamentada essa profissão, que, na definição concebida pelos seus defensores, incluiria até mesmo os redatores de bulas de remédio e, com um pouquinho mais de esforço, os autores das comunicações internas dos condomínios residenciais, a primeira providência seria, naturalmente, sindicalizar os escritores. Depois viria a obrigatoriedade, para quem quisesse escrever, de filiar-se ao sindicato, pagar o imposto sindical e as mensalidades e seguir as orientações da categoria. Entre estas, com certeza, terminariam por constar diretrizes baixadas em assembleias gerais com a participação de cinco escritores profissionais, dez mil escritores eventuais e quatrocentos mil inéditos. Como, no sofisticado Brasil de hoje, se acredita que democracia quer dizer tirania da maioria, o escritor que se recusasse a aderir às posições do sindicato poderia ser expulso dele, passando assim a não ter mais direito de exercer a profissão. Quanto às editoras, é bem possível que o projeto venha a ser reformulado para obrigar qualquer editora que atue no Brasil a obedecer a uma pauta de publicação. Poderá ser criada uma lista de temas obrigatórios definidos pelo Conselho Nacional de Literatura e, com certeza, será aprovado um dispositivo que imporá às editoras dedicar um significativo percentual de sua produção a títulos de autores inéditos, outro a autores de cada Estado mediante indicação dos conselhos estaduais, outro a mulheres, outro a idosos e, finalmente, conquista das conquistas, a quotas para escritores negros. É, isso tudo realmente dá um certo cansaço. Mas não se pode descansar, porque o preço do descanso é a vitória do atraso e da burrice.
quinta-feira, 11 de março de 2010
LULA, O CÚMPLICE DE DITADURAS: O MUNDO, ENFIM, ABRE OS OLHOS
A ficha demorou a cair e não foi por falta de aviso: Lula, fundador do Foro de São Paulo, não pode ir contra os seus velhos companheiros. Há anos, as “vivandeiras de direita”, os “paranóicos”, os caçadores de “homenzinhos vermelhos” dizem que Lula é amante de ditaduras e de regimes totalitários. Como não mexeu na economia que os tucanos deixaram, pensaram logo: “Ah, Lula é um governante responsável”. Enquanto isso, nas zonas de sombra do governo, seus esbirros começaram a traçar a linha de apoio internacional incondicional aos tiranos.
Com a morte de Orlando Zapata, o apoio de Lula à ditadura de Fidel Castro ficou claramente demonstrado. O que para mim não era novidade, para a imprensa tupiniquim, que lhe babava os ovos, é fator, agora e só agora, de indignação. O malabarismo mental – que sempre deságua no cinismo – para culpar os dissidentes cubanos pelas etapas que estão pagando mostram o que Lula faria se pudesse fazer o mesmo no Brasil.
Com cara de tacho, a imprensa brasileira e mundial vê a desfaçatez de Lula e sua camarilha que “não se intrometem” em assuntos cubanos. Não. Só nos hondurenhos. Só nos assuntos de quem não é da “turma”.
Acho que caiu também um pouco a máscara dos defensores dos direitos humanos do governo como o senhor Vanucchi. Afinal, os direitos humanos valem pra todo mundo ou existem humanos mais humanos que os outros?
A comparação pra lá de infeliz do Çábio de Garanhuns, do Meçias do ABC, que faz de dissidentes parceiros de Marcola e Fernandinho Beira-Mar beira a demência. É um insulto! Uma covardia contra aqueles que lutam contra uma ditadura feroz sem pegar em armas e para devolver o seu país à democracia, da qual está afastada há mais de 50 anos.
Parece que o mundo acordou. Parece que a imprensa, meio desiludida, está acordando. Só espero que não seja tarde demais e passem a denunciar, com mais determinação, todas as tentativas de Lula e seus comparsas de minar a democracia. Ah, sim, e que a imprensa passe a chamar as coisas pelo nome.
Lula insultou presos políticos. Defendeu ABERTAMENTE uma tirania. É bom que fiquemos vigilantes.
quarta-feira, 10 de março de 2010
CHÁVEZ , FARC E ETA
A Justiça da Espanha está começando a destrinchar os turvos relacionamentos entre o Demente de Caracas e os seus amiguinhos gente-boa das Farc e da Organização Separatista Basca ETA, responsáveis por atentados, sequestros, assassinatos -essas coisas admiradas pela esquerda. Se a investigação for profunda, a justiça espanhola vai chegar ao Foro de São Paulo. Talvez agora – já que a notícia saiu no El País –, alguns jornalistas comecem a parar de pensar que isso seja coisa de, como é mesmo?, “vivandeiras de direita” e comecem a se informar mais do que é essa organização política. Até porque taí a cumplicidade Lula com as masmorras de Fidel – mais Foro de São Paulo que isso não dá, né? Taí Lula seguindo os passos de Chávez, apoiando o Irã. Mais Foro de São Paulo que isso, só se desenhar.
Elio Gaspari já falava que a América Latina vai bem. Vai. Com governos apoiando a ditadura castrista em Cuba e o programa nuclear do Irã.
domingo, 7 de março de 2010
É PRA ISSO QUE LULA PERDOA A DÍVIDA EXTERNA DOS PAÍSES POBRES?
RIO - Avenida Vieira Souto, 206. Este será o endereço da família Obiang no Rio, se concretizada a compra de um apartamento triplex em prédio de cinco andares projetado por Oscar Niemeyer há meio século: são dois mil metros quadrados de área útil, com rampa entre a sala de 720 metros e o pátio da cobertura, em ângulo com o magnético mar de Ipanema.
Os Obiang costumam se destacar nas listas das famílias mais ricas do planeta, como as da revista “Forbes”. Há três décadas detêm a hegemonia do poder e dos negócios na Guiné Equatorial, país do tamanho de Alagoas, onde 520 mil pessoas vivem em cima de um oceano de petróleo espraiado pelo Golfo da Guiné —o braço do Atlântico que invade a África, na região conhecida como coração geográfico da Terra, porque ali se cruzam as linhas do Equador (0º de latitude) e do meridiano de Greenwich (0º de longitude).
Leia mais aqui.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
A BATALHA PELA ESPANHA, de Antony Beevor – Parte 3 de 4
E aqui continuamos a nossa saga através da Guerra Civil Espanhola. Esta é a penúltima parte e falaremos, entre outras coisas de Guernica. Como não custa lembrar TODAS as respostas foram tiradas do livro que dá título a este post.
No que diferia a propaganda republicana da nacionalista?
Muitas vezes muito pouco. Ambos os lados aproveitavam incidentes isolados para defender ideias gerais.
O que dizia a propaganda republicana?
Os republicanos espalhavam histórias de horror sobre regulares mouros que cortavam a mão de crianças que fechavam o punho, para o caso de estarem fazendo a saudação esquerdista. Também contavam milagres seculares, como as bombas nacionalistas que não explodiam porque continham mensagens de solidariedade de operários estrangeiros em vez de explosivos. Houve, sem dúvida, casos de operários de fábricas de munição que praticaram sabotagem, mas o exagero da propaganda republicana desenvolveu tamanho apego à vã esperança que cabou se tornando uma grande desvantagem. Depois que o governo despertava um louco otimismo em relação à determinada ofensiva, ficava praticamente impossível admitir o fracasso, e isso levou à perda de grande quantidade de homens e material bélico na defesa de ganhos inúteis.
O que dizia a propaganda nacionalista?
As suas primeiras notícias traziam “massacres vermelhos” a ponto da imprensa católica estrangeira acorrer em apoio ao levante nacionalista no seu começo. A acusação mais sensacional foi o estupro de freiras, sendo que uma invenção semelhante datava da Idade Média, quando foi usada para justificar uma chacina de judeus. Os nacionalistas pisavam em terreno mais firme ao condenarem o assassinato de padres e tiveram o apoio do Papa, que declarou que os padres eram mártires. A maré só começou a virar a favor da República em novembro de 1936, com o bombardeio dos bairros operários e do Hospital San Carlos durante a batalha de Madri. Cinco meses depois, a destruição de Guernica deu à República sua maior vitória na guerra propagandística, principalmente porque os bascos eram conservadores e católicos.
Afinal, Guernica foi bombardeada?
A pergunta parece uma loucura, mas é que tem muita gente que não acredita na destruição de Guernica.
É claro que ela foi bombardeada. E foi sim bombardeada pela Legião Condor alemã. Quem diz que não houve o bombardeio talvez não tenha tido acesso ao diário de guerra de um dos comandantes da Legião Condor, Wolfram Von Richtofen, que contradiz por completo a versão nacionalista de que o ataque teria sido feito pelos republicanos:
“K/88 [forças de bombardeio da Legião Condor] foi apontada para Guernica, com a intenção de desorganizar e fazer cessar a retirada dos vermelhos, que precisam passar por aqui.”
A que horas deu-se o início do bombardeio de Guernica?
Às 4 e meia da tarde, uma segunda-feira, 26 de abril. Um único bombardeiro Heinkel 111 da “esquadrilha experimental” da Legião Condor chegou sobre a cidade, despejou sua carga no centro e logo desapareceu.
E o que aconteceu em seguida?
A maior parte da população saiu dos abrigos e foi ajudar os feridos. Mas não contavam com a volta da esquadrilha, 15 minutos depois, lançando bombas de vários tamanhos. Os que correram de volta aos abrigos foram sufocados pela fumaça e pela poeira e ficaram alarmados porque já estava evidente que os abrigos não resistiriam às bombas mais pesadas. As pessoas correram para os campos ao redor da cidade e as esquadrilhas de caças Heinkel 51 chegaram metralhando e lançando granadas sobre os homens sobre as mulheres e as crianças. A parte principal do ataque sequer começara. Às 17:15, ouviu-se o som dos motores áereos. Os soldados identificaram-nos imediatamente: eram os Junkers 52. Três esquadrilhas, vindas de Burgos, cobriram a cidade de bombas sistemáticas em ataques revezados de vinte minutos durante duas horas e meia.
De que eram constituídas as cargas dos aviões?
De bombas pequenas e médias, além de outras de 250 quilos, bombas antipessoais de 20 libras (nove quilos) e bombas incendiárias. As incendiárias eram jogadas dos Junkers em tubos de alumínio de um quilo, como se fossem confete metálico.
Qual foi o número de baixas?
Segundo o governo basco, as baixas corresponderam a cerca de um terço da população da cidade – 1654 mortos e 889 feridos, embora pesquisas mais recentes indiquem que não foram mortas mais de trezentas pessoas. E aqui, é claro, também entrou em ação a máquina bem azeitada de propaganda da esquerda. Enquanto os números de mortos em Guernica “aumentavam”, os da Prisão Modelo de Paracuelos de Jarama, controlada pelos republicanos, foram “esquecidos”. Alguns deles simples eram simpatizantes dos nacionalistas, mas foram fuzilados. Seu número exato: 970 mortos. A ordem dada era executá-los e ocultar a responsabilidade dos republicanos. Houve um pequeno grupo que foi liberado para demonstrar às embaixadas estrangeiras o “humanitarismo” da República.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
QUEM ANDA PRA TRÁS É CARANGUEJO…
Enquanto no Brasil ainda existem marxistas, stalinistas, maoístas e outros tipos de dementes, a Letônia vende uma cidade inteira para se livrar de seu passado soviético.
Ah, sim, e na Letônia, pelo jeito, não tem mimimi em relação às privatizações.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
O MOSQUITO DA DENGUE NO MINISTÉRIO DA SAÚDE
Leio hoje no Globo que Hugo Chávez, definitivamente surtado, vai colocar um cubano de suas relações para resolver o problema de racionamento de energia elétrica da Venezuela. É isso! Chávez quer desmoralizar a esquerda de vez. Deve ser um direitista infiltrado unicamente com este propósito. Afinal de contas, sabemos que o know how cubano em racionamento de energia é um dos melhores do mundo: todo dia tem apagão. Deve ser isso que a esquerdalhada chama de “paraíso”.
A Venezuela, como sabemos, é um dos membros da OPEP. É um país autossuficiente em petróleo e, sim, tem problemas energéticos. Como Cuba, que era um dos maiores exportadores de açúcar do mundo antes da revolução e hoje tem que comprar o produto.
Colocar um cubano pra tomar conta do setor de energia seria o mesmo que colocar o Mosquito da Dengue pra comandar o Ministério da Saúde.
Ainda falando da influência cubana nas terras bolivarianas de seu Chávez Frías, a verdadeira razão da saída de quatro de seus mais próximos colaboradores não foram os sempre alegados problemas pessoais. Foi a decisão do Demente de Caracas de naturalizar cubanos para que possam fazer parte da administração pública venezuelana, como o Ministério das Comunicações, por exemplo, um ramo no qual, como sabe qualquer um que não tome sorvete pela testa, Cuba se destaca com galhardia – sobretudo quando é para impedir alguém de falar.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
A BATALHA PELA ESPANHA, de Antony Beevor – Parte 2 de 4
E continuamos com a história da guerra civil espanhola. Todas as respostas foram tiradas do livro que ilustra o post. Esta é a segunda parte. Ainda faltam duas.
Quais as diferenças entre o falangismo, o nazismo e o fascismo?
O falangismo diferia do nazismo e do fascismo em sua natureza profundamente conservadora. Mussolini usava símbolos romanos e imagens imperiais em seus discursos apenas pelo efeito propagandístico. A Falange, pelo contrário, usava fraseologia moderna e revolucionária mas permanecia fundamentalmente reacionária. A Igreja era a essência da Hispanidad. O novo Estado “se inspiraria no espírito da religião católica que é tradição na Espanha.” Os seus símbolos eram os de Fernão e Isabel: o jugo do Estado autoritário e as flechas da aniquilação para acabar com a heresia. Não só pegaram emprestados os símbolos como tentaram reviver a mentalidade castelhana. O falangista ideal era imaginado como “meio monge, meio soldado”. A exemplo do que já foi dito na série “Fascismo de esquerda” em relação ao nazismo e ao fascismo, os falangistas também possuíam aspectos socialistas. Alguns falangistas atacavam a “falência social do capitalismo” e denunciavam as condições de vida dos operários e camponeses, mas consideravam o marxismo repugnante como ideologia por não ser espanhol e porque a luta de classes enfraquecia a nação. O país tinha que estar fortemente unido num sistema no qual o empregador não pudesse explorar o empregado.
Houve por parte do Comintern alguma preocupação em ocultar a revolução que estaria em marcha na Espanha?
Sim. Por incrível que pareça, os defensores mais loquazes da propriedade não eram os republicanos liberais, mas o Partido Comunista e seu ramo catalão, o PSUC. Ambos seguiam a linha do Comintern de ocultar a revolução. La Pasionária (cujo bordão “No pasarán” é um plágio de uma fala de Petain) e outros membros do seu comitê central negaram enfaticamente que algum tipo de revolução estivesse acontecendo na Espanha e defenderam com todo vigor empresários e pequenos proprietários. Isso numa época em que camponeses ricos ou cúlaques morriam nos Gulags. O Comintern, sem admitir de modo algum uma contradição tão flagrante, registrou as palavras de ordem comunistas recomendadas para a região rural nos arredores de Valência: “Respeitamos os que querem trabalhar em sua terra como um coletivo, mas também pedimos respeito por aqueles que querem cultivar a sua terra individualmente” e “Oprimir os interesses dos pequenos fazendeiros é oprimir os pais de nossos soldados”. Essa postura anrirrevolucionária receitada por Moscou levou em grande número elementos da classe média para as fileiras comunistas.
Por que Mussolini torcia pela criação de um estado fascista no Mediterrâneo?
Não é que ele só torcesse por isso. A verdade é que ele mal podia esperar por isso, sobretudo um estado que estaria em dívida com ele. Sua grande ambição era rivalizar com o poderio naval britânico e desafiar os franceses no norte da África. O aliado espanhol poderia controlar os estreitos tomando Gibraltar e permitir a possibilidade de bases nas Ilhas Baleares, mas sua frota provavelmente não rivalizaria com a dele. A conquista da Abissínia por Mussolini aumentara muito suas ilusões sobre o poderio italiano.
Por que Hitler ajudou Franco?
Por razões estratégicas. Uma Espanha fascista seria uma ameaça à retaguarda da França, assim como à rota britânica para o Canal de Suez. Havia até a possibilidade tentadora de bases de submarinos no litoral atlântico (De vez em quando os portos espanhóis de Vigo, El Ferrol, Cádiz e Las Palmas foram usados durante a Segunda Guerra Mundial.) A guerra civil serviu também para desviar a atenção de sua estratégia centro-europeia, ao mesmo tempo em que constituía uma oportunidade de treinar os homens e experimentar táticas e equipamento.
O papel das Brigadas Internacionais foi superdimensionado?
Sim. A história das Brigadas foi distorcida de várias formas não só devido à propaganda que exagerou seu papel de forma desproporcional em relação às formações espanholas; surgiu a impressão, principalmente na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, de que eram compostas de intelectuais de classe média e “Beau Gestes” ideológicos mortos em ação. Na verdade, quase 80% dos voluntários da Grã-Bretanha eram trabalhadores braçais que largaram o emprego ou estavam desempregados. Alguns ficaram contentes de fugir da apatia do desemprego; outros já vinham combatendo fascistas em lutas de rua. Mas a maioria tinha pouca noção do que realmente significava a guerra.
Os nacionalistas se aproveitaram do medo do comunismo?
Sim. Eles afirmavam representar a causa do cristianismo, da ordem e da civilização ocidental contra o “comunismo asiático”. Para reforçar essa versão dos fatos, alegavam, com base em documentos forjados, que os comunistas tinham planejado uma revolução com 150 mil soldados em tropas de choque e 100 mil na reserva em 1936, golpe que o levante nacionalista impedira. Declararam que o resultado das eleições de 1936 não era válido, embora a Ceda e os líderes monarquistas tivessem-no aceitado na época. Concentraram-se em apresentar a vida na zona republicana como um massacre perpétuo de padres, freiras e inocentes, acompanhado da destruição frenética de igrejas e obras de arte. E, para justificar por que não tinham conseguido tomar Madri, afirmaram que meio milhão de comunistas estrangeiros lutavam na Espanha.
Qual era a defesa dos republicanos?
Na verdade, era supersimplificada. Os republicanos alegavam que tinham sido eleitos legalmente em 1936 e depois foram atacados por generais reacionários auxiliados pelas ditaduras do Eixo. Assim, a República representava a causa da democracia, da liberdade e do esclarecimento contra o fascismo. A propaganda estrangeira da República enfatizava que ela era o único governo legal e democrático da Espanha. É claro que isso era verdade, comparado à ilegalidade e do autoritarismo de seus adversários, mas houve ocasiões em que nem os políticos liberais e de centro-esquerda respeitaram sua própria constituição. O levante de outubro de 1934 muito prejudicou a sua causa contra os rebeldes.
Quando os nacionalistas sentiram que estavam perdendo a guerra da propaganda?
Na verdade, vários fatores contribuíram para isso. Primeiro, havia uma diferença fundamental na atitude dos comandos militares adversários no trato com a imprensa. Os nacionalistas costumavam ver jornalistas como espiões potenciais e devam-lhes pouca liberdade de movimento, principalmente caso pudessem testemunhar um episódio de limpeza.
Os terminais telegráficos internacionais estavam em território republicano, e assim os joranlistas daquela zona tinham suas reportagens publicadas primeiro. As notícias da zona nacionalista costumavam chegar desatualizadas.
Os jornalistas também eram afetados pelas emoções da época. Muitos se tornaram defensores fiéis e muitas vezes acríticos da República depois do terrível cerco de Madri. Sua dedicação afetou a cobertura de questões posteriores, como as manobras do Partido Comunista para assumir o controle. Os ideais da causa antifascista anestesiaram muitos deles para aspectos da guerra que se mostraram constrangedores.
Havia também vários tipos de censura e pressão que afetavam as reportagens publicadas em outros países. Iam dos comunicados com tendência propagandística dos encarregados das relações públicas do governo e da censura republicana até os preconceitos políticos ou comerciais do editor.
A primeira parte está aqui.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
10 NOVAS AMEAÇAS AMERICANAS QUE CHÁVEZ PODE DENUNCIAR
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
RACISMO EM CUBA
Meu super-amigo-irmão Gravataí Merengue, tempos atrás, lançou a pergunta: quem, da alta cúpula do governo cubano, possui excesso de melanina na pele? Em outras palavras, quem é o negro que ocupa uma das pastas do ministério cubano? A resposta se perdeu por aí. Todo mundo fez que não escutou...
A população de Cuba é composta de 70% de negros. Aqui no Brasil querem cotas de 20% pra negros em NOVELAS!!! Sim, num país com 5% da população negra, querem 20% das vagas. Em Cuba, que os petistas tanto veneram, eles são perseguidos. A única cota que eles têm direito é a de porrada, já que formam a maioria da população carcerária da ilha onde todos são iguais... Ma non troppo...
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
A BATALHA PELA ESPANHA, de Antony Beevor – Parte 1
Imagine que você é um espanhol comum, sem grandes paixões políticas e ideológicas e que tenta levar sua vida de uma maneira normal, frequentando os amigos, levando os filhos no colégio, bebericando de vez em quando, ganhando honestamente o seu dinheiro. De repente, a esquerda vence as eleições – ela, que já tinha tentado dar um golpe de estado anos antes – e a direita, revoltada, resolve promover um levante para derrubar o governo eleito legalmente. Para onde correr? Da noite para o dia, você terá que escolher entre os Brancos, os nacionalistas de Franco e os comunistas da Frente Popular. É algo assim como escolher entre o câncer e a aids.
Retomando as “séries históricas” do LEITE DE PATO, no esquema de perguntas e respostas baseadas no livro “A batalha pela Espanha”, de Antony Beevor, este blog tentará mostrar o que foi a Guerra Civil Espanhola. Claro que tudo isto é um pequeno pedaço do livro altamente detalhista de Beevor, mas já dá pra se ter uma noção do que foi o conflito que antecedeu a Segunda Guerra Mundial.
Esta série será dividida em quatro partes.
* * *
É correto afirmar que a Guerra Civil Espanhola foi um confronto entre esquerda e direita?
Trata-se de uma simplificação enganosa. Surgiram dois outros eixos de conflito: o centralismo estatal contra a independência regional e o autoritarismo contra a liberdade do indivíduo. As forças nacionalistas da direita eram muito mais coesas porque, com poucas exceções, combinavam três extremos coesivos. Eram ao mesmo tempo de direita, centralistas e autoritárias. A República, por outro lado, constituía um caldeirão de incompatibilidades e suspeitas mútuas, com centralistas e autoritários, principalmente comunistas, enfrentando a oposição de regionalistas libertários.
A Guerra Civil Espanhola continua a ser um dos poucos conflitos modernos cuja história foi escrita com mais eficácia pelos perdedores que pelos vencedores.
Se a coalizão de direita tivesse vencido as eleições de 1936, a esquerda aceitaria o resultado?
Há fortes suspeitas de que não. O líder socialista Largo Caballero ameaçou abertamente, antes das eleições, que, se a direita vencesse, haveria uma guerra civil declarada. Caballero, é bom frisar, declarou que queria uma República sem classes, mas para conseguir isso uma classe teria de desaparecer. Isso era uma repetição óbvia da intenção declarada de Lênin de eliminar a burguesia.
Mas uma vitória da esquerda, em 1937 ou 1938, teria levado a uma escala de execuções comparável à de Franco?
É claro que é impossível saber e não se pode julgar inteiramente pela guerra civil russa, mas esta é ainda uma pergunta que não se deve rejeitar. O vencedor de qualquer guerra civil, como afirmaram vários historiadores, está fadado a matar mais devido ao ciclo de medo e ódio.
Por que o anarquismo se tornou a maior força junto à classe operária espanhola?
A estrutura proposta de comunidade cooperativas livremente associadas correspondia às tradições profundamente enraizadas de ajuda mútua, e a organização federalista falava aos sentimentos anticentralistas. Também constituía uma forte alternativa moral a um sistema político corrupto e a uma Igreja hipócrita. Muitos observadores ressaltaram o otimismo ingênuo que o anarquismo inspirava nos camponeses sem terra da Andaluzia. Muito também foi dito sobre o modo como a ideia foi disseminada por personagens ascéticos, quase santos, e como os convertidos largavam o fumo, o álcool e a infidelidade (conquanto rejeitassem o casamento oficial). Chegou a ser descrito como uma religião secular. A intensidade deste primeiro anarquismo levou os convertidos a acreditar que o mundo veria que a liberdade e a ajuda mútua eram a única base da sociedade naturalmente organizada. Bastaria abrir os olhos do povo, libertar o enorme potencial de boa vontade e deflagrar o que Bakunin chamava de “criatividade espontânea das massas”.
Por que o desenvolvimento dos socialistas foi lento na Espanha?
A sociedade espanhola era predominantemente agrícola e Marx sentia profundo desprezo pelo campesinato, o qual chamava de “idiotia da vida rural”. Ele acreditava que o capitalismo só seria derrubado pela sua própria criação, o proletariado industrial. Mas na Espanha, a maior parte das indústrias se concentrava na Catalunha, bastião do anarquismo. Além disso, a ênfase que os marxistas davam ao estado centralizado ampliava seu insucesso. Os adversários dos marxistas, mesmo nos movimentos de esquerda, chamavam-nos de los autoritarios.
Como era visto o exército espanhol antes da Guerra?
Embora basicamente reacionário, às vezes era visto como aliado do povo contra os políticos corruptos e como força de regeneração nacional.
Qual a diferença de votos nas eleições de 1936, a última da Espanha antes da Guerra Civil?
A Frente Popular, de esquerda, venceu por pouco mais de 150 mil votos de diferença. A lei eleitoral que beneficiara a direita em 1933 agora ajudara a esquerda. A Frente Popular recebeu a maioria das cadeiras das Cortes. Mesmo assim, ignorou a estreiteza de sua vitória e passou a se comportar como se tivesse recebido um mandato avassalador para efetivar a mudança revolucionária.
Quais as consequências econômicas da vitória da Frente Popular?
Antes de mais nada, é bom ressaltar que a Espanha passava por uma grave crise financeira desde 1931. Mas assim que venceram as eleições de 1936, os trabalhadores fizeram enormes exigências salariais, muito além do que as fábricas e fazendas poderiam suportar. As greves se multiplicaram, o desemprego aumentou, o valor da peseta caiu muito no câmbio internacional. O gabinete de transição não conseguiu equilibrar a situação. A impressão geral de um colapso da lei e da ordem caiu como um presente nas mãos da direita antidemocrática.
CONTINUA EM BREVE.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
O SAMBA BOLIVARIANO DE UMA NOTA SÓ CHEGA A COPENHAGUE
Está rolando a Conferência do Fim do Mundo lá em Copenhague. Para animar a plateia, só faltava a chegada dos dois pajés: os bolivarianos Hugo Chávez e Evo Morales.
Chávez reclamou, para variar, do imperialismo. Aí eu imagino algumas pessoas no auditório se entreolhando até que um deles fala:
- Caralho, esse papo chato de novo? Vamo tomar uma coisinha lá fora?
Depois foi a vez de Evo Morales pedir o fim do capitalismo. Pelo jeito, a Bolívia vai acabar antes. E não por causa do capitalismo. Mas pela falta dele…
domingo, 13 de dezembro de 2009
CHEIRO BOLIVARIANO NO CHILE
O candidato independente a presidência do Chile, Marco Enríquez-Ominami respondeu ao que não foi perguntado pela repórter do Globo, Cristina Azevedo, na edição de ontem. Diz o moço:
Não aspiro a ser um ditador. Aspiro a ser presidente do Chile e a coordenar um grupo de forças para derrotar a pobreza.
Hummm… Em nenhum momento Cristina perguntou se ele queria ser um ditador e ele foi logo se apressando em fazer esta afirmação.
Sei não…. Quando um sujeito diz que não quer ser ditador sem ninguém ter perguntado é porque quer ser ditador. Taí o Hugo Chávez que não me deixa mentir.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
FASCISMO DE ESQUERDA – PARTE FINAL
Esta é a última parte do “bate-papo'” sobre o livro “Fascismo de esquerda”, de Jonah Goldberg. Claro que esta série é uma pálida ideia do traz a obra de Goldberg, que é uma bordoada no progressista supostamente virtuoso que veio “para nos salvar” sem que muitos não tenham pedido para serem salvos. Sei que boa parte dos leitores gostou do que foi publicado, porque tiveram informações sobre fatos históricos que sempre são colocados de lado por uma questão de conveniência. Outros estão bufando, porque descobriram que suas bandeiras, tão caras, tão estimadas e tão boazinhas tiveram origem no nazifascismo. E vão continuar de antolhos, correndo atrás da cenourinha ideológica para tentar continuarem de bem com a sua consciência.
Mas tudo que vem da esquerda é ruim? Claro que não! Mas o fato de você se considerar um esquerdista não o coloca automaticamente no lado mais virtuoso do debate. E ser de direita ou conservador não é nenhum crime, como qualquer pessoa com mais de dois neurônios já sabe. Isto ficou claro.
Comprem o livro. Lá tem muito mais.
1. De onde vem a ideia de que os “valores de família” são fascistas?
Ela possui uma longa genealogia, remontando, mais uma vez à Escola de Frankfurt. Max Horkheimer argumentava que a raiz do totalitarismo nazista era a família. Mas a verdade não poderia estar mais distante disso. Embora a retórica nazista frequentemente mostrasse deferência à família, a prática concreta do nazismo era compatível com o esforço progressista de invadir a família, romper suas paredes, destruir sua autonomia. A família tradicional é a inimiga de todos os totalitarismos políticos porque é um bastião de lealdades separado do Estado e anterior a ele, razão pela qual os progressistas estão constantemente a quebrar sua casca.
2. Havia, por parte do nazismo, hostilidade contra o Cristianismo?
Basta ler Table talk, livro de Hitler. Mais claro que isso é impossível, sobretudo no quis respeito à sexualidade. O Cristianismo, junto com o Judaísmo, rejeitava a visão pagã de sexo como gratificação, atribuindo-lhe significado moral. Ao ler o livro é quase impossível não ver Hitler como um livre-pensador de mente aberta. Ele diz: “O casamento, tal como praticado na sociedade burguesa, é, em geral, uma coisa contra a natureza”. E continua: “A religião está em perpétuo conflito com o espírito de livre indagação”. E mais: “Para nós, a catástrofe é estarmos amarrados a uma religião que se rebela contra todos os prazeres dos sentidos.” Hitler tinha profundo desprezo pelos preconceitos sociais que condenam os nascimentos fora do casamento: “Eu amo ver essa exibição de saúde à minha volta.”
3. E a posíção dos nazistas em relação ao homossexualismo?
Essas atitudes ainda são fonte de confusão. É verdade que muitos homossexuais foram enviados à campos de concentração, mas também é fato que o Partido Nazista e as organizações pangermânicas ao seu redor estavam cheias de homossexuais. O chefe das SA, Ernst Rohm era homossexual assumido. Quando integrantes ciumentos das SA tentaram usar esse fato contra ele em 1931, Hitler disse: “A homossexualidade de Rohm é puramente privada”.
4. O que há de fascismo no ambientalismo?
Com certeza, não são suas etéreas e obscuras suposições metafísicas a respeito do infortúnio existencial do homem. Em vez disso, seu ingrediente fascista mais tangível é o fato de ser um inestimável “mecanismo de crise”. Al Gore constantemente insiste em que o aquecimento global é a crise definidora de nossos tempos. Céticos são chamados de traidores, negadores do Holocausto, instrumentos de interesses escusos. Alternativamente, ambientalistas progressistas apresentam-se no papel de samaritanos protetores. Gore afirma que não tempo para debates, para nenhum tipo de discussão. Em termos práticos, isso significa que precisamos nos render ao Estado-babá global e criar o tipo de “ditadura econômica” pela qual anseiam os progressistas.
5. Nesta questão de ambientalismo, os nazistas saíram na frente de novo?
Sim. Eles foram os primeiros a usar a luta contra a poluição do ar, a criação de reservas naturais e a necessidade de reflorestamento como pontos centrais de sua plataforma.
6. Afinal, o que defende um conservador?
Basicamente é alguém que defende e protege o que são consideradas intituições liberais, mas não no sentido americano, e sim europeu, mas que são consideradas conservadoras nos Estados Unidos. Propriedade privada, mercados livres, liberdade de consciência e os direitos das comunidades de determinar por elas mesmas como viverão no espaço delimitado por essas diretrizes.
7. É correto dizer que os conservadores se opõem ao progresso como diz a esquerda?
Claro que não. Os conservadores americanos não se opõem à mudança nem ao progresso. Nenhum conservador que restaurar a escravidão ou acabar com o papel-moeda. Mas o que o conservador acredita é que o progresso resulta da resolução das inconsistências dentro de nossa tradição, e não de jogá-la fora.
8. Qual é a maior ameaça dentro disso tudo?
A mais grave é que estamos perdendo a noção de onde a política começa e onde ela termina. Numa sociedade na qual se se supõe que o governo deva fazer tudo de “bom” e tenha sentido “pragmático”, numa sociedade na qual se recusar a validar a autoestima de outra pessoa é quase um crime de ódio, numa sociedade na qual o que é pessoal é político, existe o perigo constante de que um culto ou outro seja imbuído de poder político.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
FASCISMO DE ESQUERDA – PARTE 4
A quarta parte deste “bate-papo” fala de cinema, aborto, ainda um pouco de eugenia, educação e a guerra cultural.
1. Em 2005, William Bennett, um pró-vida convcto, invocou o argumento de Steven Levitt (“O aborto legalizado levou à diminuição de crimes”) para denunciar o pensamento eugênico e foi execrado pelos liberais. Por que isso aconteceu?
O capítulo em que Levitt trata do aborto em Freakonomics é uma atualização de um artigo que ele escreveu em 1999. Textual: “O aborto legalizado levou à diminuição de filhos indesejados; filhos não desejados cometem mais crimes; o aborto legalizado, portanto, levou a menos crimes”. O problema é que Freakonomics removeu todas as referências à raça e nunca correlacionou os fatos de que, como os fetos abortados são desproporcionalmente negros, e os negros contribuem desproporcionalmente para a taxa de crimes, a redução do tamanho da população negra reduz crimes. A imprensa na época não pareceu se importar, só quando Bennett, um pró-vida, usou o mesmo argumento para denunciar a eugenia.
2. O que Bennett disse?
Ele disse: “Sei que é verdade que, se quiser reduzir os crimes, você poderia – se fosse seu único propósito – abortar todos os bebês negros neste país, e sua taxa de crimes cairia. Isso seria uma coisa impossível, ridícula e moralmente repreensível de se fazer, mas a taxa de crimes cairia.” O que parece haver ofendido os liberais, acima de tudo, foi que Bennett havia acidentalmente tomado emprestada uma lógica convencional de esquerda para afirmar um ponto de vista conservador e, tal como acontecia com os darwinistas sociais de antigamente, isso deixa os liberais bastante aborrecidos. Vários porta-vozes negros disseram que Bennett queira exterminar negros e que era profundamente racista. Ora, trata-se de uma reviravolta espantosa. Afinal, quando os liberais defendem abortos, usualmente dizem que não matam “bebês”, apenas removem um aglomerado de células. Se abortos HIPOTÉTICOS cometidos para fins conservadores são infanticídios, como é possível que abortos reais realizados para fins liberais não o sejam?
3. E o que dizer de Peter Singer?
Singer é considerado o mais importante filósofo vivo e o principal eticista do mundo. Ele leciona em Princeton e argumenta que crianças indesejadas ou inválidas devem ser mortas em nome da “compaixão”. Ele também defende que idosos e outros estorvos sociais devem ser eliminados quando suas vidas não valem a pena ser vividas. Singer é uma das principais vozes da esquerda e mostra que, apesar do Holocausto ter desacreditado a eugenia per se, seus defensores ainda estão vivos e bem influentes.
4. Afinal, os grandes negócios são coisa de direita?
Se são, precisam ser avisados disso. Por que financiam atividades liberais e esquerdistas e se vangloriam disso em comerciais e campanhas de publicidade? Como explicar que não exista praticamente nenhuma questão importante nas guerras culturais – seja o aborto, o casamento de gays ou as ações afirmativas – nas quais os grandes negócios tenham desempenhado um papel relevante do lado da direita americana, enquanto existem dezenas de corporações que apóiam o lado liberal?
5. Uma das razões para escrever este livro?
Furar a bolha da presunçosa autoconfiança de que simplesmente por ser de esquerda alguém é automaticamente virtuoso.
6. Mas os problemas da esquerda no passado não são apenas problemas do passado?
Os problemas da esquerda de hoje se encontram na esquerda de hoje, não há dúvida. A relevância de se falar no passado está em que, diferentemente do conservador que tem lutado com sua história para se certificar de que não vai repeti-la, a esquerda não vê necessidade de fazer nada parecido.
7. O que pode explicar o amor de esquerdistas por homens como Che, Arafat, Castro, Mao?
Isto está ligado claramente à obsessão da esquerda pelos valores fascistas de autenticidade e vontade. É uma inclinação natural por “homens de ação”. A esquerda tem uma queda inerente por homens que “transcendem” a moralidade e a democracia burguesa em nome da justiça social.
8. E quanto à educação progressista?
Ela tem dois pais. A Prússia e John Dewey, guru de Hillary Clinton. O jardim de infância foi transplantado da Prússia para os Estados Unidos no século XIX porque os reformadores americanos estavam totalmente encantados pela ordem e pela doutrinação patriótica que crianças pequenas recebiam fora de casa. Além disso, achavam que era a melhor forma para extirpar traços não americanos dos imigrantes. Para outros progressistas, capturar crianças nas escolas era parte de um esforço maior para quebrar a espinha dorsal da família nuclear, a instituição mais resistente à doutrinação política.
9. Que cuidados devemos ter em relação aos nossos filhos?
Tenham cuidado dos engenheiros sociais. Eles querem “criar” um novo tipo de ser humano. Essas novas crianças precisarão aprender a amar a todos como se fossem parte da família, afinal, múltiplos vínculos se tornarão o ideal. Timidez e vínculo materno exclusivo parecerão disfuncionais. Querem desenvolver novos tratamentos para crianças com vínculos maternos excessivos. Por tratamento entenda-se propaganda, que já fazem parte de alguns livros adotados em escolas progressistas como “Mamãe, vá embora!”. A boa criança será aquela mais ligada “a “comunidade” e menos ligadas a seus pais.
10. Os liberais se preocupam basicamente com o quê?
Com a cultura. Ou melhor, com a imposição de cultura. Durante a década de 1990, por exemplo, o liberalismo mergulhou de cabeça no negócio de formação de cultura, desde a política de significado de Hillary Clinton até critérios de desempenho adaptados às características de gênero nos esportes universitários, a presença de gays nas Forças Armadas e a guerra ao cigarro. Em 2007, para se ter uma ideia, uma creche progressista em Seattle proibiu o uso do Lego porque, com aquele brinquedo, “as crianças estavam construindo suas suposições a respeito da propriedade e do poder social que ela propicia, suposições que espelhavam as de uma sociedade capitalista baseada em classes – e que nós, professores, acreditamos ser uma sociedade injusta e opressiva”. Em lugar disso, criaram uma brincadeira que refletia os padrões moralmente superiores de “coletividade”.
11. Qual a lógica fundamental dos julgamentos da Suprema Corte em relação ao aborto?
Por incrível que pareça esta lógica não está baseada no “direito de escolha”, mas sobretudo na ideia de que religião e moralidade religiosamente informada não têm nenhum lugar nas questões públicas. Este é um dos aspectos da guerra cultural. Ela chegou à Suprema Corte.
12. A guerra cultural busca cercear a religião?
Exatamente. Em 1995, a Corte de Apelação do Nono Circuito decidiu que o “direito de morrer” não poderia ser constrangido simplesmente “para satisfazer aos preceitos morais ou religiosos de uma parte da população.” Não importa que as raízes de leis contra assasinato, perjúrio e roubos brotem diretamente daqueles preceitos religiosos.
13. De onde vem esse conceito de guerra cultural?
O termo vem do alemão Kulturkampf. A esquerda usa este termo para se referir aos supostos esforços da direita para demonizá-la e impor seus valores ao resto do país. Os matizes germânicos servem para evocar um parelelo com Hitler. Mas a Kulturkampf original não foi uma ação repressiva da direita contra dissidentes liberais ou minorias em perigo, mas um ataque da esquerda contra as forças do tradicionalismo e do conservadorismo. Ostensivamente, a Kulturkampf foi uma guerra contra os católicos alemães, absorvidos, pela primeira vez, na Grande Alemanha. Bismarck temia que eles pudessem não ser suficientemente leais a uma Alemanha liderada pela Prússia e, mais pragmaticamente ainda queria evitar a formação de um partido católico alemão.
14. E nos Estados Unidos?
De maneira semelhante, a Kulturkampf americana da década de 1960 começou não com os hippies, a Guerra do Vietnã ou mesmo os direitos civis. De forma adequada a uma tentativa de abrir o caminho para uma nova religião política, ela começa com o esforço de abolir as preces das escolas.
15. Vamos falar um pouco de cinema.
Hollywood é a mais poderosa agência de propaganda de facto na história humana. É possível defender todos os filmes que citarei aqui, no sentido que representam progressos no desdobramento da civilização ocidental de liberdade – e também são um bom divertimento. Mas o fato é que o fascismo garante sucesso de bilheteria, e os conservadores, com poucas exceções, são impotentes para combatê-los, porque nem ao menos sabem o que estão vendo. Os liberais, por sua vez, são rápidos em rotular de fascista qualquer “glorificação” da guerra ou de batalhas, mas estão celebrando o tempo todo o niilismo e o relativismo em nome da liberdade e da rebelião inviduais.
16. “Beleza americana”.
Kevin Spacey é Lester Burnham, um profissional burguês, casado com uma profissional burguesa e com uma filha convenientemente alienada. A vida de Lester dá uma guinada quando ele fica obcecado sexualmente por uma amiga de sua filha. Ele joga tudo pro alto, começa uma campanha de autoaperfeiçoamento que envolve uma obsessão narcísica com o corpo, dando um piparote em todas as convenções sociais e cedendo à todos os desejos num desafio à razão. Esse tipo de coisa, onde a pessoa “real” é encontrada não na cabeça, mas entre as pernas, parece passar por alta sabedoria em Hollywood.
17. “Forrest Gump”.
Um homem branco retardado é a única força moral confiável durante o caos das décadas de 1960 e 1970. O que redime o homem branco, aqui, é a sua anormalidade.
18. “Melhor é impossivel”.
Jack Nicholson é um tipo preconceituoso e virulento até que começa a tomar potentes drogas psicotrópicas, que de fato o curam de seu “branquismo” (Adorno poderia chamá-las de pílulas antifascismo) e o tornam tolerantes com gays e negros e capaz de amar.
19. “Sociedade dos poetas mortos”.
Hitler teria aplaudido de pé. O filme começa com estudantes aprendendo poesia de acordo com uma fórmula, traçando sua “perfeição”. É quase possível ouvir Hitler denunciando essa maneira “judia” de medir a arte. Então chega o sr. Keating e diz para os estudantes arrancarem estas páginas do livro. Keating os encoraja a violentar a convenção e exorta-os a subir na mesa do professor, numa exibição simultânea de superioridade e desprezo pelos papéis tradicionais. Um dos alunos, Todd, está com medo das novas abordagens de Keating que, então, de maneira intimidante, convoca-o a soltar o seu “brado bárbaro”. Keating encoraja seus pupilos a “aproveitarem o dia”, num glorioso culto da ação. Seguindo seus ensinamentos, os estudantes verdadeiramente “livres” criam uma sociedade secreta na qual adotam nomes pagãos e que se reúne numa velha caverna para tirar a “essência da vida”, criar novos deuses e ler poesias românticas. Neil, outro estudante, é despertado pelo sr. Keating e se rebela contra a pressão do pai burguês que quer que ele se torne médico. Ele quer viver uma vida de paixão como ator e quando o pai o proíbe, ele se mata para não se curvar – um final semelhante a Der König, peça favorita de Hitler, que a assistiu 17 vezes em três anos. Neil é representado como um Cristo, a despeito de seu egoísmo. A morte de Neil sacode a escola. Arriscam-se a ser expulsos se procurarem o sr. Keating, mas não resistem ao seu carisma. Desafiam o novo professor. Esses belos super-homens, unidos em suas vontades, buscam seu “capitão”, afastando-se da autoridade tradicional. Só faltaram mesmo as saudações nazistas.
20. “Matrix”.
É uma alegoria totalmente fascista com alguns traços marxistas. Keanu Reeves representa um burguês aprisionado numa vida de cubículo. Seu codinome Neo não apenas representa seu verdadeiro nome no partido (é como se fosse), mas também resume seu status como um Novo Homem, um Übermensch que pode dobrar o mundo à sua vontade e, em algum momento, pode até voar. A falsidade de seu estilo de vida lhe é revelada quando desperta de um sonho e compreende que o que pensava ser a sua vida real era uma prisão, uma jaula onde forças parasitas e manipuladoras literalmente viviam à sua custa. Em vez de judeus sanguessugas, o inimigo é o que os seguidores da Nova Era nos séculos XIX e XX chamavam de a Engrenagem ou das System. Depois disso, ele se junta a uma sociedade secreta pagã, onde os únicos vestígios autênticos da Humanidade vivem numa glória dionisíaca no ventre morno da Mãe Terra, totalmente dedicados à salvação dos poucos que vale a pena salvar dentre seus irmãos entorpecidos. Homens brancos desbotados, vestidos em ternos escuros, rejeitam a autenticidade da vida humana em nome de uma lógica fria e de prioridades mecânicas. São literalmente desenraizados, não meramente inclinados a abstrações, mas abstrações reais. Parece haver poucos deles, mas estão em toda a parte; podem tomar forma humana e operar qualquer coisa. Em suma, são versões em quadrinhos de tudo o que os nazistas diziam a respeito dos judeus.
É importante reconhecer que estamos falando não tanto da cultura de esquerda ou da cultura liberal, mas da cultura americana. Em muitos aspectos, o vício de Hollywood com a estética fascista não é ideológico. Gladiador usou imagens fascistas porque aquela era a melhor forma de contar a história. Só porque estou apontando temas fascistas nesses filmes, não quer dizer que sejam ruins. Não há como negar também que os conservadores estão dispostos a acolher filmes fascistas se eles vêm da direita. Muitos conservadores gostaram de Coração valente, porque exibia a resistência à tirania e celebravam a “liberdade”. Mas a “liberdade” desses filmes não era tanto a liberdade per se, mas a liberdade da tribo de se comportar de acordo com seus próprios valores relativistas. Os clãs das terras altas da Escócia dificilmente eram repúblicas constitucionais. Outro exemplo semelhante está no filme 300. Os espartanos eram uma casta eugênica e vagamente homoerótica de guerreiros que teria levado Hitler a apaludir de pé, a despeito dos esforços de Hollywood para americanizá-los.
Com isso concluímos a 4ª parte. Em breve a quinta e última parte.
